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18/04/2006

Ex-governador de Illinois é condenado por corrupção

The New York Times
Monica Davey e Gretchen Ruethling
Em Chicago
George Ryan, o ex-governador de Illinois que atraiu atenção internacional ao declarar uma moratória na pena de morte em seu Estado, foi condenado na segunda-feira (dia 17 de abril) em um abrangente caso federal de corrupção.

Após mais de cinco meses de depoimentos complexos e cinco semanas de deliberações ainda mais emaranhadas, um júri considerou Ryan, um republicano, culpado de todas as 18 acusações criminais contra ele, incluindo conspiração para extorsão, fraude de correspondência, fraude fiscal e falso testemunho para o FBI.

John Gress/Reuters 
O ex-governador de Illinois George Ryan

Ryan, 72 anos, que serviu um mandato como governador até 2003 e dois mandatos como secretário de Estado antes disso, era visto como um político à moda antiga de Illinois: mais negociador de acordos (completo com charuto e drinque favoritos) do que um ideólogo. De certa forma, o caso colocou o estilo de política do Estado em julgamento, pedindo aos jurados para traçarem uma linha clara entre o que era crime e o que era apenas mais um dia em Springfield.

No final, os jurados ficaram ao lado do gabinete do procurador-geral federal Patrick J. Fitzgerald, que também é o promotor especial no caso de vazamento da CIA em Washington, na crença de que o ex-governador concedeu negócios do Estado aos seus amigos e associados em troca de dinheiro e presentes para si mesmo, sua família e outros.

Os jurados disseram que não encontraram uma "arma fumegante" clara, apenas uma camada após a outra de evidências, todas, disse um jurado, se somando para formar uma dolorosa instrução sobre o que acontecia nos escalões mais altos do governo de Illinois. O jurado, James Cwick, disse que lhe foi dada "um visão em close da vida real --de como funciona o governo, como funciona a política".

Ryan, que calmamente apertou as mãos dos funcionários do tribunal quando chegou na segunda-feira, não deixou transparecer nenhuma reação quando o veredicto foi lido. Os crimes mais graves podem resultar em penas de até 20 anos de prisão e uma multa de US$ 250 mil (cerca de R$ 530 mil). Os promotores disseram que não determinaram que pena pedirão.

O sentenciamento de Ryan está marcado para agosto, mas enquanto ele voltava do tribunal para casa, ele prometeu apelar.

"Eu acredito que a decisão de hoje não está de acordo com o serviço público que prestei ao povo de Illinois por mais de 40 anos", ele disse, "e é desnecessário dizer, estou decepcionado com o resultado".

Até Ryan deixar o governo, já negando as acusações de corrupção, os republicanos controlavam o governo de Illinois desde os anos 70. Muitos republicanos culparam os apuros de Ryan pelas suas derrotas em outras disputas federais e estaduais nos últimos anos, e analistas políticos disseram que tais alegações provavelmente ganharão força.

Com a eleição para o governo de Illinois neste ano, os republicanos do Estado terão que se esforçar para se distanciarem de Ryan, que passou quase a vida toda na política de Illinois. Nas eleições primárias republicanas em março, um oponente já estava usando propagandas exibindo antigas imagens de Judy Baar Topinka, a secretária do Tesouro estadual e atual candidata republicana, dançando polca com Ryan.

A condenação de Ryan ocorre enquanto investigações separadas continuam de governos de alguns democratas importantes: o atual governador, Rob R. Blagojevich, que está buscando a reeleição, e Richard M. Daley, o prefeito de Chicago.

"No seu âmago, George Ryan é o político quintessencial de Illinois: a política voltada ao poder, à obtenção de cargos, de controle", disse Kent Redfield, um professor de ciência política da Universidade de Illinois, em Springfield. "Há um excesso aqui, mas não se trata de uma pessoa ruim corrompendo um sistema bom. Ele é claramente produto da cultura política geral daqui."

Fora deste Estado, Ryan é mais conhecido por sua descoberta, nas últimas 48 horas de seu mandato como governador, de que o sistema de pena capital do Estado estava falido. Antes um defensor da pena de morte, ele foi posteriormente indicado para o Prêmio Nobel da Paz por cancelar mais de 160 penas de morte, se transformando em um herói improvável do movimento contra a pena de morte.

Mas no tribunal daqui, testemunhas e advogados foram proibidos de mencionar as ações de Ryan ligadas à pena de morte perante os jurados, apesar da presença no tribunal de defensores notáveis do fim da pena capital, incluindo a irmã Helen Prejean, uma freira que escreveu o livro "Dead Man Walking" (que virou o filme "Os Últimos Passos de um Homem), e Mike Farrell, um ator da série de televisão "M.A.S.H."

Em vez disso, os promotores se concentraram no que retrataram como o método essencial de Ryan de exercer cargo público: colocar uma placa de "à venda" na porta. Ryan e sua família receberam férias extravagantes, dinheiro, ingressos para eventos e outros itens, totalizando no mínimo US$ 167 mil (cerca de R$ 355 mil), e em troca oferecia favores políticos e negócios do Estado, eles disseram.

Os promotores saudaram a decisão do júri na segunda-feira e pareciam, ao mesmo tempo, enviar um alerta a outros.

"As pessoas agora sabem que quando se participa de uma conduta corrupta, onde uma mão lava a outra e contratos são concedidos para pessoas, não é preciso dizer 'propina' em voz alta", disse Fitzgerald. "E acho que as pessoas precisam entender que não temos medo de levar fortes casos circunstanciais ao tribunal."

Apesar de Ryan ter ocupado o cargo mais alto, 79 funcionários públicos, líderes empresariais e outros foram acusados na investigação federal conhecida como "Operação Estrada Segura" que teve início aqui há oito anos.

Ryan, natural de Kankakee e que estudou farmacêutica, foi condenado na segunda-feira juntamente com seu amigo Lawrence E. Warner, 67 anos, que foi acusado de receber comissões pelas operações de leasing e contratos do gabinete de Ryan. Warner foi condenado por 12 crimes, incluindo extorsão e lavagem de dinheiro.

Nenhum dos dois depôs. Mas ao longo do julgamento, o advogado de Ryan, Dan K. Webb, um ex-promotor federal, disse que Ryan não infringiu a lei.

"Em algumas ocasiões George Ryan, como autoridade pública, tentou ajudar as pessoas que o elegeram", disse Webb em seu encerramento. "Mas não há nada de errado nisto."

Na segunda-feira, Webb expressou desânimo com o veredicto, prometendo iniciar os esforços para revertê-lo e questionando o que descreveu como "desdobramentos incomuns do júri" nas últimas semanas.

Após ouvir o depoimento de 83 testemunhas e receber 148 páginas de instruções do tribunal, o júri teve suas próprias dificuldades com o caso. Dias após o início das deliberações em março, dois jurados foram removidos depois que o jornal "Chicago Tribune" revelou que tinham histórico de prisão que não revelaram quando entrevistados no início do julgamento. Após isso, os dois foram substituídos e o júri reiniciou suas deliberações. George Ryan foi considerado culpado de todas as 18 acusações criminais contra ele George El Khouri Andolfato

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