UOL Notícias Internacional
 

05/04/2006

Fronteira da insanidade

The New York Times
John Tierney
colunista
Esta é uma edição especial de "Lou Dobbs Tonight", notícias, debate e opinião. Ao vivo de Pyongyang, Coréia do Norte, Lou Dobbs:

Boa noite da Coréia do Norte. Nós tivemos que atravessar meio mundo, mas finalmente temos boas notícias para os trabalhadores e trabalhadoras da América furiosos com a imigração ilegal. Nesta noite, você acompanharão nossa reportagem exclusiva de uma nação que orgulhosamente chama a si mesma de Reino Eremita.

Mas primeiro, mais más notícias de Washington. Apesar de minha viagem
pessoal a Cancún para o encontro de cúpula da semana passada, o presidente Bush continua refém dos interesses estrangeiros. Minha audiência em alta aparentemente não significa nada para a Casa Branca ou para os republicanos no Senado que estão trabalhando em um plano de anistia para os imigrantes ilegais que atualmente carregam bandeiras mexicanas em nossas ruas.

A pesquisa de opinião desta noite trata destes manifestantes e de onde obtêm seu dinheiro. Enquanto estes reconquistadores planejam tornar a Califórnia uma província do México, será que fizeram um acordo secreto para entregar o porto de Los Angeles para uma empresa árabe? Votem no site loudobbs.com. Mais tarde teremos suas respostas.

Um relatório divulgado hoje refuta as alegações de que a economia americana se beneficia com a imigração e o livre comércio. É claro, nossos espectadores já sabem que se trata de um mito. Mas talvez estes números arrancarão os óculos rosados de uns poucos chamados economistas
majoritários. O novo relatório, do Instituto Minuteman* de Análise de
Pesquisa, mostra que as estimavas anteriores de custo-benefício ignoraram três fatores cruciais:

-Desde que o Acordo de Livre Comércio da América do Norte abriu a fronteira, a importação de massa de tortilla barata agravou a epidemia de obesidade americana em 215 milhões de quilos.

-O casamento entre imigrantes e americanos deverá reduzir a altura projetada do futuro trabalhador médio, levando a uma queda de 2,4% na renda potencial.

-Os americanos perdem 38,7 bilhões de minutos de tempo de trabalho produtivo por década aguardando as instruções por telefone de "disque 2 para espanhol".

Acrescente estes custos e a perda líquida para a economia americana é de US$ 4,3 trilhões. Eu não tenho como repetir isto o bastante: não há nada de livre no livre comércio.

Ninguém entende isto melhor do que nossos anfitriões aqui na Coréia do
Norte, o país mais economicamente independente do mundo. Eles conhecem os riscos do trabalho imigrante e dos bens estrangeiros. "Compre norte-coreano" é mais do que um slogan aqui. A terceirização é proibida.

Como eles permanecem fortes? Vamos descobrir com o líder militar
norte-coreano encarregado da segurança na fronteira. Obrigado por se juntar a nós, general -me perdoe, mas poderia pronunciar seu nome para nossos espectadores?

Não.

Não?

Isto é um assunto interno.

Certo. Vamos falar sobre algo que não é segredo: a diferença entre nossas fronteiras. Anualmente centenas de milhares de mexicanos atravessam a fronteira americana. Quantas pessoas atravessam sua fronteira sul a cada ano?

Aproximadamente zero.

Eu acredito. Eu certamente não vi nenhuma bandeira sul-coreana nas ruas
hoje. Nós não obtivemos nada a não ser olhares confusos quando perguntamos sobre locais de contratação de trabalhadores imigrantes. O que os impede? A fronteira é toda cercada?

Ha duas cercas atravessando a Zona Desmilitarizada. Também milhares de
sistemas de artilharia e minas terrestres.

Quem me dera você pudesse informar o presidente Vicente Fox do México e os membros do Congresso. Eu aposto que eles nunca pensaram em minas
terrestres -bem, talvez Tom Tancredo. E vocês também contam com 700 mil
agentes de fronteira?

O número de soldados é confidencial.

Mas o que interessa é, a mensagem que nossos derrotistas em casa precisam ouvir, é que com determinação suficiente é possível selar a fronteira. Ninguém está cavando túneis sob suas cercas, certo?

Na verdade, alguns poucos cavaram túneis.

Mas você disse que virtualmente não ocorreram travessias.

Nesta direção. Alguns de nossos cidadãos fugiram para o sul.

Mas o que poderiam estar procurando? Vocês têm uma economia auto-suficiente.

Há casos isolados de ilusão mental. Eles acreditam nas histórias de lugares onde os trabalhadores são donos de seus próprios telefones e bicicletas -até mesmo carros. ((Risos.)) Felizmente, nós prendemos a maioria deles.

Bem, da próxima vez que você pegar um, eu tenho algo que você pode
compartilhar com ele. Eu gostaria de lhe presentear com uma cópia do meu livro, "Exportando a América".

Um livro estrangeiro? Não, obrigado.

Um homem de princípios. Eu respeito isto, general.

A seguir, uma visita aos melhores restaurantes de Pyongyang, onde vocês não encontrarão nenhuma enchilada -ou ajudantes de garçom mexicanos. No próximo bloco nós acabaremos com o mito de que há alguns trabalhos que os norte-coreanos não farão.

*(Minutemen: milícia formada por civis e militares da reserva para
vigilância do deserto do Arizona, para combate à imigração ilegal.) George El Khouri Andolfato

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