UOL Notícias Internacional
 

09/04/2006

Há vida depois de 'American Idol'?

The New York Times
Dave Itzkoff
Em Levittown, Nova York
Kevin Covais, conhecido por milhões de telespectadores como Galinho Chicken Little, estava andando impacientemente por um escritório do colégio daqui, esfregando as mãos em expectativa. Na semana anterior ele tinha sido eliminado do programa "American Idol", trocado farpas com o jurado Simon Cowell, zombado com Regis Philbin em "Live With Regis and Kelly", brincou com Jimmy Kimmel em seu programa de fim de noite e cantou sua canção mais famosa, uma interpretação gorjeante do standard pop "When I Fall in Love", no programa "Today".

Agora Covais, um aluno CDF de 16 anos do segundo colegial da Island Trees High School, estava prestes a enfrentar uma platéia composta por amigos e colegas de escola que não via nos quase três meses em que competiu em "American Idol" e estava tentando se manter calmo. Com faixas, balões e cartazes escritos à mão, centenas de colegas de escola, juntamente com parentes, amigos e câmeras de televisão de todo o país estavam reunidos no ginásio da escola para uma comemoração de boas-vindas.

"Eu achei que apenas voltaria, as pessoas me cumprimentariam e seria tipo, 'Legal, legal'", disse o jovem, que estava vestindo uma camisa de risca fina desabotoada e um par branco de tênis Penguin. "Eu não esperava um Dia Kevin Covais."

Desde janeiro, semana após semana, dezenas de milhões de fãs de "American Idol" assistiram o adolescente de óculos (que pronuncia seu nome co-vei-us) acumular uma série improvável de vitórias. Esguio, de língua afiada e rosto cor de pêssego, ele podia ser encantador, doce e irritante. "As pessoas têm todo o direito de não gostar de mim", ele disse, "mas cheguei onde cheguei. Eu tinha uma motivação e a segui."

Ele curtiu a adulação dos fãs (o voto das avós, como disse Cowell) e desfrutou de seu apelido de Galinho Chicken Little (por sua semelhança com o personagem de desenho animado da Disney), dado a ele por uma concorrente, Paris Bennett. Mas em 22 de março sua sorte acabou. Ele foi eliminado pelos votos de espectadores de todo o país provocando vaias de decepção do público presente no estúdio.

Mas perder em "American Idol" não é igual a perder em qualquer outro reality show. Às vezes em "Idol" os candidatos são tão memoráveis quanto os vencedores. Em sua quinta temporada, o programa está fazendo ainda mais sucesso do que em anos anteriores, arrasando tudo em seu caminho. A cada semana ele supera seus próprios recordes de audiência, atraindo em média 30 milhões a 35 milhões de espectadores às terças-feiras, quando os candidatos competem, e um pouco menos às quartas-feiras, quando são eliminados um a um por votação.

No final da temporada, em maio, além de todos os adornos do estrelato pop, o vencedor receberá um contrato de gravação e agenciamento com a 19 Entertainment, a empresa de Simon Fuller, que criou "American Idol".

Os vencedores podem esperar um sucesso ainda maior a seguir. Em fevereiro, a campeã da primeira temporada, Kelly Clarkson, conquistou dois Grammys por seu álbum solo "Breakaway" e seu sucesso "Since U Been Gone". Mesmo ex-participantes como Clay Aiken, cujo trajeto iniciado com a participação em "Idol" já o levou até um álbum que já recebeu dois discos de platina, podem se dar bem. Mas para cada participação memorável sem vitória, há um Justin Guarini, que concorreu com Clarkson, que está marchando diretamente para o esquecimento.

Ao seu modo, Kevin Covais pode acabar se tornando o candidato do qual as pessoas se lembrarão desta temporada de "Idol". Um garoto legal cujas interpretações favoreciam baladas adultas de soul music como "One Last Cry", de Brian McKnight, e "I Heard It Through the Grapevine", de Marvin Gaye, ele se gabava sarcasticamente de que era o símbolo sexual do programa.

"Eu sempre senti que o programa o estava vestindo em um uniforme de marinheiro", disse Joe Reid, que escreve resumos de 'American Idol' para o site de televisão TelevisionWithoutPity.com. "Ele era um garoto que interpretava para os amigos de seus pais porque tinha uma voz realmente especial. Me assustava um pouco."

Mas apesar dos modos meigos e suaves de Covais, ele não é bobo. Quando o azedo Cowell zombou de sua interpretação de "Part Time Lover" de Stevie Wonder como "apavorante", Covais retrucou rapidamente, "eu não esperava muito de você mesmo". Ele também estava ciente de que talvez tivesse mais detratores do que qualquer outro candidato no programa.

"Eu declarei um fatwa musical contra Kevin Covais: detenham-no antes que ele cante de novo", dizia um dos comentários mais contidos contra ele em um blog no endereço phillyBurbs.com. Outro site, Votefortheworst.com, encorajava os espectadores a apoiá-lo na esperança de sabotar o sucesso de "American Idol".

Mas Covais foi rápido em apontar que também tem um grande número de simpatizantes: guardiões autonomeados que chamam a si mesmos de Covies. "Eu sei que era uma das pessoas que o público mais detestava", ele disse em uma entrevista para este artigo na segunda-feira. Mas "para cada pessoa que escrevia comentários negativos a meu respeito na Internet, havia 10 outras que votavam em mim".

Mesmo entre os estudantes de sua escola, que acompanhavam cada passo dele e que telefonavam para votar nele até 20 vezes por semana, ele é uma figura polarizadora.Há colegas que o admiram por ter enfrentado um grupo de rivais consideravelmente mais velhos: incluindo o galã de 25 anos, Ace Young, e Taylor Hicks, de 29 anos.

E há estudantes que dizem que estavam começando a sentir uma fadiga de Kevin Covais. "No início era 'Kevin está na TV!' E então começou a cansar", disse Marc Menzies, 17 anos, um aluno do terceiro colegial que o conhece desde que participaram juntos de uma montagem de "Grease" no ginásio. "Era tipo, 'Ok, Kevin está lá, agora vou preparar meu jantar."

Na festa de boas-vindas da escola em 31 de março, ele parecia satisfeito em ser um sujeito pequeno com visibilidade em um mundo pequeno --supostamente o artista mais famoso a surgir em Island Trees desde que Eddie Money se formou nos anos 60--enquanto era coberto de tributos de professores, diretores, representantes dos políticos locais e da equipe de robótica de sua escola.

Mas não foi apenas um evento local. O programa de celebridades "Access Hollywood"estava lá e gravou a festa para ser exibida em 4 de abril. Covais permaneceu depois da festa para dar autógrafos para uma grande multidão de garotas que se aglomeravam ao seu redor, enquanto os garotos tiravam fotos dele de longe com as câmeras de seus celulares. Enquanto os estudantes se dispersavam e a equipe de badminton começava a armar suas redes, um grupo de garotas convidou Kevin a sair com elas para tomar sorvete. Mas o programa teria que ser breve: ele voaria à tarde para a Flórida para gravar uma participação no programa de entrevistas de Ellen DeGeneres na manhã seguinte.

Em 3 de abril, Covais estava descansando no sofá da sala de estar da casa de seus avós em Westbury. Desde a primeira temporada de "American Idol", quando ele estava na sexta-série, ele já era fã do programa, e após anos de papéis nas peças de teatro, musicais e concertos de coral da escola, ele participou de seu primeiro teste para "Idol" em agosto, em Boston, juntamente com 10 mil outros candidatos. Dois meses depois, em um segundo teste em Boston, ele soube que era um dos 185 candidatos escolhidos para a competição em Hollywood.

Antes de o programa começar a ocupar sua vida, ele pensava em estudar música ou jornalismo em uma faculdade estadual próxima, mas agora sua mente está voltada para sua carreira imediata pós-"Idol". "Eu adoraria experimentar ser ator", ele disse, "seja na TV ou em um papel no cinema". E se uma gravadora estiver disposta a apostar nele, ele disse, "eu adoraria lançar um álbum o mais breve possível, mas acho que preciso que minha voz amadureça um pouco".

Apesar de "American Idol" ter dado início às carreiras de candidatos jovens demais para assinar contratos sozinhos (mais notadamente Diana DeGarmo, que ficou em segundo lugar no programa quando tinha 16 anos), entertainers com um pouco mais de experiência alertaram que pode ser melhor esperar um pouco antes de buscar as mesmas metas. "Eu acho que sua postura e personalidade foram o motivo dele ter durado tanto em 'American Idol'", disse Kimmel, que apresentou Covais em seu programa no mês passado.

"Vamos ser honestos", disse Kimmel. "Você encontrará 10 cantores melhores em qualquer noite em um bar com karaokê." Covais poderá se sair melhor, ele sugeriu, aparecendo em séries humorísticas de TV. Ou em caso disto fracassar, "eu o enviaria para a Coréia para ser clonado e apresentaria os adoráveis gêmeos Covais para cada produtor de televisão de Hollywood".

Kimberly Caldwell, uma ex-participante que ficou em sétimo lugar na segunda temporada de "American Idol", disse que qualquer candidato jovem deve considerar sua própria maturidade emocional antes de se envolver plenamente com a indústria do entretenimento.

"Eu não tinha idéia aos 21 anos, quando estava no programa, de que sabia exatamente quem eu era", disse Caldwell, uma apresentadora do programa "Idol Tonight" do TV Guide Channel. "Quando você é jovem e está participando daquele programa, é realmente difícil ter uma idéia de si mesmo."

Ainda assim, Covais e seus pais estão otimistas que a exposição nacional que ele recebeu em "American Idol" dará frutos mais cedo que tarde. Durante o programa ele foi representado pela Creative Artists Agency e ele planeja voltar para a Califórnia para ver que ofertas a agência pode ter para ele.

"É o velho ditado de malhar enquanto o ferro está quente", disse seu pai, John Covais, um diretor de segurança de hotel, que juntamente com sua esposa, Patricia, estiveram presentes em quase todas as apresentações do filho em "American Idol". "Nós provavelmente temos alguns meses para tirar o máximo proveito disto. Talvez tenhamos algumas semanas."

O filho elaborou alguns sonhos ambiciosos para si mesmo, incluindo palestras públicas, aumentar a conscientização sobre a diabete (uma doença que ele descobriu ter aos 10 anos) e se tornar um comentarista de esportes na "ESPN".
"As pessoas sabem quem eu sou", ele disse. "Um programa como o 'Sports Center', sem querer ofender, é um programa fantástico, mas não há 35 milhões de pessoas o assistindo a cada noite."

Ele disse que espera que sua fama desaparecerá assim que "American Idol"
coroar seu próximo campeão, em maio. "Assim que houver um vencedor no programa", ele disse, "se não me mantiver diante dos olhos do público -se eu não estiver no Disney Channel ou não for um dos amigos do Galinho Chicken Little na próxima seqüência- ela definitivamente desaparecerá. Mas com sorte as pessoas se lembrarão de mim como um dos destaques da quinta temporada". George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    12h20

    0,10
    3,269
    Outras moedas
  • Bovespa

    12h24

    -0,63
    63.684,27
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host