UOL Notícias Internacional
 

20/03/2006

Sexo, ações na justiça e vídeos de celebridades

The New York Times
Por Lola Ogunnaike
Dois anos atrás, a Red Light District, empresa de vídeo pouco conhecida da Califórnia, encontrou uma mina de ouro quando conseguiu os direitos de
distribuição do vídeo de sexo de Paris Hilton, uma gravação explícita feita por um ex-namorado. O DVD vendeu cerca de 600.000 cópias e fez da Red Light District a maior empresa no nicho lucrativo da indústria pornográfica. Ela fornece vídeos explícitos de pessoas famosas, vendidos a um público voraz, freqüentemente sob objeções veementes dos participantes.

Hilton tentou impedir a distribuição do vídeo, apesar do episódio paradoxalmente ter aumentando sua fama, tornando-a um tipo de celebridade pós-moderna, que passou a vender perfumes, lançou um livro de memórias e virou capa da Vanity Fair e W.

A Red Light District, por sua vez, está de olho no segundo episódio, com um novo vídeo de sexo de celebridade com dois astros do rock, Kid Rock e Scott Stapp, que era do grupo de rock cristão Creed. David Joseph, presidente da Red Light, acredita que venderá entre 300.000 a 400.000 cópias do material, a preços entre US$ 20 e US$ 24 (entre R$ 40 e R$ 50, aproximadamente).

"Todo mundo vai querer ver como é de verdade a vida desses sujeitos quando estão na estrada com as fãs", disse ele.

Mas, por enquanto, ele não pode vendê-lo. No dia 28 de fevereiro, um juiz
federal, em resposta a uma ação judicial movida por Kid Rock, exigiu que a Red Light tirasse da Web os sites que mostravam partes do filme.

"Acreditamos que esse vídeo era privado e que foi obtido de maneira
imprópria", disse William H. Horton, advogado de Kid Rock, em entrevista.
"Pretendemos mantê-lo privado". E acrescentou: "Não estamos negociando. Não queremos dinheiro."

Na semana passada, dois processos foram abertos contra a Red Light -por
Stapp e uma mulher que aparece no vídeo, que mostra os dois astros recebendo sexo oral em um trailer depois de um show em 1999. A empresa diz que não vai responder na justiça e sim tentar negociar pelos direitos de venda.

Independentemente da resolução do conflito, já se foram os dias em que um vídeo de sexo -que poderia significar revelações altamente embaraçosas- automaticamente destruíam a carreira de uma celebridade. Apesar de o ator Rob Lowe ter se tornado pária em Hollywood nos anos 80, quando gravou a si mesmo fazendo sexo com duas mulheres, sendo uma menor de idade, vídeos de sexo amador hoje parecem impulsionar carreiras, ao menos para celebridades que já tem certo fator de escracho.

Além de Hilton, há Pámela Anderson, cuja fama de atriz de filme B e favorita dos tablóides pareceu acelerar quando foi divulgado pela Internet em 1997 um vídeo dela fazendo sexo explícito com seu marido, o roqueiro Tommy Lee, apesar das tentativas do casal de impedi-lo na justiça.

No final de 2004, uma ex-estrela de luta livre chamada Chyna Doll e seu
marido procuraram a Red Light District para que distribuísse seu tape de
sexo amador. Mais de 100.000 cópias foram vendidas, diz a empresa, e os
astros compartilharam os lucros. Chyna Doll, cujo nome verdadeiro é Joanne Laurer, teve sua carreira impulsionada depois da divulgação do DVD, quando foi apresentada no programa de televisão popular da VH1 "The Surreal Life".

Joe Levy, editor executivo da Rolling Stone, que cobriu o bafafá em torno do vídeo de Rob Lowe nos anos 80, disse: "A enorme diferença de quase 20 anos atrás e hoje é que a pornografia está mais disponível, portanto está menos estigmatizada."

Levy acrescentou: "Atualmente, todo mundo tem sua câmera de vídeo e pode usá-la da maneira que quiser. Quanto mais as pessoas gravam vídeos para seu prazer, menos acham terrível que outros o façam."

Vídeos de celebridades fazendo sexo aparecem com tanta regularidade que os cínicos questionam se os próprios astros não serão cúmplices, por causa da publicidade que trazem. Apesar de estar processando a Red Light para manter seu vídeo fora das mãos do público, Kid Rock disse à Associated Press neste mês: "Que momento perfeito. Estou lançando um disco."

Em outro caso, um juiz em Los Angeles determinou na semana passada que o
ator Colin Farrell poderia continuar com uma ação para impedir uma
ex-namorada de vender um vídeo de sexo que fizeram em 2003. Farrell, astro do filme "Miami Vice" que estréia em breve, afirma que a gravação de 15 minutos de sexo radical prejudicará significativamente sua fama.

Sua ex-namorada, Nicole Narain, que foi a Miss Janeiro 2002 da Playboy, quer vender a fita por uma empresa de Internet, argumentando que tem o direito como "co-criadora".

De acordo com um documento divulgado na Web pelo site investigativo The
Smoking Gun, na semana passada, a futura distribuidora da fita está
prometendo pagar a Narain US$ 3 milhões (em torno de R$ 6 milhões).

As questões giram em torno dos contratos que fazem as gravações passarem da câmera para um intermediário, deste para um distribuidor e ao público. Como cenas dos atos mais íntimos e privados das celebridades terminam sendo vendidas para centenas de milhares de espectadores, freqüentemente contra a vontade dos participantes?

A indústria de pornografia, de US$ 10 bilhões (em torno de R$ 20 bilhões)
por ano, é cada vez mais lugar comum, mas, mesmo assim, quão legítimo é o negócio da Red Light?

Joseph disse que todos seus contratos foram corretos. "É claro que pergunto a eles como conseguiram o material e me asseguro de que não foi roubado", disse ele, referindo-se aos intermediários que vendem os vídeos das celebridades.

No caso de Paris Hilton, Joseph disse que fechou contrato com Rick Salomon, que fez par com ela e estava vendendo o vídeo ele mesmo na Internet por US$ 50 (em torno de R$ 100). Joseph disse que concordou em dar quase 50% dos lucros de distribuição a Salomon, mas não quis divulgar o número exato. (O vídeo venceu o prêmio da indústria pornográfica como Título de Maior Venda do Ano de 2005.)

Hilton, que tinha 19 anos na época da gravação, processou uma empresa de Internet com sede no Panamá que estava distribuindo clipes do material,
citando violação de privacidade e sofrimento emocional, mas eventualmente
desistiu do processo. Mas ela nunca processou Salomon ou Red Light District.

Em entrevista no ano passado, o advogado de Hilton, Peter Lopez, disse que ela recebe pelas vendas.

Se tivesse processado Salomon ou a Red Light, Hilton poderia vencer o caso, de acordo com alguns especialistas.

"O Sr. Salomon pode ter sido o criador e poderia ter o direito sobre o
vídeo, mas se a Srta. Hilton tivesse um desejo que esse vídeo de seu
comportamento íntimo com ele permanecesse entre os dois, ela teria um caso viável contra ele por invasão de privacidade", disse Kevin Goering, sócio da firma Sheppard Mullin.

No caso de Kid Rock e Scott Stapp, uma terceira pessoa filmou as cenas e portanto é proprietária dos direitos, argumentou o advogado da Red Light
District, Ray Tamaddon. "Obtivemos a cópia do proprietário por direito",
disse ele. "Não temos dúvida sobre isso".

Joseph disse que descobriu que a terceira parte -cuja identidade não
revelou- estava planejando colocar a fita on-line de graça, mas persuadiu-a a vendê-la. Horton, advogado de Kid Rock, alega que a gravação pertence a Stapp. "Entendo que esteve em sua posse nos últimos sete anos e recentemente sumiu", disse ele.

Joseph 37, parece tranqüilo diante dos obstáculos à distribuição do
material; a experiência mostrou-lhe que as celebridades freqüentemente
permitem a venda dos vídeos de sexo, pelo preço correto. Tamaddon disse que a Red Light não vai combater as ações, mas acrescentou: "Continuamos em negociação, e eles estão conscientes de que estamos dispostos a fechar um acordo."

No mundo pornô, a Red Light já é famosa com a chamada pornografia gonzo. "Gonzo é o material pesado -direto, sem música", explicou Joseph durante uma excursão de sua sede, um grande prédio em Chatsworth, Califórnia, um subúrbio de Los Angeles.

Ele mostrou o depósito, um espaço amplo que se parece uma loja da Home Depot. Milhares de fitas e DVDs com títulos como "Tease Me, Please Me"
(provoque-me, agrade-me) e "Fresh New Faces" (Rostos novos) estavam
empilhados em prateleiras arrumadas. Joseph apontou para caixas cheias com as fitas de Hilton. "Mantemos entre 50.000 e 60.000 dessas a mão, porque ainda estão vendendo", disse ele.

Joseph, casado e dois filhos, disse que raramente vê seus produtos. "Não há uma fita pornô na minha casa", disse ele. "Posso contar em uma mão o número de Playboys que olhei na minha vida. Prefiro ver o Discovery Channel ou Sports Center."

Um competidor, Patrick Collins, fundador do Elegant Angel, disse que apesar dele mesmo estar no ramo por gostar de pornografia, "Joseph não liga para isso". E acrescentou: "David gosta da arte do negócio."

Não eram exatamente os negócios que estavam na mente de Joseph naquele dia quando, com um clique, o vídeo de Kid Rock e Scott Stapp apareceu na tela de seu computador. A ação era pesada, advertiu.

"Cara, eu devia ter sido astro do rock", disse Joseph vendo Kid Rock
autografar os seios de uma mulher com um pilot preto. "Estou no ramo
totalmente errado."

Mesmo que jamais possa vender o material, Joseph já está caçando vídeo de outra celebridade. Ele não quis dar o nome, mas deu pistas: "É uma mulher", disse ele, rindo maliciosamente, "e está no ramo da música". Deborah Weinberg

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