UOL Notícias Internacional
 

12/04/2006

Um pouso de impacto para ajudar a procurar água na Lua

The New York Times
Warren E. Leary

em Washington
Um espaçonave da Nasa colidirá deliberadamente na Lua em janeiro de 2009, em um tipo de arremesso contra a tabela que ajudará a busca dos cientistas por água que pode estar escondida em crateras profundas e escuras, anunciou a agência espacial na segunda-feira.

Em parte, a meta é ajudar a encontrar futuros locais de pouso para a exploração humana da Lua, uma meta anunciada pelo presidente Bush em 2004. Missões lunares anteriores identificaram abundância de hidrogênio em crateras próximas do pólo sul que são protegidas permanentemente da luz solar, levando à especulação de que o hidrogênio está ligado ao oxigênio na forma de água.

Se as áreas escuras na Lua contiverem água em forma de gelo, disseram diretores da Nasa, elas seriam as principais áreas de pouso para os humanos. A água poderia ser decomposta para produzir hidrogênio para combustível dos foguetes e oxigênio para combustível e respiração, ajudando os astronautas a viverem dos recursos locais enquanto exploram.

A espaçonave -a primeira a atingir a Lua desde a Lunar Prospector da Nasa em 1999- fará parte de uma missão previamente anunciada na qual uma espaçonave maior, a Lunar Reconnaissance Orbiter (orbitador de reconhecimento lunar), sobrevoará a Lua para mapear sua superfície. Ambas as naves serão lançadas pelo mesmo foguete em outubro de 2008, mas a nave de impacto menor circundará a Terra e a Lua por 90 dias antes de colidir no pólo sul da Lua.

O projeto é chamado Lcross, de Lunar Crater Observation and Sensing Satellite (satélite sensor e de observação de cratera lunar). Seu diretor, Daniel Andrews, do Centro de Pesquisa Ames da Nasa, em Moffett Field, Califórnia, disse que o estágio superior do foguete que enviará a nave orbital para a Lua será usado como veículo de impacto.

Quando o foguete gasto de 2 mil quilos colidir em uma cratera a cerca de 9 mil quilômetros por hora, disse Andrews, ele deverá lançar uma nuvem de vapor e fragmentos, talvez 1.000 metros cúbicos deles, a uma altura de 50 a 60 quilômetros acima da superfície. Cerca de 15 minutos depois, a "espaçonave guia" abrindo caminho, carregada com câmeras de infravermelho e espectroscópios para determinar a composição química, atravessará voando a nuvem, colhendo e transmitindo dados antes de também colidir com a Lua.

"Nós veremos o impacto", disse Andrews, "e então atravessaremos voando a nuvem olhando ao mesmo tempo dentro da cratera e também olhando 90 graus para o lado, para o espaço, para ver a nuvem de material contra a escuridão".

Scott Horowitz, administrador associado da Nasa encarregado da nova iniciativa de exploração da agência espacial, disse que a oportunidade de uma carga adicional foi resultado de uma decisão recente de usar um foguete maior para lançar o orbitador de reconhecimento robótico. A capacidade de carga extra permitiu à Nasa considerar complementar a missão primária com algo novo, ele acrescentou.

"Isto nos deu uma chance de considerar ciência adicional de alto risco, alto retorno", disse Horowitz após a coletiva de imprensa anunciando a nova missão. "Nós tínhamos algumas propostas fantásticas para uso da capacidade adicional de carga e escolhemos aquela que nos permite uma tentativa antecipada de investigar os recursos que podem existir na Lua."

Em janeiro, a Nasa pediu aos seus centros para que desenvolvessem propostas que aumentariam o entendimento da Lua sem interferência no cronograma e missão primária do orbitador, que é projetado para realizar um mapeamento lunar de alta resolução para encontrar locais de pouso potenciais. Os diretores reduziram o número inicial de 19 propostas para quatro antes de selecionar a missão de impacto polar do centro Ames, disse Horowitz.

O alvo do foguete gasto provavelmente será a cratera Shackleton, uma estrutura de 19 quilômetros de diâmetro perto do eixo sul da Lua, disse Andrews. O impacto deverá criar uma cratera de um terço do tamanho de um campo de futebol e 5 metros de profundidade.

Observatórios na Terra assim como várias espaçonaves também estudarão o impacto, disseram os diretores, e alguns astrônomos amadores poderão observar o evento com seus telescópios, dependendo do tempo e de sua localização.

A missão não será a primeira tentativa da Nasa de realizar estudos geológicos colidindo sondas robóticas em corpos distantes. Em 1999, os cientistas encerraram as atividades do Lunar Prospector orbital o colidindo no pólo sul da Lua, mas ficaram decepcionados diante da pouca ou nenhuma produção de fragmentos devido ao seu pequeno ângulo de impacto.

Em 2005, o projeto Impacto Profundo da Nasa enviou com sucesso um impactador de cobre ao cometa Tempel 1 enquanto uma nave que sobrevoava monitorava o impacto e material ejetado resultante.

As missões robóticas lunares são os primeiros passos dos planos da Nasa de enviar novamente astronautas à Lua em 2018, como um degrau para a viagem a Marte. A missão do Lunar Reconnaissance Orbiter, com a nova adição do impactador, custará cerca de US$ 600 milhões, incluindo o foguete de lançamento, disse Butler Hine, um diretor de robótica lunar de Ames. O custo adicionado do Lcross será de US$ 80 milhões, ele disse. George El Khouri Andolfato

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