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14/03/2006

Programas de Simon Cowell batem todos os recordes de audiência nos EUA

The New York Times
Bill Carter

em Nova York
Em uma noite, há pouco mais de dois anos, Simon Cowell, que encarna um crítico juiz de novos talentos no maior espetáculo da televisão, "American Idol", dirigia o seu carro pelas ruas de Londres, pensando sobre a situação dos seus interesses no setor de entretenimento popular. "Me lembro de ter pensado: Caramba, vendi um novo programa de talentos no Reino Unido, e estou tirando 'American Idol' do ar neste país. Estou lançando um grupo clássico chamado Il Divo. Estou modificando o som do grupo Westlife, que já vendeu 40 milhões de discos. E pensei ainda: tudo isto pode fracassar. Este novo programa pode falhar. O grupo clássico também. Eu posso acabar com a carreira do Westlife. E por que estou fazendo tudo isso? Porque se tudo der certo farei um sucesso estrondoso".

Cowell não sofreu com tais tipos de dúvida por muito tempo. "Foi realmente uma sensação deliciosa", diz ele com o seu sotaque britânico. "Ganhar bastante dinheiro geralmente significa que você não vai mais ter que colocar o pescoço a prêmio, mas colocar o pescoço a prêmio faz parte da emoção. Se eu acredito genuinamente que algo seja uma boa idéia, me disponho a correr o risco de fracasso e dou uma chance a esta idéia".

O executivo da indústria de gravação nunca teve na "sua lista de desejos" a ambição de ser um astro de televisão. Quando concordou relutantemente em julgar um pequeno programa de apresentação de novos talentos na Inglaterra chamado "Pop Idol", ele só o fez para proteger o interesse da sua gravadora pelo vencedor. Atualmente ele ainda pensa em si próprio primeiramente como sendo um homem de negócios. E este homem de negócios está muito feliz em embolsar milhões de dólares para dizer a cantores péssimos que eles não passam de lixo; mas o seu principal objetivo continua sendo algo em sintonia com o controle mundial sobre talentos musicais e outros talentos - de inventores a mágicos e equilibristas de pratos.

Em uma entrevista sobre vários tópicos, concedida na sua elegante suíte de um hotel em Manhattan (em que outro lugar se esperaria que uma pessoa de tal fama morasse?), um Cowell tranqüilo e - acredite ou não - despretensioso falou sobre os vários tentáculos do seu império em expansão, parte de uma companhia chamada Syco, que no momento inclui uma gravadora e uma unidade de produções para TV, ambas gerando produtos em um ritmo frenético.

O tamanho daquilo que poderia ser chamado de Simon Incorporation é de uma escala impressionante. Cowell controla a carreira de numerosos artistas, incluindo a banda irlandesa Westlife e o Il Divo, o quarteto popular e lírico que está na topo das listas de sucesso de audiência nos dois lados do Oceano Atlântico. A sua gravadora vende milhões de álbuns anualmente, e lançará cinco novos títulos em 2006. Além disso, Cowell criou um programa de televisão na Inglaterra chamado "The X-Factor", que se mostrou tão popular a ponto de impedir que a versão britânica de "Idol" voltasse ao ar, o que gerou um processo movido contra ele na Justiça. Ele possui um total de 11 programas de televisão para redes britânicas e norte-americanas.

E há ainda o cinema. "Basicamente, uma versão atualizada de 'Fame' ("Fama", EUA, 1980)", explica Cowell.

Tudo isso começa, é claro, com "American Idol", que, na sua quinta encarnação na Fox, é visto por mais de 30 milhões de telespectadores, e que, neste processo, está fazendo com o restante da televisão aquilo que Sherman fez com a Georgia. Tendo já enterrado todos os outros concorrentes com índices de audiência que, contrariando todas as previsões, são maiores neste ano do que até mesmo os números prodigiosos que eram esperados, "Idol" abalou a recente cobertura dos Jogos Olímpicos de Inverno pela NBC, obrigando aquela rede a marcar os seus melhores eventos dos jogos para horários que não coincidiam com "Idol".

Essa pareceu ter sido uma decisão perfeitamente sábia. Mesmo se a NBC tivesse oferecido aos Estados Unidos uma apresentação de patinadoras nuas sobre o gelo, os fãs de "Idol" teriam preferido uma outra dose de adolescentes desconhecidos se esforçando para interpretar Michael Jackson e Mariah Carey.

Um executivo de uma rede concorrente (que não quis ser identificado na
reportagem, porque nunca é aceitável admitir a derrota) disse que procurar um programa para enfrentar "Idol" se tornou algo similar a "entrar em uma zona radioativa - tudo o que se coloca no horário de 'Idol' é aniquilado".

A ABC fez uma admissão bastante franca sobre como a tarefa de enfrentar
"Idol" pode ser formidável, ao promover a sua nova comédia "Sons &
Daughters" durante a transmissão do Oscar na semana retrasada. A promoção dizia: "Se você escolher apenas um programa para assistir nesta primavera, acreditamos que será 'American Idol'. Mas já que ele é exibido quase todas as noites, por que não dar um tempo e procurar um programa que, segundo o Guia de Programações, é inovador e extremamente hilariante?".

Cowell claramente saboreia o sucesso contínuo do show de talentos que ele e o seu parceiro, Simon Fuller, trouxeram da sua nativa Inglaterra em 2002. "Para mim, o que torna 'Idol' tão especial é que, sob um critério de reality show, muita coisa que vemos hoje em dia não deveria ser considerada 'reality' (realidade)", afirma Cowell. Um teste na televisão se constitui em uma realidade. Se o candidato for aprovado em 'Idol', as chances de que consiga uma carreira são grandes".

Mas ele enfatizou que o motivo pelo qual preside "Idol" como o Juiz Dredd é que os vencedores vão para a sua gravadora, que tem parceria com a BMG-Sony Music. "O último motivo pelo qual me dou a este trabalho é o fato de a minha gravadora ficar com o artista", afirmou. "E é por isso que eu realmente dou importância ao fato de odiar ou realmente gostar de um candidato".

Os vencedores em "Idol" recebem um contrato para gravarem de cinco a sete álbuns. "Vendemos 50 milhões de CDs, somente por meio de 'Idol' nos últimos quatro anos", disse ele. Na Inglaterra, o vencedor de "X-Factor" neste ano, um jovem cantor chamado Shayne Ward, lançou um CD que vendeu um milhão de unidades em uma semana.

Talvez o seu maior empreendimento musical tenha sido Il Divo, que atualmente lota salas de apresentações, especialmente de fãs femininas histéricas. Cowell disse que teve a idéia uma noite, há vários anos, quando estava sentado na cama assistindo a um episódio de "Os Sopranos", sobre o qual ele muito ouviu falar, mas que nunca havia visto. Foi o episódio no qual os gângsteres vão para a Itália, e a voz de Andrea Bocelli é ouvida ao fundo em várias cenas.

"Dei literalmente um pulo da cama", conta ele. "Fiquei hipnotizado pelo
conjunto formado pela música e as imagens. Bati na testa e disse, 'Por que você não coloca quatro cantores de ópera juntos?'". Assim nasceu uma banda de garotos de ópera.

Admitindo que nada entendia sobre o circuito operístico, Cowell disse que
contratou vários especialistas que lhe disseram que demoraria anos até
acharem quatro jovens de boa aparência e com verdadeira voz de cantores de ópera para esse tipo de projeto. "Eu lhes disse: 'Tudo bem. Posso esperar durante anos'".

Quase três anos depois, ele finalmente contava com o quarteto: um da
Espanha, um da Suíça, um da França e o outro dos Estados Unidos. A primeira coisa que os fez cantar foi uma versão em estilo operístico de "Unbreak My Heart", de Toni Braxton. "Nunca tinha ouvido nada como aquilo na vida", afirmou Cowell. Até o momento o grupo lançou dois álbuns - e vendeu 11 milhões de cópias.

"Foi algo de especialmente positivo para mim", disse Cowell. Colocar quatro desconhecidos em frente ao público norte-americano e conseguir que o álbum fosse o número um nas vendas foi algo muito importante para me validar nos Estados Unidos".

Mesmo assim, por mais potentes que os empreendimentos musicais tenham sido para ele nos cinco últimos anos, o braço televisivo da Simon Incorporation pode contar com um trunfo ainda maior. Cowell tem três novas séries prontas para três redes de televisão norte-americanas diferentes. Uma delas, "Duets", para a Fox, soa um pouco como "Singing With the Stars". Celebridades que não são conhecidas por cantarem se juntarão a cantores profissionais. Este programa ainda entrará em fase de produção.

O empreendimento televisivo mais imediato será "American Inventor", para a ABC, com estréia marcada para a próxima quinta-feira, às 20h. Esta será uma espécie de "Idol" para o "circuito dos nerds". Inventores e cientistas malucos terão uma chance de revelar as suas idéias. Depois disso os finalistas - escolhidos por um júri formado por especialistas - receberão US$ 50 mil para desenvolverem a idéia e alçá-la até o próximo patamar. O vencedor, determinado como sempre pelo voto telefônico da audiência, receberá um prêmio de US$ 1 milhão.

Cowell tem um contrato com a Amazon para vender o produto vencedor online. E o mais significativo é que ele tem um contrato para si próprio para embolsar um terço dos lucros totais gerados pela invenção.

É claro que ele manterá um interesse similar sobre quem quer que seja o
vencedor no seu novo programa para a NBC. Ainda sem título, a idéia é criar algo no formato de "American Idol" para basicamente qualquer outro tipo de talento.

"Tenho tanto interesse em ver apresentações caninas boas e ruins quanto
apresentações de cantores", confessou. "Prometo que as disputas serão algo que nunca se viu antes". Cowell comparou o programa, que deverá estrear na NBC no início de junho, aos velhos festivais de talentos, onde quem quer que faça algo de extraordinário pode se apresentar.

Isso, segundo ele, incluiria cantores, mas aqueles que não se qualificassem segundo as regras de "Idol". "Atrairemos de tudo, desde cantores de 80 anos de idade até meninas de oito anos que acham que são tão boas quanto Celine Dion". Ele explicou que os talentos poderão ser de diversos tipos, mas que precisarão atender a um critério especifico: serem capazes de se apresentar em um palco em Las Vegas - porque esse é o preço.

"Se o candidato no meu show for um equilibrista de pratos, ele precisa
acreditar que é capaz de entreter uma audiência em Vegas girando pratos",
afirmou Cowell.

Craig Plestis, o principal diretor de programas do tipo reality show da NBC, disse que o programa de Cowell foi vendido quase que instantaneamente. "Nos sentamos para almoçar, eu assisti a uma amostra em vídeo e fechamos o negócio", conta o executivo.

A NBC não poderia ter fechado este negócio se a rede a qual Cowell pertence não o tivesse aprovado antes. Segundo o contrato assinado por Cowell no ano passado com a Fox - que renderá a ele mais de US$ 30 milhões anuais - fazendo com atue como juiz em "Idol" por mais cinco anos, ele concorda em permitir que a Fox dê "uma primeira olhada" em toda as suas novas idéias relativas a shows.

"Não creio que eles tenham achado que o projeto tinha força suficiente", disse Cowell, referindo-se à decisão da Fox de recusar a nova série de talentos. Ele admitiu que a Fox pode ter relutado em acrescentar outros shows de talentos que pudessem de alguma forma diluir o grande sucesso de "Idol", mas acrescentou: "Se o programa for um sucesso, eles sairão perdendo". Não que ele esteja engajado em qualquer tipo de disputa com os executivos da Fox. Pelo contrário, disse Cowell: "Eles têm demonstrado uma decência incrível, e me apóiam bastante".

De acordo com Cowell, foi especialmente esta boa relação com a Fox que o levou a entrar em um acordo em relação a um processo envolvendo "The X-Factor". Simon Fuller alegou que Cowell roubou a sua idéia para aquele show de "Idol", e depois, devido ao fato de ter estrelado no programa, o original não pôde mais ser colocado de volta no ar. "Chegou-se a um acordo amigável, mas não gosto de ser chamado publicamente de ladrão", disse Cowell.

O show de talentos também gerou um processo movido por uma companhia de produção de Minnesota, que alega ter feito um programa similar durante anos. Cowell afirmou que nunca viu ou ouviu falar de tal show.

Mesmo com todas essas séries prontas para irem ao ar, Cowell diz que sente muito porque uma delas não será exibida na televisão norte-americana. No seu contrato com a Fox, Cowell concordou em não vender "The X-Factor" a uma rede norte-americana. A Fox basicamente o pagou para manter o show fora do ar, temendo que ele prejudicasse os índices de audiência de "Idol".

"Eu garanto que 'X-Factor' é um grande programa", disse Cowell. "Ele é
hilariante. Eu o adoro. Se ele teria sido um sucesso nos Estados Unidos?
Garanto que seria um sucesso absoluto". Danilo Fonseca

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