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26/03/2006

Volkswagen Passat: procuram-se motoristas descomprometidos

The New York Times
Cheryl Jensen

Em Blissfield, Ohio
Se alguma vez a Volkswagen precisou de um herói, é agora. As vendas caíram e o carro de luxo Phaeton foi um fracasso. Pior, a imagem da VW levou uma surra de motores amarrados, ignições defeituosas e baixos índices de confiabilidade.

The New York Times 
O Volkswagen Passat, que cresceu em tamanho e preço
Todos esses erros, e vários outros, deram ao novo Passat uma chance de entrar em cena e salvar a história. Mas enquanto a Volkswagen afirma ter carregado o sedã redesenhado com 120 "características de engenharia alemã" -- desde faróis que giram nas curvas até um porta-guarda-chuva com ralo -- os entusiastas estão achando que algo mais importante foi esquecido.

Um sedã de engenharia alemã como o Passat deveria unir o motorista à
estrada, o que esse carro não faz.

Comparado com o Passat da última geração, um veículo prático com
comportamento impecável na estrada, a mudança é notável. Embora o novo carro tenha outras virtudes, seu sucesso vai depender de os consumidores aceitarem o fato de que agora é muito menos um carro para pilotar.

Com base em meu apreço pelo Passat da última geração, eu estava ansioso para passar um fim de semana com os novos modelos. Mas acabei perguntando: "O que aconteceu com o 'Fahrvergnuegen'?" Muitos anos atrás, o departamento de marketing da VW nos disse que essa era a palavra para "prazer de dirigir", e que era um equipamento padrão em todos os VW.

Quem ou o quê é o culpado? A direção é uma delas. Assim como o último Passat, o novo carro tem um sistema de direção de cremalheira e pinhão. Mas enquanto o sistema anterior, de controle hidráulico, dava a sensação de segurança, bem balanceado e previsível, a nova unidade elétrica parece insensível.

Acredito que muitos proprietários de VW, que passaram a esperar carros
divertidos de dirigir, vão querer mais. Além disso, o novo acelerador
eletrônico dá uma sensação frouxa, desconectada, que às vezes pode resultar em trancos na saída.

O Passat tem seus atrativos, a começar pela transmissão. O carro finalmente recebeu um motor que não é compartilhado com o Audi, um irmão corporativo da marca VW, e este novo V-6 de 3.6 litros impressiona. Com 280 cavalos a 6.200 rpm (e 37 quilos-metro de torque a 2.750 rpm), o V-6 produz um poder comparável ao do Passat W8 de 8 cilindros, que teve vida curta.

Só uma transmissão vem com o motor de 3.6 litros, uma Tiptronic de seis
marchas que permite câmbio manual. É uma combinação maravilhosa de
motor-transmissão. Com seis marchas à frente e todo o torque facilmente
acessível -- o que você sente quando avança depois de um farol vermelho --, o Passat está pronto para abalar sob o comando do motorista. O consumo é calculado em 7,6 km/litro na cidade e 11,4 na estrada.

Há uma alternativa mais econômica: o motor básico é um 2 litros em linha 4 classificado em 200 cavalos e 28,6 quilos-metros. Vem com câmbio manual de seis marchas ou opcional Tiptronic de seis marchas. A classificação de consumo é 9,7 km/l na cidade e 13,5 km/l na estrada.

Meu carro de teste, um Passat 3.6, tinha o pacote opcional esportivo, não
disponível para os carros de 4 cilindros, que inclui bancos esportivos,
botões de controle na direção, rodas e pneus de 17 polegadas (em vez de 16) e uma suspensão mais dura e um pouco mais baixa.

Tudo isso fez o 3.6 parecer mais animado nas estradas sinuosas do que o 2.0 com suspensão "de luxo". Dirigindo depressa no trecho de curvas em duas pistas da Route 60 que passa por esta cidade no centro de Ohio, o 3.6 pareceu mais firme, com movimentos de corpo mais controlados e uma suspensão mais rápida para equilibrar depois de lutar com o asfalto.
É claro, nada é de graça -- o passeio também foi mais áspero. E por causa da direção sintética o motorista não se sentiu como um participante pleno.

O comportamento esportivo do Passat antigo também era, em parte, produto de seu tamanho, um pouco menor que a maioria dos concorrentes. O novo carro tem 7,5 centímetros a mais de comprimento e o mesmo de largura, e 6 cm de espaço a mais para as pernas dos passageiros atrás. (Mas o porta-malas perdeu quase 28 litros de capacidade.) A Volkswagen diz que o Passat não perde mais em comparações detalhadas com concorrentes como o Toyota Camry, Honda Accord, Nissan Maxima e Acura TL.

E também o VW Jetta redesenhado cresceu em 2006, por isso o Passat precisava tornar-se maior para manter sua vantagem relativa. Mas eu ficaria feliz se o Passat simplesmente tivesse se recusado a crescer, como Peter Pan.

Embora eu não me entusiasme com o novo interior, ele parece um pouco melhor que o do Accord e o do novo Camry 2007. Achei o acabamento em imitação de fibra de carbono mais agradável que a versão em madeira, que me lembrou o velho Oldsmobile do meu pai.

Embora a estrutura do Passat seja marcantemente sólida, muito ruído do vento chegava ao interior do carro. Um 2.0T Value Edition custa a partir de US$ 23.565 e o 3.6, de US$ 30.565. Mas as opções encarecem. Meu carro de teste 2.0 custava US$ 31.565, e o 3.6 US$ 36.410. As versões com tração nas quatro rodas podem passar de US$ 40.000.

É caro, comparado com os maiores sucessos entre os sedãs médios. Os preços básicos do Camry 2007 vão de US$ 18.850 a US$ 28.100, e os Accord custam de US$ 18.775 a US$ 29.850 -- para um carro com quase tudo, incluindo sistema de navegação. O Passat na verdade tem preço mais próximo do Acura TL, que começa em US$ 33.940, bem equipado.

Todos os Passats têm uma série impressionante de equipamentos de segurança: freios antitrava; airbags frontais, laterais e de cortina lateral, monitores de pressão dos pneus e encostos de cabeça ativos, que protegem contra lesões cervicais.

O Passat da última geração era um carro difícil de imitar. Apresentado aos americanos como um modelo 1998, foi o VW de tamanho médio de maior sucesso da marca, com vendas médias de mais de 75 mil por ano. Mas todo veículo tem de ser refeito, e enquanto o novo Passat ganhou muito também perdeu alguma coisa. O carro antigo era leve, ágil e especial, enquanto o novo é muito convencional.

Entendo por que a Volkswagen achou que o Passat precisava crescer, mas
gostaria que não tivesse mexido tanto com o sucesso. Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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