UOL Notícias Internacional
 

15/04/2006

Bush defende Rumsfeld das crescentes críticas sobre o Iraque

The New York Times
Jim Rutenberg e Mark Mazzetti
Em Washington
O presidente Bush falou em defesa do secretário de Defesa, Donald H. Rumsfeld, na sexta-feira, em um esforço para pôr fim às crescentes críticas de generais aposentados que têm pedido a renúncia de Rumsfeld.

"A liderança enérgica e firme do secretário Rumsfeld é exatamente o que precisamos neste período crítico", dizia a declaração do presidente. "Ele conta com meu pleno apoio e mais profundo apreço."

A declaração, emitida enquanto Bush interrompia um feriado em família em Camp David, fez parte de um esforço agressivo da Casa Branca para rechaçar as críticas à forma como a guerra tem sido conduzida feitas por generais envolvidos na invasão e ocupação do Iraque. Os generais se manifestaram no momento em que as pesquisas mostram uma grande queda no apoio à campanha no Iraque em um ano eleitoral.

A declaração do presidente foi seguida horas depois por comentários do general Richard B. Myers, o chefe aposentado do Estado-Maior das Forças Armadas, e do general Tommy R. Franks, o comandante aposentado das guerras no Afeganistão e no Iraque. Ambos apareceram nos canais de notícias a cabo para criticar os ex-colegas por questionarem publicamente a liderança civil enquanto o país está em guerra.

E o próprio Rumsfeld apareceu na televisão Al Arabiya na sexta-feira e disse: "Se toda vez que duas ou três pessoas discordassem nós mudássemos o secretário de Defesa dos Estados Unidos, seria como um carrossel".

Não se sabe quanto o contra-ataque de Bush e Rumsfeld fará para silenciar os pedidos dos generais ou aplacar os membros do Congresso, que começaram a citar as queixas dos oficiais aposentados como validação de suas próprias críticas à guerra.

Um pedido para comentário ao gabinete do senador John W. Warner, republicano da Virgínia e presidente do Comitê de Serviços Armados, obteve apenas uma resposta equivocada: "O senador Warner acredita que a decisão de manter ou não o secretário Rumsfeld cabe ao presidente", disse um porta-voz de Warner, John Ullyot.

O senador Jack Reed, democrata de Rhode Island e membro do Comitê de Serviços Armados do Senado, disse esperar que mais oficiais aposentados se manifestem contra Rumsfeld. "Este coro se tornará mais pronunciado? Eu acho que poderá acontecer", disse Reed.

A Casa Branca tem tentado em geral evitar comentar sobre o que considera "assuntos pessoais". Mas a sexta-feira marcou uma das várias ocasiões durante a presidência de Bush em que ele não mediu esforços para expressar apoio ao seu secretário de Defesa, que tem brigado com segmentos do establishment do Pentágono virtualmente desde o momento em que assumiu o cargo.

Ao defender Rumsfeld, Bush parecia estar afirmando sua posição como comandante-em-chefe, enviando um sinal aos generais de que críticas ao secretário de Defesa equivalem a criticas à sua própria condução da guerra. Funcionários do governo disseram que Bush tomou a forte posição de emitir a declaração em Camp David, na Sexta-Feira Santa, por estar preocupado com a possibilidade dos generais estarem enviando mensagens dúbias ao campo de batalha.

Associados de Rumsfeld e Bush disseram que os críticos se equivocaram em acreditar que Rumsfeld renunciaria em reação a pedidos de pessoas de fora, notando que ambos apenas endureceram suas posições diante de forte oposição no passado.

Um alto funcionário da Casa Branca, ao qual foi concedido anonimato porque não estava autorizado a falar, descreveu Bush como sendo "muito pró-ativo" na decisão de fazer a declaração, dizendo que foi levado a agir porque reconheceu que a proeminência dos generais que estão fazendo críticas deu mais peso aos seus comentários.

O funcionário disse que Bush telefonou para Rumsfeld por volta das 10 horas da manhã de Camp David -- onde ele está com seus pais, família e amigos -- para lhe avisar de sua decisão e reafirmar seu apoio.

A conversa representava um terreno familiar para ambos.

As críticas aumentaram tanto durante o escândalo da prisão de Abu Ghraib, em meio à eleição presidencial de 2004, que Rumsfeld ofereceu duas vezes sua renúncia, disse o secretário de Defesa. (Funcionários da Defesa disseram que Rumsfeld não repetiu a oferta de renúncia nos últimos meses.)

Bush rejeitou as ofertas e fez uma demonstração pública de apoio em junho de 2004, dizendo a Rumsfeld diante de um grupo de repórteres: "Você é um forte secretário de Defesa e nosso país tem uma dívida de gratidão para com você".

Funcionários da Casa Branca fizeram novamente um esforço orquestrado para demonstrar apoio a Rumsfeld em dezembro de 2004, depois que o senador John McCain, republicano do Arizona, e o senador Chuck Hagel, republicano de Nebraska, disseram que não confiavam em Rumsfeld.

Tais comentários foram um golpe para o governo porque vieram de membros respeitados do próprio partido do presidente, em vez de grupos ativistas liberais como o MoveOn, ou de democratas. Mas a posição dos generais aposentados agora representa uma classe totalmente nova de críticas.

Em vez de se intimidar, um dos generais, o general Charles H. Swannack Jr., foi mais além em suas queixas durante uma entrevista na sexta-feira, dizendo que o número de soldados empregado no Iraque era insuficiente para a meta final e disse que a falta de supervisão de Rumsfeld levou aos abusos em Abu Ghraib.

Mas no final da sexta-feira, novos aliados foram aos noticiários na TV a cabo para defender o governo.

Na "CNN" na sexta-feira, Myers disse lamentar a manifestação dos generais aposentados. "Minha percepção disto tudo é que é ruim para as forças armadas, para as relações militares e é muito ruim para o país, potencialmente, porque o que estamos ouvindo e o que estamos vendo não é o papel que os militares deveriam estar exercendo em nossa sociedade", ele disse.

Franks disse na "MSNBC" que Rumsfeld foi um "secretário de Defesa muito bem-sucedido", cujo estilo de administração por acaso provoca alguns atritos.

Funcionários do governo pareciam estar torcendo para que o debate se transformasse em um entre os generais e deixasse de envolver a Casa Branca, que parecia constrangida em discutir publicamente com as altas patentes militares.

Mas o alto funcionário do governo disse que o presidente não está surdo às queixas em relação a Rumsfeld. "Ele está plenamente ciente da controvérsia que cerca a atuação do secretário Rumsfeld", disse o funcionário. "Mas isto geralmente acontece quando você está encarregado de realizar coisas muito difíceis." George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,45
    3,141
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,39
    64.684,18
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host