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29/03/2006

Bush substitui chefe de gabinete por outro antigo assessor

The New York Times
David E. Sanger

Em Washington
O presidente Bush substituiu seu chefe de gabinete, Andrew H. Card Jr., por outro antigo assessor leal na terça-feira, uma medida que dificilmente atenderá aos pedidos de dentro de seu próprio partido de sangue novo para tratar dos problemas do governo.

Ao se voltar para Joshua B. Bolden, seu diretor de orçamento, para novo chefe de gabinete, o presidente permaneceu dentro do que um associado próximo chamou de "círculo de conforto" e ao que os críticos de Bush consideram um mundo fechado que tolera pouca dúvida ou dissensão. Bolten trabalhou para George Bush pai em comércio internacional e ocupou uma série de cargos políticos importantes para George W. Bush desde 1999, quando Bush deu início à campanha para a Casa Branca.

A Casa Branca deixou aberta a possibilidade de que Bolten, por sua vez, substituiria outros membros importantes do pessoal.

A mudança, apesar de incremental, ocorreu em um momento crítico na
presidência de Bush e, em uma Casa Branca notável pela estabilidade do alto escalão, marcou ao menos uma alteração simbólica. Com os números de pesquisa de Bush nos níveis mais baixos, sua agenda emperrada, seu partido não mais o apoiando e a guerra no Iraque ofuscando quase tudo o que ele faz, o presidente tem estado sob pressão para dar nova energia e direção ao seu governo.

A troca de Bolten por Card assinalou um possível começo para atingir tais metas, mas deu pouca indício sobre se mudanças mais substantivas ainda ocorrerão.

Em entrevistas e declarações públicas, os assessores de Bush disseram que o presidente aceitou a saída de Card com relutância e que se houver mudanças na política com a chegada de Bolten, elas serão graduais.

"O estilo do presidente não é Massacre da Noite de Sábado", disse um alto funcionário da Casa Branca na noite de terça-feira, uma referência à série de demissões de Richard M. Nixon durante o escândalo de Watergate. Mas o funcionário insistiu que Bolten "recebeu plena autoridade" para mudar o pessoal da Casa Branca se achar necessário.

Ao ser perguntado na terça-feira em uma entrevista para a CNN Espanhol sobre se mais mudanças estariam a caminho, Bush respondeu: "Josh está começando a olhar a estrutura da Casa Branca. E eu ainda nem tive chance de conversar com ele sobre o futuro".

Outros funcionários disseram que ficariam surpresos se a medida prenunciasse qualquer grande mudança de política no Iraque, administração da economia ou outros elementos da agenda doméstica. Pessoas próximas de Bush disseram que ele deliberadamente escolheu uma pessoa de dentro com entendimento de como esta Casa Branca atua, mesmo sob risco de enfurecer os membros republicanos do Congresso que têm acusado a Casa Branca de não consultá-los suficientemente, assim como de cometer erros crassos na resposta ao furacão Katrina, na indicação de Harriet E. Miers para a Suprema Corte e na forma como lidou com o esforço de Dubai para assumir a administração de uma série de terminais portuários nos Estados Unidos.

"As diferenças entre Andy Card e Josh Bolten são marginais", disse Donald Evans, o ex-secretário de comércio e um dos mais amigos mais próximos de Bush. "Josh é alguém que o presidente conhece bem e que sabe como ele atua. Ele já chega entrosado e trabalhando, que é o que o presidente deseja. Assim como qualquer executivo-chefe, ele quer promover pessoas de dentro."

Mas isto pode não atender aos republicanos que têm pedido por uma mudança por atacado. Bolten, apesar de não fazer parte do grupo do Texas que tem dominado a Casa Branca, tem a mão em quase todas as grandes iniciativas domésticas. E apesar de ter pouca experiência em questões de segurança nacional nas quais o destino político de Bush provavelmente dependerá, ele é respeitado entre os republicanos do Capitólio, onde o presidente tem tido dificuldade em manter o partido unido.

Karl Rove, que atua tanto como estrategista político chefe de Bush quanto vice-chefe de gabinete para política, mantém seus cargos, apesar da persistente incerteza pública sobre se ele será indiciado na investigação do vazamento do nome de uma agente da CIA. No papel, o cargo político de Rove o torna subordinado de Bolten, que teve o mesmo cargo durante o primeiro mandato de Bush, apesar de, na prática, Rove ter poucos rivais em influência e amplitude de currículo, especialmente com a saída de Card. Um ex-funcionário da Casa Branca disse que "é difícil imaginar os dois atuando em conjunto", mas notou que Rove e Card conseguiram trabalhar juntos, apesar da desconfiança.

Em uma breve cerimônia no Escritório Oval, Bush disse que Card, um
republicano de Massachusetts que parecia cansado e emotivo enquanto
permanecia ao lado do presidente, o abordou e "levantou a possibilidade de deixar o cargo". Funcionários da Casa Branca disseram que Card levantou a possibilidade em 8 de março, pouco depois da Casa Branca ter sido pega de surpresa pela ferocidade da revolta republicana com a controvérsia envolvendo Dubai. Este foi o mais recente de uma série de casos nos quais os republicanos se queixaram de que a Casa Branca estava lenta em notar a aproximação de problemas, e Card disse repetidas vezes que se os funcionários da Casa Branca cometeram erros, "estes devem ser direcionados para mim". Bush tomou a decisão final no último fim de semana em Camp David, disseram assessores.

"Ele achou que poderia ser hora de voltar à vida privada", disse Bush sobre seu assessor de longa data, que serviu por mais tempo do que qualquer outro chefe de gabinete da Casa Branca com exceção de Sherman Adams, que trabalhou para Dwight D. Eisenhower de 1953 a 1958.

Apesar de quase não ser visto em público, Card foi um dos membros mais
importantes da equipe de Bush, chegando às 5h30 de cada manhã para organizar a agenda do presidente, agindo como porteiro do Escritório Oval e prestando conselhos. Ele nunca buscou os holofotes, dizendo poucos meses atrás no canal C-Span: "Eu estou muito à vontade com a realidade de que sou um funcionário. Sou apenas um funcionário". Há um ano ele disse para um repórter que "o maior erro que você pode cometer neste cargo é se confundir como sendo um dos melhores amigos do presidente".

Mas claramente havia um laço entre os dois homens, forjado de muitas formas na manhã de 11 de setembro de 2001, quando Card sussurrou no ouvido de Bush, em uma escola primária em Sarasota, Flórida, de que um segundo avião tinha atingido o World Trade Center e que "a América está sob ataque".

Bush se lembrou daquele dia na terça-feira, mas também elogiou Card, citando "feitos legislativos do ensino ao Medicare (o plano público de saúde para idosos)", a confirmação bem-sucedida de dois juízes da Suprema Corte e a resposta aos ataques de 11 de setembro.

Bolten começará a trabalhar em 15 de abril, mantendo um trajeto constante rumo ao centro do círculo interno de Bush. Desde 1999, após ter deixado um alto cargo no banco de investimentos Goldman Sachs, em Londres, Bolten foi o diretor de política da campanha de Bush em 2000. Ele serviu como vice-chefe de gabinete de Card de 2001 a 2003 e desde então tem sido o diretor de orçamento.

Bush elogiou Bolten na terça-feira como "um homem com ampla experiência, tendo trabalhado no Capitólio, em Wall Street e na Casa Branca", o descrevendo como sendo respeitado pelos membros do Congresso de ambos os partidos. Bolten é formado pela Universidade de Princeton, pela Escola Woodrow Wilson de Assuntos Públicos e Internacionais e pela Escola de Direito de Stanford.

Apesar da maioria dos republicanos ter aprovado a mudança, vários deixaram claro que não acreditam que tenha ido longe o bastante. "Eu sou um dos que dizem que precisamos de sangue novo, mais pessoas de estatura na Casa Branca", disse o senador Trent Lott, republicano do Mississippi, na Fox News.

Até agora, Bolten não tem sido um participante importante na política do Iraque, exceto por elaborar os orçamentos tanto para a presença militar americana lá quanto para a reconstrução. Mas agora ele sem dúvida se tornara um participante importante nos debates dentro da Casa Branca sobre como Bush começará a retirar as tropas americanas. Como parte de seu trabalho, ele peneirará a inteligência destinada a Bush e participará de muitas das reuniões sobre o Iraque na Sala de Situação. Mas a tarefa de retirar as tropas de lá ao longo do próximo ano continuará principalmente nas mãos dos secretários que servem Bush há mais tempo e que agora superam Card: o secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, e a secretária de Estado, Condoleezza Rice, entre outros. George El Khouri Andolfato

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