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22/03/2006

Bush reconhece que guerra no Iraque mina seu status político

The New York Times
Elisabeth Bumiller
Em Washington
O presidente Bush disse na terça-feira que a guerra no Iraque está minando seu capital político, sua maior admissão até o momento sobre os custos do conflito à sua Presidência, e sugeriu que as forças americanas permanecerão no país até pelo menos 2009.

Em um rápido comentário em uma coletiva de imprensa na Casa Branca sobre as reservas de força política que obteve em sua reeleição em 2004 -"eu diria que gastei aquele capital na guerra"- Bush na prática reconheceu que até que possa convencer os americanos cada vez mais céticos de que os Estados Unidos estão vencendo a guerra, o Iraque ofuscará tudo o que fizer.

Posteriormente, em resposta a uma pergunta sobre se chegará um dia em que não haverá mais forças americanas no Iraque, ele disse que "futuros presidentes e futuros governos do Iraque" tomarão tal decisão.

Tal declaração foi uma das poucas que ele fez a fornecer um vislumbre de seu pensamento sobre a duração do compromisso americano no Iraque, sinalizando que qualquer retirada de tropas ocorrerá além de seu mandato no governo.

Bush afirmou que o Iraque não está vivendo uma guerra civil e contradisse Ayad Allawi, um ex-primeiro-ministro iraquiano e aliado da Casa Branca.

O presidente disse repetidas vezes que está convencido de que os Estados Unidos terão sucesso no Iraque e que ele continuará a transmitir tal mensagem pelo país.

"Eu vou dizer de novo, se eu não acreditasse que poderíamos ter sucesso, eu não estaria lá", ele disse em uma sessão de quase uma hora na sala de imprensa da Casa Branca. "Eu não teria enviado aqueles garotos para lá."

A coletiva de imprensa do presidente faz parte de uma campanha da Casa Branca para convencer os americanos de que há boas notícias no Iraque, não apenas o derramamento de sangue diário que vêem na televisão. A sessão com os repórteres foi ensanduichada entre uma série de discursos presidenciais sobre o Iraque -em Washington, na última terça-feira, em Cleveland, na segunda-feira, e em Wheeling, Virgínia Ocidental, marcada para quarta-feira- e como elas projetou um tom de otimismo.

Bush admitiu erros e reconheceu o caos em terra, mas afirmou enfaticamente que a situação melhorará.

"Eu ouvi pessoas dizerem: 'Ele está sendo otimista apenas por ser otimista'", ele disse aos repórteres. "Olhem, eu acredito que vamos ter sucesso. E entendo quão difícil será. Não me entendam mal. Quero dizer, é preciso deixar abundantemente claro quão difícil será. Eu escuto isto de nossas tropas. Eu leio os relatórios toda noite. Mas eu acredito que os iraquianos, este foi um momento em que os iraquianos tiveram uma chance de entrar em colapso e não entraram. Este é um desdobramento positivo."

A tática de discurso funcionou no final de 2005, quando outra série de discursos sobre o Iraque ajudou a estabilizar temporariamente os números do presidente nas pesquisas. Mas os analistas dizem que com a familiaridade de sua mensagem ao país, não está claro se as pessoas ainda estão escutando.

"O problema com os discursos é que eles estão ficando gradualmente mais realistas, mas ainda são exercícios de dar um enfoque positivo", disse Anthony Cordesman, um especialista em forças armadas do Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais, em Washington. "Eles não traçam os riscos. Eles não criam um clima onde as pessoas acreditam no que está sendo dito."

Funcionários da Casa Branca têm esperança de que a ofensiva de comunicação de Bush deterá o declínio de seu índice de aprovação para os níveis mais baixos de sua presidência, mas alguns analistas das forças armadas disseram estar céticos porque ele não apresentou nenhuma nova política em suas coletivas de imprensa ou em seus discursos.

"Esta série em particular me confunde sobre o que está tentando obter", disse Michael O'Hanlon, um membro sênior e especialista em forças armadas da Instituição Brookings. "Foi um inverno ruim no Iraque, mas eu também não acho que ele tenha novidades suficientes para dizer e é cedo demais após os discursos do outono."

A guerra no Iraque esteve presente na maioria das perguntas na coletiva de imprensa. Bush novamente apoio fortemente o secretário de Defesa, Donald H. Rumsfeld, em resposta a ma pergunta sobre se ele renunciaria, como estão exigindo alguns membros do Congresso.

"Não, eu não acredito que ele renunciará", disse Bush. "Eu acho que ele tem feito um bom trabalho não apenas na condução de duas batalhas, Afeganistão e Iraque, mas também na transformação de nossas forças armadas, o que tem sido um trabalho muito difícil dentro do Pentágono."

Ele acrescentou: "Escute, cada plano de guerra parece bom no papel até você encontrar o inimigo, não apenas o plano de guerra que executamos no Iraque, mas os planos de guerra que temos executado ao longo de toda a história das guerras".

O humor de Bush na coletiva de imprensa alternava entre relaxado e irritado, apesar de parecer estar se esforçando bastante para não demonstrar sua irritação com alguns repórteres. Em um destes casos, Helen Thomas, a antiga correspondente da Casa Branca e colunista do jornais "Hearst", perguntou a Bush por que ele quis realmente ir à guerra no Iraque. Ele respondeu de forma abrupta que "presumir que eu queria ir à guerra é errado, Helen, em todos os sentidos".

Em outro momento, ele assumiu um tom irritadiço quando perguntado sobre as medidas democratas no Congresso para censurá-lo sobre seu programa secreto de vigilância. Uma recente pesquisa "New York Times/CBS News" mostra que a maioria dos americanos apóia o programa desde que acreditem que vise protegê-los de terrorismo.

"Eu notei que ninguém no Partido Democrata se ergueu e pediu pelo fim do programa de vigilância", disse Bush. Ele acrescentou, em uma formulação semelhante às de seus discursos de campanha que retratavam os democratas como brandos em relação ao terrorismo, que "eles deveriam se erguer e dizer que os instrumentos que estamos usando para proteger o povo americano não deveriam ser usados".

Na coletiva de imprensa, o presidente defendeu fortemente seu pessoal contra os pedidos dos republicanos no Congresso por sangue novo na Casa Branca e as queixas de que a Ala Oeste está à deriva.

"Estas são pessoas decentes, boas, trabalhadoras", disse ele. "E nós já enfrentamos muita coisa." Ele acrescentou que há uma ansiedade natural no Congresso em um ano eleitoral.

"Eu consigo me lembrar de 2002, antes das eleições, quando havia um certo nervosismo", ele disse. "Havia muitas pessoas no Congresso que não acreditavam que eu venceria em 2004 e se perguntavam se eu arruinaria ou não a legenda. Assim há um certo desconforto à medida que você segue para um ano eleitoral. Eu entendo isto."

Ao ser perguntado se planejava trazer para a Casa Branca alguém experiente de Washington que poderia atenuar as preocupações entre os republicanos no Congresso, Bush respondeu: "Ora, eu não vou anunciar isto agora". Presidente sugere que as forças americanas permanecerão no país até pelo menos 2009 George El Khouri Andolfato

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