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10/03/2006

Tentando fazer Elaine virar Christine

The New York Times
Margy Rochlin

em Santa Monica, Califórnia
Julia Louis-Dreyfus, que está estrelando uma nova comédia da CBS chamada "The New Adventures of Old Christine", estava sentada diante dos críticos de televisão, no saguão do Hotel Ritz-Carlton em Pasadena, em janeiro. Eles perguntaram à atriz se era vítima da "Praga de Seinfeld" -que se refere à falta de sucesso que ela, Michael Richards e Jason Alexander tiveram desde que "Seinfeld" terminou seus 10 anos de alto ibope e prêmios, em 1998. Ela escapou com maestria.

Monica Almeida/The New York Times 
Julia Louis-Dreyfus tenta mostrar que há vida inteligente depois da Elaine de 'Seinfeld'

Cerca de uma semana depois, Louis-Dreyfus, 45, subiu em um palco diferente, desta vem em uma sala da escola particular de seu filho mais moço. Como parte do Dia em que os Pais Compartilham suas Histórias, ela deu um resumo de 45 minutos de sua vida para um grupo de crianças da terceira série. Subitamente, pressão.

"Ia tudo bem, mas eu estava suando", disse Louis-Dreyfus, que é casada com o produtor de televisão Brad Hall e tem dois filhos, Henry, 13, e Charlie, 8. "Não sei por que, mas era muito importante para mim. Senti que muito estava em jogo."

Foram momentos como este, da rotina dos pais modernos -um adulto perfeitamente capaz sendo abalado pelo desejo de não embaraçar seu filho em frente dos colegas- que atraíram Louis-Dreyfus para "The New Adventures of Old Christine". Na série cômica, ela faz o papel de uma mulher divorciada que trabalha e tenta equilibrar a educação de um filho de oito anos (Trevor Gagnon) com namoros e um bom relacionamento com seu ex-marido (Clark Gregg).

Christine luta diariamente para continuar corajosa diante de tantas humilhações inesperadas: agüentar a falta de interesse de um caixa, ou saber que seu ex-marido está envolvido com uma mulher que poderia ser considerada um modelo mais recente dela mesma -uma fada bonita, incansavelmente otimista também chamada Christine (Emily Rutherfurd).

O novo papel faz uso dos dons da personagem de Louis-Dreyfus em "Seinfeld", Elaine Benes: como ela consegue fazer rir somente pela forma determinada que carrega seu pequeno corpo de 1m57 ou como dá um novo significado a uma frase enfatizando a última palavra.

Kari Lizer ("Will and Grance"), criadora e produtora executiva de "The New Adventures of Old Christine" baseou o programa em suas próprias experiências. Quando se encontrou com a atriz para discutir o projeto, estava interessada nas emoções que a Elaine de Louis-Dreyfus nunca inspirara no público.

"Eu me perguntava se ela teria um lado suave", disse Lizer em entrevista telefônica. "Christine é diferente da Elaine, um pouco mais vulnerável."

Lizer admitiu que Louis-Dreyfus tinha suas próprias preocupações em seu primeiro encontro. A série anterior de Louis-Dreyfus, "Watching Ellie", criada por Hall, estreou em 2002 e, sem sucesso, foi interrompida em 2003. "Ela é uma grande estrela da televisão, e seu próximo passo será crítico", disse Lizer. "Sabia que seria muito, muito cuidadosa."

Lizer disse que ela e Louis-Dreyfus entenderam-se instantaneamente: "Foi como um encontro às escuras que deu certo. Ela me achou engraçada. Eu a achei engraçada."

Agora que Lizer conhece Louis-Dreyfus melhor, é ainda mais específica. "Ela não é engraçadinha, ela é suja. É tão destemida em rir de si mesma que é impressionante", disse Lizer, acrescentando que os roteiristas procuraram testar os limites de da atriz. "Tentávamos inventar coisas que ela não diria", disse Lizer. "Eu pensava: 'Ela não vai falar isso de jeito nenhum'. Mas ela diz qualquer coisa."

Combine o traço amalucado de Louis-Dreyfus com sua formação culta, e ela começa a parecer a menina de sociedade de Katharine Hepburn em "Holiday", de George Cukor. Filha do bilionário francês Gerard Louis-Dreyfus, Julia passava um final de semana por mês na residência de seu pai e sua madrasta no lado Oeste de Manhattan. O resto do tempo, morava em Washington com a mãe e o padrasto, um médico do projeto Hope que ocasionalmente levava a família toda para lugares como Sri Lanka, Colômbia e Tunísia, onde ia cuidar dos pobres.

Louis-Dreyfus tinha 21 anos e estudava teatro na Universidade Nortwestern quando foi convidada a trabalhar no "Saturday Night Live", com três outros -inclusive Hall, que era seu namorado. Eles foram encontrados em uma trupe de improvisos, Practical Theater Company. Não houve audição, somente uma ordem para se apresentarem em Nova York dias depois.

"Uma loucura", foi como Louis-Dreyfus descreveu como era ser jovem, mulher, descoberta instantaneamente -despreparada para as táticas traiçoeiras por trás das cenas necessárias para entrar em um quadro do "Saturday Night Live" . "Amadureci de muitas formas naquela época", disse Louis-Dreyfus. "Foi uma iniciação de fogo."

Em 1985, durante a última temporada de Louis-Dreyfus em "Saturday Night Live", que ela conheceu um roteirista chamado Larry David. Ela gostou imediatamente de sua revolta, de como se sentia ainda mais marginalizado do que ela. "Ele estava tão infeliz!" disse Louis-Dreyfus. "Fizemos uma conexão."

Quatro anos depois, Louis-Dreyfus recebeu alguns roteiros de David para uma série de quatro amigos neuróticos em Manhattan.

Ninguém precisa dizer a Louis-Dreyfus o quanto a televisão mudou desde "Seinfeld", que levou quase duas temporadas para atingir o sucesso. Neste ano, a ABC tirou do ar a série altamente promovida de Heather Graham, "Emily 's Reasons Why Not", depois de um único episódio. "Se essa mentalidade existisse quando 'Seinfeld' estreou, não faria parte da história da televisão, com certeza", disse Louis-Dreyfus.

Mais ainda, você não pode nem tentar uma história se não tiver espaço na programação. Até meados de fevereiro -quando o horário segunda-feira à noite às 21h30 foi finalmente escolhido para a série- "The New Adventures of Old Christine" estava sendo promovida com a vaga promessa: "Estréia em março".

De volta ao final de janeiro, quando Louis-Dreyfus, de jeans e jaqueta preta, estava sentada no saguão do hotel em Santa Mônica, perguntaram a ela se sabia por que a rede de televisão ainda não tinha se definido. Ela disse: "Não sei. Ligue para Nina Tassler e pergunte." Tassler é presidente de entretenimento da CBS. Sem querer ficar de fora, Louis-Dreyfus acrescentou: "Depois que falar com ela, me ligue no carro". E tentou animar o entrevistador. "Será divertido!" disse ela.

Os viciados em reprises de "Seinfeld" talvez não reconhecessem Louis-Dreyfus na entrevista. Na série, Elaine pensava em conseguir o que queria de uma forma muito física e memorável, que Louis-Dreyfus eliminou do vocabulário gestual de Christine.

"Dava empurrões", disse Louis-Dreyfus, usando as duas mãos para lutar com um inimigo invisível. "Eu tinha que me lembrar de não ser muito agressiva fisicamente."

"Como Elaine, empurrei muitas pessoas", disse Louis-Dreyfus. Depois
confidenciou: "Sou pessoalmente inclinada a fazer isso também." Deborah Weinberg

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