UOL Notícias Internacional
 

16/03/2006

Desenvolvedor do ponto zero é ordenado a construir ou desistir

The New York Times
Charles V. Bagli e David W. Dunlap

em Nova York
Um dia após o colapso das negociações em torno do esforços de reconstrução no ponto zero, o governo Pataki disse na quarta-feira que não retomará as negociações com o desenvolvedor Larry A. Silverstein e o desafiou a iniciar a construção da Freedom Tower (Torre da Liberdade) de US$ 2,3 bilhões no próximo mês ou que "saia do caminho".

O desafio ocorreu 12 horas após o colapso abrupto das negociações que buscavam resolver as questões que estão impedindo o desenvolvimento do ponto zero, onde os esforços confusos para desenvolver o local do ataque de 11 de setembro se tornaram um grande embaraço para a cidade e o Estado.

Diante de um prazo auto-imposto de meia-noite, os assessores do governador George E. Pataki negociaram quase 16 horas na terça-feira na tentativa de chegar a um acordo no qual Silverstein, o arrendatário do local, entregaria o controle da Freedom Tower e de um segundo prédio para a Autoridade Portuária de Nova York e Nova Jersey, a proprietária da área. Isto permitiria o início em abril das obras da Freedom Tower, o maior e mais simbólico dos cinco arranha-céus planejados para o local.

O fracasso das negociações é apenas o mais recente problema a surgir nos planos de reconstrução no terreno do World Trade Center, da briga em torno da escolha do projeto e disputa em torno do centro cultural planejado, que agora será construído em outro local, até a obtenção de recursos para o memorial e as dúvidas de alguns críticos sobre se a Freedom Tower é de fato uma boa idéia.

No centro de tudo está Silverstein, que, apesar de ter respondido na quarta-feira que iniciará a construção no próximo mês, ainda não convenceu muitos dos principais envolvidos de que dispõe dos recursos para a construção da Freedom Tower.

As negociações eram vistas como um último esforço para resolver as disputas persistentes sobre o destino do local. Pataki quer que as obras no terreno do ponto zero tenham início para que seu legado não seja manchado no momento em que deixa o cargo e considera uma candidatura presidencial. A Autoridade Portuária acredita que Silverstein não conta com os recursos financeiros para completar todas as cinco torres. E Silverstein, como arrendatário da área, detém muitas das cartas e está buscando concessões financeiras em troca da cessão do controle de todo o terreno.

Mas após um dia tempestuoso no qual Silverstein assegurou a Pataki por telefone que "chegaremos a um acordo esta noite", o desenvolvedor ofereceu poucas horas depois o que os assessores de Pataki descreveram como uma contra-oferta de "má fé" às 23h35, exigindo ainda mais concessões da Autoridade Portuária.

"Nós decidimos que não haverá continuidade das negociações com Larry Silverstein e seu grupo até que coloquem algo na mesa que seja do interesse público", disse Charles A. Gargano, a principal autoridade de desenvolvimento econômico do Estado e vice-presidente da Autoridade Portuária, em uma coletiva de imprensa na quarta-feira.

"Nós esperamos que Larry dê início à construção da Freedom Tower em abril. Este é um compromisso que ele assumiu junto à população e à Autoridade Portuária, e nós esperamos que ele cumpra tal compromisso. Caso contrário, queremos que ele saia do caminho."

Se Silverstein fracassar em iniciar a construção da Freedom Tower, Gargano disse que o Estado e a Autoridade Portuária estudarão suas "opções legais", incluindo se declaram o desenvolvedor como não cumpridor de seu acordo de arrendamento do local.

Em uma coletiva de imprensa na tarde de quarta-feira, Silverstein apresentou um ponto de vista muito diferente do que aconteceu no fim da noite de terça-feira, dizendo que ficou "chocado" e "entristecido" pelas negociações terem terminado quando pareciam estar tão próximas de um acordo. Ele disse que fez "enormes concessões".

Silverstein arrendou o World Trade Center da Autoridade Portuária em julho de 2001, apenas semanas antes de ser destruído por terroristas. Ele há muito tem insistido que dispõe da vontade e dos meios para reconstruir todo o projeto de US$ 7 bilhões, apesar da cidade, do Estado e dos executivos da Autoridade Portuária se mostrarem céticos, dado que há apenas US$ 2,9 bilhões em recursos apurados do seguro disponíveis.

Ao ser perguntado se reconstruiria a torre, Silverstein disse na
quarta-feira: "Nós indicamos ao governador que estamos preparados para dar início às obras da Freedom Tower no próximo mês". Silverstein realizou a coletiva de imprensa não em seu escritório no centro, mas no World Trade Center 7, a torre de 52 andares que ele completou recentemente nas ruas Vesey e Greenwich, em frente ao local do terreno do World Trade Center.

Não ficou claro na quarta-feira se a ruptura repentina entre o governador e o desenvolvedor era irreparável, ou se ambas as posições eram apenas um prelúdio para uma resolução de uma batalha cada vez mais acirrada em torno do destino do ponto zero.

Visando provar que estavam buscando uma resolução para a disputa, Janno N. Lieber, o vice-presidente sênior da Silverstein Properties, disse que Silverstein reuniu seus sócios e sua equipe de negociação às 23h30 da noite de terça-feira para acertar os detalhes finais de um acordo que levaria a um grande realinhamento no ponto zero.

Os membros do campo de Silverstein, que discutiram detalhes das conversas após lhes ser concedido o anonimato, culparam o impasse à lentidão burocrática da Autoridade Portuária e à política interna complicada de uma autoridade controlada pelos governadores de Nova York e Nova Jersey.

Mas Ringler rejeitou o relato de Silverstein, dizendo que o desenvolvedor queria que a Autoridade Portuária assumisse risco financeiro demais no local, enquanto ele ficava com grande parte do dinheiro da reconstrução. Ele disse que Silverstein pode ter suspeitado que a Autoridade Portuária recuaria, porque ele visava seguir em frente com a Freedom Tower.

"Me pareceu que quanto mais colocávamos na mesa, mais eles queriam", disse Ringler.

Gargano foi mais longe, dizendo que a contra-proposta de fim de noite foi uma ilustração da "ganância" de Silverstein.

A base do acordo que ambos os lados disseram estar dentro do alcance dava à Autoridade Portuária o controle da construção da Freedom Tower e de um segundo prédio nas ruas Greenwich e Cedar, onde se encontra atualmente o altamente danificado Deutsche Bank. Silverstein manteria o que todos consideravam os locais mais lucrativos para as três torres em rua Church, ao lado do terminal PATH de US$ 2 bilhões que está atualmente sendo construído.

Mas os dois lados permaneceram em conflito diante das questões financeiras ligadas à alocação dos US$ 2,9 bilhões em dinheiro do seguro; o aluguel de Silverstein, que subirá para US$ 125,25 milhões em julho; e sua participação nos custos de infra-estrutura na propriedade de 6,5 hectares.

Ringler disse que a Autoridade Portuária, que não deseja assumir a Freedom Tower a menos que o acordo inclua uma grande porção do dinheiro do seguro, fez várias concessões na noite de terça-feira, incluindo a redução do aluguel de Silverstein.

Nas últimas semanas, havia uma crescente preocupação entre os executivos da Autoridade Portuária, o prefeito Michael R. Bloomberg e as autoridades estaduais de que Silverstein não dispunha de capacidade para concluir todos os prédios no local ao custo estimado de mais de US$ 7 bilhões. Eles buscaram um novo acordo no ponto zero que disseram que permitiria o andamento mais rápido da construção, ao mesmo tempo em que forneceria a Silverstein as oportunidades de desenvolvimento imobiliário e assegurando a construção da Freedom Tower.

"Para que a Baixa Manhattan continue crescendo como um dos centros de negócios mais proeminentes do mundo, é essencial que o terreno do World Trade Center seja construído corretamente, completamente e o mais rapidamente possível", disse Bloomberg na quarta-feira. "É hora da Silverstein Properties conter seus interesses pessoais e se concentrar no que é melhor para a cidade de Nova York." George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    17h00

    0,40
    3,279
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    0,95
    63.257,36
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host