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09/04/2006

Pequenos, mas saborosos para uma terra de glutões

The New York Times
Cheryl Jensen
Em Needles, Califórnia
Atenção, americanos: isto é um teste. Agora que até o presidente Bush declarou que o país está "viciado em petróleo", e com as vendas de carros híbridos crescendo enquanto as de SUVs (veículos utilitários esportivos) encolhem, surgem novas oportunidades para testar sua disposição a consumir menos gasolina. Agora você pode dirigir a última onda de veículos menores, de baixo consumo, os carros da chamada "classe B" que são populares na maior parte do resto do mundo.

Dois bons exemplos são o Toyota Yaris, que foi lançado nos EUA algumas semanas atrás, e o Honda Fit, que estará nas lojas americanas em 20 de abril. Deixando de lado os preconceitos sobre tamanho, estes dois novos subcompactos não são caixas de tortura como os carros econômicos de ontem.

Não são nem despidos nem sobrecarregados de confortos. São até um pouco estilosos.
Com preços na faixa de US$ 12 mil a US$ 15 mil (de R$ 26 mil a R$ 32 mil), o Fit e o Yaris -- juntamente com o Aveo da Chevrolet, construído na Coréia, o próximo Nissan Versa e os pequenos carros redesenhados da Hyundai e da Kia -- oferecem uma alternativa para os glutões da gasolina, ou simplesmente uma maneira de economizar.

Para conhecer os novos Honda e Toyota, eu e meu marido -- que também é repórter de automóveis -- os dirigimos um depois do outro durante dois dias no sul da Califórnia. Corremos pelas ruas movimentadas de Santa Monica, seguimos as autopistas congestionadas de Los Angeles e pegamos estradas solitárias de mão dupla no Parque Nacional Joshua Tree. À noite disparamos pelas planícies até Needles, perto da fronteira do Arizona, antes de voltar a toda para Los Angeles.

O Fit e o Yaris são novos nos EUA, mas conhecidos em grande parte do resto do mundo. A Honda lançou o Fit no Japão em junho de 2001. Cerca de seis meses depois ele entrou no mercado europeu com outro nome, Jazz. Agora o Fit/Jazz foi remodelado para o mercado americano, aumentando quase 17 centímetros para atender ao padrão de proteção em acidentes. Tetsuya Nomura, o principal engenheiro do carro, disse que a suspensão foi refeita para melhorar o percurso e a direção.

Christopher Jensen/The New York Times 
Fit, da Honda, hatchback com quatro portas

O Fit só tem um estilo de carroceria: hatchback com quatro portas. O Honda, o carro menor e mais barato dos EUA, se situa abaixo do Civic (que aumentou consideravelmente ao longo dos anos). O Fit é quase 50 cm mais curto e 8 cm mais estreito que o Civic, mas é 9 cm mais alto.

Christopher Jensen/The New York Times 
Yaris, da Toyota, hatchbach como duas portas

A primeira geração de Yaris foi vendida na Europa em 1999. Chamado Vitz e Platz no Japão, foi vendido nos EUA como Echo, mas, com sua carroceria antiquada e alta, nunca pegou muito. O modelo 2007 redesenhado é mais longo, mais largo e muito mais estiloso, e tem novas características mecânicas.

Posicionado abaixo do Corolla, o Yaris vem como hatchbach duas portas ou sedã quatro portas. O Yaris hatch é 35 cm mais curto que o Echo e cerca de 50 cm mais curto que o Yaris sedã.

Tanto o Yaris quanto o Fit têm motores de 1.5 litro e 4 cilindros, com o Fit classificado em 106 cavalos e o Yaris, 109. Os dois vêm com câmbio manual de cinco marchas, mas o Fit que testamos tinha opcional automático de cinco marcha; o Yaris tinha automático de quatro marchas.

Os carros têm visual muito diferente. Eu preferi o Yaris, com suas linhas simples, arredondas e tranqüilas. Visualmente, o Fit parece agitado.

Para mim, a vantagem do design do Yaris é no interior. O tecido de fina textura dos bancos do Toyota parece mais sofisticado que o do Honda. Os botões de controles montados no centro do Yaris parecem mais "clean" e modernos que os do Fit, empilhados.

Nos dois veículos, os passageiros da frente ficam um pouco mais altos, oferecendo uma boa visibilidade da estrada pelos padrões dos carros pequenos. Mas as colunas do teto do Yaris impedem a visão por cima do ombro.

Não demorou muito tempo no Fit para perceber que a Honda é um dos poucos fabricantes de automóveis que dominam a arte da direção elétrica, que economiza peso e melhora o consumo de combustível, usando um motor elétrico em vez de uma bomba e mangueiras hidráulicas. Enquanto a direção elétrica geralmente parece leve e insensível, o Fit parecia natural. Ele reagia à menor virada do volante. O carro deu uma sensação de animado e divertido.

O Yaris é mais lento para reagir e parece mais mole e menos ágil em geral, embora seja 102 quilos mais leve que o Fit. Mas o percurso no Yaris foi mais macio, com uma suspensão que isola melhor o motorista dos trancos das imperfeições da pista.

Os dois carros testados tinham rodas e pneus de 15 polegadas, mas o padrão é 14. Testamos o Fit Sport, mas a Honda disse que sua suspensão não foi afinada diferentemente das outras versões.

No que se trata de desacelerar, os pedais de freio dos dois carros são mais macios do que eu gosto, mas me acostumei.

Enquanto os dois têm motores pequenos, sua sofisticação ajuda a compensar o tamanho. Mas algumas vezes, ao entrar numa autopista movimentada ou tentar trocar de faixa eu desejei que os carros tivessem mais arranque. Uma vez na autopista, ambos seguiram tranqüilamente o fluxo do tráfego, entre 120 e 135 km/hora.

O câmbio automático de cinco marchas do Fit é um pouco mais rápido nas mudanças que o de quatro do Yaris. Nosso Fit também tinha uma característica interessante: pazinhas atrás do volante permitem que o motorista troque as marchas manualmente.

Apesar do tamanho, esses hatchbacks são modelos de funcionalidade e flexibilidade. O Fit, com quatro portas, é muito mais fácil de carregar e descarregar que o Yaris de duas.
A Toyota diz que a capacidade de carga dos Yaris hatch e sedã é de 360 litros, mas o espaço do hatch aumenta para quase 730 litros quando o banco traseiro (bipartido) é dobrado. (O banco traseiro também é reclinável e ajustável.)

Esse movimento torna o Yaris muito flexível, mas com o banco traseiro na posição mais avançada só uma criança poderia sentar nele confortavelmente.

Apesar das qualidades do Yaris em muitos sentidos, o Fit é o vencedor em flexiibilidade de espaço e carga. O Honda tem o piso mais baixo, o que ajuda a explicar seu espaço maior (1.189 litros) quando o banco traseiro está dobrado.

O banco traseiro bipartido do Fit funciona de quatro modos, além da posição normal. Os bancos traseiros podem baixar até o chão, criando um espaço de carga plano sem necessidade de remover os apoios de cabeça. O encosto do lado direito pode ser baixado juntamente com o banco do passageiro da frente para criar um espaço longo e plano que pode acomodar objetos de quase 2,5 metros de comprimento. E os assentos dos bancos traseiros podem ser levantados para abrir espaço para objetos altos (até 1,30 metro).

A Honda tem promovido sua iniciativa "segurança para todos", e mesmo o Fit relativamente barato vem com freios antitrava e seis airbags (incluindo cortinas de proteção lateral). Também tem ar-condicionado padrão, vidros, espelhos e travas elétricos; e um sistema de som com CD.

O preço do Fit começa em US$ 14.400, (cerca de R$ 31 mil) frete incluso. O carro de teste Fit Sport era totalmente equipado e custava US$ 16.520 (cerca de R$ 35,5 mil).

A Toyota adota uma abordagem diferente e quase todas as características de segurança são opcionais, o que ajuda a explicar por que o preço básico do Yaris é tão menor. Também significa que as pessoas que talvez não pudessem comprar um Fit podem adquirir um Yaris.

O preço básico do Yaris hatchback é US$ 11.350 (cerca de R$ 24 mil) com câmbio manual (e vidros com manivela).

Nosso Yaris de teste era equipado como o Fit Sport, com o pacote de US$ 1.680 (cerca de R$ 3.600) (travas, vidros e espelhos elétricos e o banco traseiro multifunções); o pacote de airbags de US$ 650 (cerca de R$ 1.400) (bags e cortinas laterais) e freios antitrava de US$ 350 (cerca de R$ 750). O preço total ficou em US$ 15.400 (cerca de R$ 33 mil).

Como os carros pequenos tendem a sofrer em choques com veículos maiores, eu escolheria todos os airbags, especialmente as cortinas de ar. O Instituto de Seguros para Segurança nas Estradas descobriu que em um impacto lateral as cortinas laterais reduzem o risco de morte em cerca de 45%.

A Agência de Proteção Ambiental classificou nosso Yaris em 14,4 km/litro na cidade e 16,5 na estrada. O Fit ficou em 13,1 km/litro na cidade e 15,6 na estrada. Os números para o carro de câmbio manual são ligeiramente mais altos.

Em nosso teste, decidimos seguir o tráfego, em vez de nos esforçar para obter a melhor quilometragem dos carros. Mas quando calculamos nosso consumo real ficou bem próximo das estimativas da EPA: 15,8 km/l para o Yaris e 15 para o Fit, mais pesado, no qual também usamos os comandos de câmbio manual para animar o motor em alguns momentos.

Assim, depois de percorrer 960 quilômetros com cada carro, qual é o melhor?

O Yaris parece mais bem-acabado, é mais confortável em pavimento ruim e parece mais silencioso. Também lhe dou pontos pelo estilo.

Mas o Fit é mais divertido de dirigir e muito mais funcional. Para um carro pequeno, pode carregar muita coisa. Então, se eu tivesse os US$ 1 mil a US$3 mil ( entre R$ 2.150 e R$ 6.450) a mais para gastar, levaria o Fit.

Mas qualquer um deles representa a estréia nos EUA de um novo tipo de carro pequeno de dois grandes fabricantes. São carros econômicos que não o fazem sentir-se na classe econômica.

A pergunta é: os americanos, com sua mentalidade de que maior é melhor, estão dispostos a modificar um pouco suas atitudes? Modelos de carro popular chegam ao mercado norte-americano Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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