UOL Notícias Internacional
 

31/03/2006

Repórter americana é libertada após meses de cativeiro

The New York Times
Kirk Semple

em Bagdá, Iraque
Jill Carroll, a repórter americana que foi seqüestrada em Bagdá cerca de
três meses atrás, foi libertada na quinta-feira, e disse que foi mantida em um pequeno quarto durante seu cativeiro e que foi bem tratada por seuscaptores.

Carroll, 28 anos, foi abandonada em um bairro no leste de Bagdá ao meio-diae caminhou até os escritórios próximos do Partido Islâmico Iraquiano, um grupo político islâmico, vestindo os trajes regionais tradicionais de lenço de cabeça islâmico verde claro e manto cinza.

Em uma entrevista realizada lá e exibida pela TV "Bagdá", uma rede local, Carroll disse não ter sido ferida por seus captores. "Eu fui muito bem tratada, é importante que as pessoas saibam disto", ela disse enfaticamente. Ela acrescentou: "Eles nunca me ameaçaram de forma alguma".

Centenas de estrangeiros e milhares de iraquianos foram seqüestrados desde a invasão em 2003, mas nenhum seqüestro atraiu o tipo de cobertura
internacional como o de Carroll. Ela é a única mulher americana que foi
seqüestrada no Iraque e, segundo sua família, estava lá motivada pelo desejo de divulgar as dificuldades enfrentadas pelo povo iraquiano. Esta história de coragem e empatia pareceu conquistar a imaginação do público.

Além disso, o apuro dela sensibilizou muitos dos jornalistas aqui em Bagdá que realizaram a cobertura e para os quais o seqüestro se tornou uma das maiores ameaças.

As circunstâncias da libertação de Carroll continuam desconhecidas. O
embaixador americano no Iraque, Zalmay Khalilzad, disse em uma coletiva de imprensa aqui que nenhuma autoridade americana no Iraque "entrou em qualquer acordo com ninguém" para assegurar a libertação de Carroll. Ele disse que Carroll não foi formalmente inquirida pelas autoridades americanas.

Richard Bergenheim, o editor do "The Christian Science Monitor", o jornal para o qual Carroll estava trabalhando na época de seu seqüestro, disse que não houve nenhuma "negociação para a libertação dela".

Carroll, uma jornalista freelance, foi seqüestrada em 7 de janeiro no leste de Bagdá enquanto deixava o escritório de Adnan Dulaimi, um político árabe sunita linha-dura que tentava entrevistar. O intérprete dela, Allan Enwiyah, 32 anos, morreu baleado no local.

Nas semanas que se seguiram, seus captores divulgaram três vídeos, que a
mostravam em aflição cada vez maior. Os seqüestradores, que chamavam a si mesmos de Brigada da Vingança, divulgaram uma declaração por uma emissora de televisão kuwaitiana, em fevereiro, exigindo que os americanos e iraquianos libertassem todas as mulheres presas até 26 de fevereiro ou Carroll seria morta.

O prazo dos seqüestradores passou e não houve mais notícias de Carroll. Em 28 de fevereiro, o ministro do Interior do Iraque disse para a "ABC News" que Carroll ainda estava viva, que ele sabia quem a tinha seqüestrado e que acreditava que ela seria libertada em breve.

Durante sua entrevista para a TV "Bagdá" na quinta-feira, Carroll disse não saber o motivo de ter sido seqüestrada, sugerindo que seus captores não lhe disseram que estava sendo usada como moeda de troca por prisioneiras.

"Eles não me disseram o que estava acontecendo", ela disse.

Ela disse que foi quase totalmente isolada do mundo exterior. Ela não sabe onde foi mantida e disse que seu quarto tinha uma janela, mas que tinha sido escurecida. Ela foi bem alimentada por seus captores e era autorizada a usar o chuveiro e ir ao banheiro sempre que quisesse. Ela conseguiu apenas uma vez assistir televisão e ver um jornal. "Eu realmente não sabia o que se passava no mundo exterior", ela disse.

Sua libertação, ela disse, foi tão misteriosa quanto sua captura. "Eu não sei o que aconteceu", ela disse. "Eles apenas vieram e me disseram: 'OK, nós vamos deixar você ir agora'."

Tariq Al Hashemi, o secretário-geral do Partido Islâmico Iraquiano, disse em uma coletiva de imprensa que Carroll entrou no escritório e entregou aos funcionários um papel escrito em árabe.

"A mensagem dizia: 'Esta é a jornalista americana seqüestrada e nós pedimos que você a leve até um partido oficial'", disse Al Hashemi.

Hashemi disse que Carroll já tinha entrevistado líderes do partido, mas que ele não sabia o motivo de a terem entregue na sede do partido. Ele foi um dos vários políticos iraquianos proeminentes que fizeram repetidos apelos por sua libertação.

A irmã gêmea dela, Katie, disse em uma declaração lida da rede de televisão "Al Arabiya", na quarta-feira: "Eu estava vivendo um pesadelo, preocupada se ela estava ferida ou doente".

Os líderes do Partido Islâmico contataram as autoridades americanas assim que ela chegou e um comboio de veículos militares americanos a conduziu até a embaixada americana na altamente fortificada Zona Verde.

"Tudo o que posso dizer agora é que estou muito feliz", disse Carroll na
entrevista para a televisão. "Eu estou feliz por estar livre e quero estar com minha família."

Carroll viajou para o Oriente Médio em 2002 com o sonho de cobrir a guerra. No "American Journalism Review" no ano passado, ela escreveu que se mudou para a Jordânia seis meses antes da guerra "para aprender o máximo possível sobre a região antes do início do combate".

Cerca de 430 estrangeiros foram seqüestrados no Iraque desde abril de 2003 e quase 50 deles eram americanos, segundo um funcionário americano que trabalha estreitamente com o Grupo de Trabalho de Reféns, uma força-tarefa interagências baseada na embaixada americana em Bagdá.

Treze americanos, todos supostamente seqüestrados, ainda estão
desaparecidos, segundo o funcionário, acrescentando que a maioria é
iraquiano-americano.

Apesar do seqüestro de cidadãos estrangeiros freqüentemente receber ampla cobertura da imprensa, o seqüestro de iraquianos praticamente não é noticiado, apesar de refletir mais acentuadamente o grau de falta de lei no Iraque.

Entre 10 e 20 iraquianos são seqüestrados diariamente, a maioria para ganho financeiro, segundo o funcionário americano. A maioria é libertado após o pagamento do resgate, que é em média entre US$ 20 mil e US$ 30 mil, acrescentou o funcionário.

Bergenheim, o editor do "The Christian Science Monitor", destacou o problema maior durante uma coletiva de imprensa do lado de fora da sede do jornal, em Boston, dizendo que "o mundo não ouve a voz" dos iraquianos seqüestrados.

"Eu estou realmente grato por ela ter sido libertada", disse Bush, falando aos repórteres em Cancún, México, onde está se preparando para encontrar com os líderes do México e do Canadá.

Mais violência ocorreu no Iraque na quinta-feira. Bombas caseiras explodiram em Kirkuk e Bagdá, matando duas pessoas e ferindo 10, disseram policiais. Na cidade de Basra, ao sul, um advogado proeminente foi morto a tiros no centro da cidade, segundo a polícia.

O comando militar americano anunciou na quinta-feira que um soldado
designado para o 9º Regimento Naval de Construção, em Anbar, morreu devido aos ferimentos que sofreu na quarta-feira, durante um confronto com os rebeldes. George El Khouri Andolfato

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