UOL Notícias Internacional
 

14/04/2006

Cresce coro de generais aposentados que pedem saída de Rumsfeld

The New York Times
David S. Cloud e Eric Schmitt
Em Washington
O círculo crescente de generais aposentados que tem pedido a renúncia do secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, está tomando a forma de um protesto incomum que pode representar um desafio significativo à liderança de Rumsfeld, disseram atuais e ex-generais na quinta-feira.

Reuters - 28.mar.2006 
Donald Rumsfeld, secretário de Defesa dos EUA
O general de divisão Charles H. Swannack Jr., que liderou as tropas em terra no Iraque em 2004, como comandante da 82ª Divisão Aerotransportada do Exército, se tornou na quinta-feira o quinto alto general aposentado a pedir publicamente nos últimos dias a saída de Rumsfeld.

"Nós precisamos continuar travando a guerra global contra o terror e mantê-lo longe de nossas costas", disse Swannack em uma entrevista por telefone. "Mas eu não acredito que o secretário Rumsfeld é a pessoa certa para travar tal guerra com base em suas falhas absolutas em administrar a guerra contra Saddam no Iraque."

Não há indício de que Rumsfeld esteja considerando a renúncia.

Outro ex-comandante do Exército no Iraque, o general de divisão John Batiste, que liderou a 1ª Divisão de Infantaria, rompeu fileiras publicamente com Rumsfeld na quarta-feira. Rumsfeld há muito tempo se transformou em um ímã de ataques políticos. Mas a revolta atual é significativa porque as críticas vêm de generais que estiveram envolvidos na invasão e ocupação do Iraque sob a liderança do secretário de Defesa.

Havia indícios na quinta-feira de que a preocupação com Rumsfeld, enraizadas em anos de revolta com a forma como ele tem lidado com a guerra, estava superando a reticência dos generais aposentados que participaram da guerra no Iraque em criticar um empreendimento no qual participaram. Atuais e ex-oficiais disseram não estar cientes de qualquer campanha organizada para buscar a remoção de Rumsfeld, mas eles descreveram uma tempestade de telefonemas e e-mails enquanto generais aposentados críticos de Rumsfeld pesavam os prós e contras de se juntar à condenação.

A Casa Branca negou as críticas, dizendo que elas apenas refletem as tensões em torno da guerra no Iraque. "O presidente acredita que o secretário Rumsfeld está fazendo um bom trabalho durante um período difícil na história de nossa ação", disse o porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, para os repórteres na quinta-feira.

Entre os cinco altos generais aposentados que pediram pela saída de Rumsfeld, alguns enfatizaram que ainda acreditam que os Estados Unidos acertaram em invadir o Iraque. Mas um ponto comum em suas queixas tem sido a afirmação de que Rumsfeld e seus assessores freqüentemente se inseriam desnecessariamente no processo militar de tomada de decisão, freqüentemente ignorando os conselhos dos comandantes militares.

A revolta também parece baseada em parte no aumento da preocupação com o preço que a guerra está tendo sobre as forças armadas americanas, com pouco sinal, três anos após a invasão, de que as tropas americanas poderão ser retiradas em grande número tão cedo.

Funcionários do Pentágono, apesar de reconhecerem que o estilo vigoroso de Rumsfeld às vezes irrita seus subordinados militares, atenuaram a idéia de que ele ignora o conselho de seus comandantes militares ou seus pontos de vista.

Sua interação com os comandantes militares "tem sido freqüente. Ela é intensa, mas sempre há ampla oportunidade para que o juízo militar seja aplicado às políticas dos Estados Unidos", disse Lawrence Di Rita, um alto assessor de Rumsfeld.

Mas alguns oficiais aposentados disseram acreditar que a maré está se voltando contra Rumsfeld.

"As comportas estão se abrindo?" perguntou um general aposentado do Exército, ao qual foi concedido anonimato e que traçou uma conexão entre as queixas e o fato do segundo mandato do presidente Bush terminar em menos de três anos. "A maré está mudando e o pessoal está vendo o fim deste governo."

Nenhum oficial da ativa se juntou ao pedido pela renúncia de Rumsfeld. Em entrevistas, alguns generais atualmente em serviço expressaram desconforto com a campanha contra Rumsfeld, que tem sido promovida, entre outros, pelo general aposentado Anthony Zinni, que comandou o Comando Central dos Estados Unidos no final dos anos 90. Alguns dos oficiais atualmente em serviço disseram temer o risco do debate politizar as forças armadas e minar seu caráter profissional.

Alguns disseram privativamente discordar de aspectos da forma como o governo Bush está lidando com a guerra. Mas muitos dos oficiais atualmente na ativa, independente de seus pontos de vista, disseram que o respeito ao controle civil das forças armadas exige que expressem suas diferenças de opinião em particular e permaneçam em silêncio em público.

"Eu apoio meu secretário de Defesa", disse o general de exército John Vines, que comanda 18º Corpo Aerotransportado, quando perguntado após um discurso em Washington, na quinta-feira. "Se eu discordasse publicamente da minha liderança civil, eu acho que teria que renunciar. Meu conselho deve ser dado em particular."

Algumas das tensões entre Rumsfeld e os serviços militares uniformizados remontam à sua chegada ao Pentágono no início de 2001. A afirmação de Rumsfeld de um maior controle civil sobre os militares e seus pedidos de uma força menor, mais ágil, foram vistas com desconfiança por muitos altos oficiais, enquanto seu estilo agressivo, às vezes abrasivo, também o fez conquistar muitos inimigos.

Os críticos de Rumsfeld freqüentemente apontam para o tratamento que ele deu ao general Eric Shinseki, na época o chefe do Estado-Maior do Exército, que disse ao Congresso um mês antes da invasão ao Iraque, em 2003, que a ocupação do país exigiria "várias centenas de milhares de soldados", em vez da força menor que foi fornecida. A estimativa de Shinseki foi publicamente rejeitada pelas autoridades do Pentágono.

"Rumsfeld tem desdenhado os pontos de vista dos altos oficiais militares desde o dia que assumiu como secretário de Defesa. Já era hora de ficarem cheios", disse Thomas E. White, o ex-secretário do Exército, em uma entrevista por telefone na quinta-feira. White foi forçado a deixar o cargo por Rumsfeld em abril de 2003.

O general de exército Gregory Newbold, que se aposentou no final de 2002, fez seu pedido de substituição de Rumsfeld em um artigo na atual edição da revista "Time". Newbold disse que lamenta não ter se oposto mais vigorosamente à invasão ao Iraque enquanto servia no Pentágono e chamou a invasão de periférica ao trabalho de derrotar a Al Qaeda.

Swannack, por outro lado, continua apoiando a invasão, mas disse que Rumsfeld tem microgerenciado a guerra no Iraque, em vez de deixá-la aos cuidados dos altos comandantes que lá se encontram, incluindo o general George W. Casey Jr., o alto oficial americano no Iraque, e o general John P. Abizaid, o mais alto oficial no Oriente Médio. "Minha crença é de que Rumsfeld realmente não entende a dinâmica da guerra contra a insurreição", disse Swannack.

A série de altos oficiais aposentados pedindo a remoção de Rumsfeld provocou um forte debate entre as fileiras tanto de generais e almirantes aposentados quanto da ativa.

Alguns oficiais que trabalharam estreitamente com Rumsfeld rejeitam a idéia de que ele seja o principal culpado pela incapacidade das forças americanas de derrotar a insurreição no Iraque. Um oficial de quatro estrelas do Exército, da ativa, disse não ter ouvido amplas críticas a Rumsfeld entre seus pares e acha as críticas de seus colegas aposentados sem propósito. "Eles têm direito aos seus pontos de vista, mas eu acredito que estão errados. E é uma infelicidade eles permitirem se tornar, em alguns aspectos, politizados."

O general aposentado Jack Keane, que foi o vice-chefe do Estado-Maior do Exército em 2003, disse que no planejamento da invasão ao Iraque, tanto altos oficiais quanto a liderança civil do Pentágono subestimaram a ameaça de uma insurreição de longo prazo.

"Há uma responsabilidade compartilhada aqui. Eu não acho que é possível culpar apenas a liderança civil", ele disse. George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,54
    3,265
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,36
    64.085,41
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host