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24/03/2006

Candidatas são cruciais para o controle democrata da Câmara

The New York Times
Robin Toner

em Narberth, Pensilvânia
Se os democratas realizarem seu desejo, as eleições parlamentares de 2006 serão a vingança do partido das mães.

As mulheres estão concorrendo pelo Partido Democrata em quase metade das duas dúzias de vagas mais competidas da Câmara, aquelas que seu partido espera tirar dos republicanos para reconquistar o controle da Câmara. Estrategistas democratas estão apostando que a inquietação dos eleitores e sua fome de mudança -refletidas consistentemente nas pesquisas de opinião pública- criarão condições perfeitas para as candidatas do partido neste ano.

"Em um ambiente em que as pessoas estão enojadas com a política em geral, quem representa pureza e mudança? As mulheres", diz o deputado Rahm Emanuel de Illinois, diretor do Comitê de Campanha Democrata ao Congresso.

Os republicanos, que avançaram nas últimas eleições posicionando-se como guardiões da segurança nacional e claramente esperam fazê-lo novamente, negam a teoria. No final, ela será testada em locais como Narberth, subúrbio de Filadélfia onde Lois Murphy, advogada de 42 anos e ativista democrata perdeu a campanha ao Congresso em 2004 por apenas dois pontos percentuais.

Desta vez, Murphy desafiará o mesmo oponente republicano que conquistou o cargo, Jim Gerlach, mas ela sente que o eleitorado está "muito, muito" pronto para mudança, cansado dos escândalos éticos e convencido de que "o governo tem desapontado".

Quanto às vantagens de ser mulher neste ano, Murphy respondeu: "Deixo isso aos especialistas, coisa que não sou." Mas ela disse que sua plataforma -de reforma ética, responsabilidade fiscal, saúde acessível, maior sensibilidade ao meio ambiente- está agradando aos moderados suburbanos de ambos os partidos.

Em outra disputa de alto perfil, para a vaga no subúrbio de Chicago do 6º Distrito de Illinois, L. Tammy Duckworth, ex-pilota de helicóptero que perdeu as duas pernas no Iraque, conseguiu a nomeação democrata em uma vitória estreita nas primárias na terça-feira (20/3) -contra outra mulher.

"É sobre mudança em tantos níveis", disse Duckworth de sua campanha, concentrada na necessidade de expansão da saúde. "Se o fato de eu ser mulher sublinhar isso e deixar claro que serei uma agente eficaz de mudança, melhor."

As eleições poderão fornecer pistas sobre o ambiente que esperará a senadora Hillary Rodham Clinton em Nova York, se concorrer à presidência em 2008. Os eleitores se acostumaram a ver mulheres na Secretaria de Estado, na liderança da minoria da Câmara, no governo (há oito atualmente) e em outros cargos, e a campanha deste ano poderá dar nova luz quanto à força dos estereótipos traçados por acadêmicos e especialistas políticos durante muitos anos.

Na Câmara dos Deputados, de 435 membros, 67 são mulheres, sendo 43 democratas e 24 republicanas.

Há candidatas democratas concorrendo neste ano para algumas das 24 vagas de republicanas. As disputas são classificadas como de resultado indefinido ou de provável vitória republicana por margem estreita pelo Relatório Político Cook, analista independente.

"Se os democratas conquistarem novas vagas em 2006 será porque as candidatas tiveram sucesso", disse Amy Walter, analista da Cook. Uma mudança de 15 assentos de republicanos para democratas derrubaria o controle da Câmara. Apesar de todo o entusiasmo no lado democrata, especialistas dizem que não será como 1992, o "ano da mulher", em que o número de mulheres na Câmara e no Senado pulou em mais da metade. Simplesmente não há vagas suficientes para esse tipo de mudança l.

Mas segundo o Centro de Mulheres Americanas e Política da Rutgers os dados iniciais sugerem um salto no número de mulheres concorrendo às vagas abertas neste ano, apesar de várias delas ainda terem que disputar primárias competidas. Geralmente acredita-se que é mais fácil conquistar uma vaga aberta do que derrubar um candidato que já está na vaga.

"Não é sobre quantas mulheres estão concorrendo", disse Ellen Malcolm, que dirige a organização Emily's List, que levanta fundos para mulheres democratas. "É sobre quantas mulheres estão concorrendo que têm verdadeira oportunidade de vencer."

Os estrategistas democratas pretendem enquadrar essas eleições -no meio do mandato presidencial- como a clássica disputa entre a situação e a mudança. E eles dizem que as mulheres são perfeitas mensageiras de uma proposta de fora, contra uma "cultura de corrupção".

Celinda Lake, que fará pesquisas democratas para três candidatas à Câmara neste ano, disse: "Se você quer comunicar mudança, honestidade, limpeza em Washington, contra os mesmos de sempre, as mulheres são muito boas."

Membros do comitê de campanha democrata disseram que procuraram estimular e recrutar mulheres neste ano, junto com a Emily's List e outros grupos.

"Isso não aconteceu por acaso", disse Emanuel.

Republicanos professam não estar preocupados com a nova onda de candidatas do chamado "partido das mães". (Supostamente, os democratas são mais preocupados com política interna e atenção à saúde e educação, enquanto os republicanos são mais voltados para a segurança.)

"Estou tão preocupado com as mulheres de Rahm Emanuel quanto com seus veteranos", disse Carl Forti, porta-voz do Comitê Nacional Republicano do Congresso, aludindo negativamente a outro grupo de candidatos que os democratas promoveram neste ano.

Forti argumentou que: "Em nossa estratégia, toda competição é local, baseada em questões locais" e acrescentou: "Não importa se o candidato é homem, mulher, verde, roxo, laranja, vermelho, o que for."

Essa abordagem foi repetida por Mark Campbell, diretor político da campanha de Gerlach na Pensilvânia, que disse: "Será uma campanha competitiva, e Jim Gerlach vai vencer porque sua posição em questões importantes reflete melhor os eleitores do 6º distrito do que a da Sra. Murphy."

Quanto ao sexo, Campbell disse: "Acho que qualquer um que vote em Lois Murphy por ser mulher votaria nela pelo simples fato de ser a candidata democrata."

Nas últimas semanas, os comitês de Gerlach e Murphy vêm promovendo planos éticos e discutindo quem é verdadeiramente comprometido com a causa.

Linda DiVall, que há muito faz pesquisas de opinião para republicanos e trabalhou para muitas candidatas, observa que os estereótipos são uma faca de dois gumes. Por exemplo, as mulheres são muitas vezes consideradas vulneráveis em segurança nacional, disse DiVall, o que pode ser problemático depois de 11 de setembro. Lake, que faz pesquisa para os democratas, disse que as vantagens do gênero (como honestidade) e desvantagens (competência em política externa) se tornaram mais marginais.

As mulheres "não são mais tão novas" na política, disse Lake.

Os republicanos têm algumas candidatas de alto perfil concorrendo ao Congresso neste ano, como Martha Rainville, que deixou o cargo de General da Guarda Nacional de Vermont para tentar a vaga da Câmara de seu Estado.

Mas há mais candidatas democratas, o que faz parte de uma tendência antiga, de acordo com Kathleen Dolan, cientista política e autora de "Voting for Women: How the Public Evaluates Women Candidates" (votando em mulheres: como o público avalia candidatas).

Entre as democratas mais importantes deste ano estão: Diane Farrell, desafiando o deputado Chris Shays, em Connecticut; Gabrielle Giffords e Patty Weiss, competindo pela nomeação democrata para a vaga de Tucson, Arizona; Patricia Madrid, procuradora-geral do Novo México, desafiando a deputada Heather Wilson; Duckworth, veterana da Guerra no Iraque, tentando o cargo por Chicago; Francine Busby, concorrendo ao assento da Califórnia vago depois da condenação por suborno do ex-deputado Duke Cunningham, e Murphy, desafiando Gerlach na Pensilvânia.

A rede Emily's List, que em geral recomenda candidatas mulheres aos seus 100.000 membros -e apóia o direito ao aborto, tem uma lista muito maior de concorrentes à Câmara neste ano do que nas últimas eleições. Segundo os candidatos, quem é recomendado pela lista, cujos membros foram responsáveis por doações de US$ 10 milhões (em torno de R$ 22 milhões) em 2004, recebem um grande impulso na campanha. Deborah Weinberg

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