UOL Notícias Internacional
 

18/04/2006

Infância instável de acusado por 11/9 é apresentada como atenuante pela defesa

The New York Times
Neil A. Lewis
Em Alexandria, Virgínia
Os advogados que estão tentando persuadir o júri a poupar a vida de Zacarias Moussaoui começaram a apresentar depoimentos sobre a infância dele na segunda-feira (dia 17 de abril), para mostrar que ele cresceu em um lar negligente na França, onde o pai espancava a mãe regularmente, e que passou grande parte de sua juventude em orfanatos.

Testemunhas também disseram que ele estava despreparado para lidar com as zombarias racistas antiislâmicas dos colegas de escola e com a hostilidade dos pais de uma namorada francesa.

Jan Vogelsang, uma assistente social da Carolina do Sul, deu início com uma avaliação psicológica da família Moussaoui e de seus problemas de saúde mental persistentes. O dia foi concluído com o depoimento do dr. Xavier Amador, um psicólogo que entrevistou o réu várias vezes e que disse ao júri que Moussaoui sofre de esquizofrenia do tipo paranóide.

Entre o depoimento dos dois profissionais de saúde mental, o júri ouviu o depoimento de amigos de Moussaoui na França durante sua adolescência e início da faixa dos 20 anos. O homem que descreveram era quase irreconhecível do réu furioso que o júri viu na semana passada, expressando pesar por mais pessoas não terem sido mortas e mutiladas em 11 de setembro de 2001.

Os amigos, alguns depondo em pessoa e alguns por meio de gravações em vídeo, descreveram o jovem Zacarias Moussaoui como uma companhia alegre e amigo leal. Um amigo de infância, Gilles Cohen, depôs pessoalmente que os dois freqüentemente discutiam o conflito entre Israel e os palestinos. Cohen, que é meio-judeu, disse por meio de um tradutor que ele e Moussaoui concordaram que "exemplificavam a possibilidade de duas pessoas de origens diferentes se unirem e se entenderem".

Vogelsang, que não entrevistou Moussaoui, mas falou com seus parentes, professores e médicos na França, depôs que o pai de Moussaoui, um ex-boxeador, batia regularmente nas duas irmãs de Moussaoui e que grande parte do abuso era dirigido contra a esposa, que freqüentemente necessitava de hospitalização. Vogelsang disse que o pai, Omar Moussaoui, que emigrou do Marrocos para a França, também "usava a fome para controlar" sua esposa. Não ficou claro se e com que freqüência o próprio Moussaoui foi espancado.

Vogelsang também disse que Moussaoui não estava preparado para lidar com o racismo que ele encontrou nas escolas e orfanatos franceses.

Moussaoui, a única pessoa que está sendo julgada em um tribunal americano por envolvimento nos ataques terroristas de 11 de setembro, se declarou culpado de conspiração e o júri determinou que ele pode ser condenado à morte. Na segunda fase do julgamento, que está em curso, o júri decidirá se Moussaoui será executado ou passará o restante de sua vida na prisão. Para isto, os jurados devem pesar a atrocidade do crime contra quaisquer fatores atenuantes.

Os promotores apresentaram um desfile de testemunhas, incluindo parentes das vítimas de 11 de setembro, que expuseram seu pesar e o impacto duradouro dos ataques.

Os depoimentos do dia fizeram parte do esforço para demonstrar que um fator atenuante é a infância instável e a doença mental de Moussaoui.

Vogelsang depôs que o pai de Moussaoui está em uma instituição para doentes mentais na França e se mostrou incoerente durante a entrevista por ele estar altamente medicado. As duas irmãs de Moussaoui, que depuseram por meio de gravação em vídeo, também estão sob tratamento e vivem em um asilo do governo para doentes mentais. Jamilla Moussaoui descreveu seu irmão caçula como "o queridinho da família".

Vogelsang também disse que dos 16 aos 22 anos Moussaoui teve uma namorada chamada Karine Bocat, com a qual freqüentava festas e bares. Ela disse que Moussaoui "sofreu muita dor por não ter sido aceito pela família" por ser descendente de marroquinos.

Moussaoui, cuja atenção parecia se perder durante grande parte do tempo, escutou atentamente enquanto Vogelsang descrevia seu relacionamento com Bocat e ao dizer que ela estava atualmente casada e com dois filhos.

Outro antigo amigo, Christophe Marguel, depôs por meio de vídeo que Moussaoui esperava passar sua vida com Bocat, mas que a oposição dos pais dela provou ser insuperável e que a rejeição deles "o diminuiu".

David J. Novak, um promotor que fez perguntas para Vogelsang, perguntou se o irmão de Moussaoui também sofreu o mesmo ambiente familiar difícil. Após ela ter reconhecido que sim, Novak então apontou que o irmão, Abd Samad, era um professor de engenharia bem-sucedido na França e não um terrorista. George El Khouri Andolfato

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