UOL Notícias Internacional
 

15/04/2006

Delta chega a um acordo provisório com pilotos para redução salarial

The New York Times
Jeff Bailey
A Delta Air Lines e o sindicato que representa seus 6 mil pilotos chegaram a um acordo provisório de concessões salariais na sexta-feira, evitando uma ameaça de greve que teria liquidado a empresa, que já opera em concordata.

Nem a empresa e nem o sindicato dos pilotos revelaram os termos do acordo. A Delta pediu da última vez uma redução anual de pagamentos de US$ 305 milhões e o sindicato ofereceu US$ 140 milhões. Os pilotos já tinham feito concessões anuais de US$ 1 bilhão em 2004. Mas o aumento do preço dos combustíveis e o aumento da concorrência aprofundaram os problemas da Delta, colocando-a no capítulo 11 da Lei de Falências em setembro passado.

Uma comissão de arbitragem deverá decidir no sábado o pedido da Delta no tribunal de falências para que o atual contrato dos pilotos seja anulado e a permissão para que a companhia aérea imponha novos salários e benefícios. Os pilotos tinham prometido entrar em greve caso o contrato fosse anulado.

As negociações esquentaram no início desta semana e se intensificaram à medida que o prazo se aproximava, com um acordo provisório finalmente acertado na manhã de sexta-feira.

No início desta semana, o sindicato dos pilotos recebeu US$ 10 milhões de seu grupo matriz para preparação da greve que se iniciaria na segunda-feira.

O acordo deverá ajudar a Delta a tranqüilizar e conquistar novamente os passageiros, muitos dos quais disseram estar evitando a companhia aérea por temor de uma greve.

"Os passageiros da Delta podem continuar fazendo reservas com confiança", disse Edward H. Bastian, o diretor financeiro chefe da Delta, em uma declaração. "Não haverá interrupção em nosso serviço. Nossos pilotos estão agindo profissionalmente, voando como programado e, juntamente com todos os funcionários da Delta, estão cuidando bem de nossos clientes."

Se por um lado uma greve poderia ter resultado na liquidação da Delta e desferido um sério golpe contra a economia de Atlanta, onda fica a sede da companhia aérea, e da região Sudeste, onde ela domina o tráfego aéreo, por outro o acordo poderá apresentar novos problemas para o setor.

A Northwest Airlines, em particular, temia que a administração da Delta concordaria em termos menos onerosos aos pilotos do que os acertados pela Northwest com seus pilotos, levando potencialmente a um esforço dos pilotos da Northwest a retomarem as negociações. A Northwest também está em concordata.

"Um contrato de pilotos que fica muito aquém do que a administração buscava pode causar atrito entre os pilotos e outros funcionários, dificultando ainda mais para a Delta atrair financiamento para sair da concordata", disse Philip Baggaley, um analista do setor aéreo da Standard & Poor's em Nova York. "Além disso, tal resultado encorajaria outros grupos de funcionários a se juntarem a sindicatos para melhorar sua posição de barganha em futuras negociações de contratos."

Gerald Grinstein, o executivo-chefe da Delta, elogiou os negociadores em uma mensagem gravada para os funcionários, na sexta-feira, por terem chegado a "um acordo que é bom para a Delta". O acordo está sujeito a ratificação pelos pilotos e aprovação pelo tribunal de falências.

"Se tudo der certo, nós estaremos nos trilhos para sair da concordata no próximo ano", disse Grinstein em uma mensagem.

"Os ânimos estão exaltados. Nossos clientes têm expressado preocupação", ele acrescentou. "É hora de deixar o passado para trás."

A Associação dos Pilotos de Companhias Aéreas, que representa os pilotos de ambas as companhias, e a Delta disseram que não revelarão os termos do acordo até que os pilotos estejam informados sobre eles.

Os pilotos são o único grande grupo de funcionários da Delta Air Lines representado por um sindicato, mas não o único grupo de funcionários com os quais a Delta vem negociando reduções salariais.

Em uma unidade regional da empresa, a Comair, os comissários de bordo, um pequeno grupo representado pelo sindicato Teamsters, estão ameaçando greve se o tribunal de falências concordar com o pedido da companhia de anulação de seu contrato. O juiz Adlai S. Hardin, do Tribunal Federal de Falências em Manhattan, poderá decidir na segunda-feira o pedido da empresa de redução de salários e benefícios dos comissários em US$ 8,9 milhões por ano.

Vikas Bajaj contribuiu com reportagem para este artigo George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h29

    0,74
    3,281
    Outras moedas
  • Bovespa

    16h37

    -1,84
    61.488,20
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host