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18/04/2006

Medicamento contra osteoporose reduz risco de câncer de mama

The New York Times
Denise Grady
Um medicamento cujo uso já é generalizado na prevenção da redução da densidade óssea em mulheres que passaram pela menopausa pode também reduzir o risco do câncer de mama, anunciaram na segunda-feira (17 de abril) pesquisadores norte-americanos.

O medicamento é o Raloxifene, cujo nome comercial é Evista, e que é usado por meio milhão de mulheres norte-americanas para a prevenção da osteoporose. Este é o segundo medicamento que se descobriu ser capaz de reduzir o risco do câncer de mama. O primeiro foi o Tamoxifen, cujo nome comercial é Nolvadex. O Nolvadex foi aprovado para o tratamento do câncer de mama e também previne a doença nas mulheres que correm alto risco de sofrer dessa doença.

Um estudo patrocinado pelo Instituto Nacional do Câncer revelou que o Raloxifene atua tão bem quanto o Tamoxifen em mulheres com alto risco de sofrer de câncer de mama, podendo apresentar menos efeitos colaterais. Cada um dos medicamentos reduz pela metade o risco do câncer de mama.

"Sentimos que o Raloxifene é o vencedor desta disputa", disse o médico D. Lawrence Wickerham, diretor do Projeto Nacional de Cirurgia Suplementar de Mama e Intestino, que coordenou o experimento.

Outros especialistas afirmam que não ficou claro se o Raloxifene apresentou vantagens significantes sobre o Tamoxifen. Embora o Raloxifene reduza o risco do câncer de mama invasivo, ele não diminui a probabilidade de ocorrência de uma forma mais inicial da doença, que pode se tornar invasiva se não for detectada a tempo. O Tamoxifen reduz esse risco pela metade.

O Raloxifene conta com a aprovação da Administração de Alimentos e Remédios dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) para o tratamento da osteoporose nas mulheres que passaram pelo período da menopausa. O seu fabricante, o laboratório Eli Lilly, deverá solicitar à FDA uma permissão adicional para comercializar o medicamento para prevenir o câncer de mama em mulheres que passaram pela menopausa e que apresentam alto risco de desenvolver a doença. Como ele já é comercializado, os médicos podem prescrevê-lo quando acharem necessário, segundo uma prática comum denominada "off label" (prescrição de drogas para usos diferentes daqueles especificados na bula).

O Raloxifene e o Tamoxifen podem provocar efeitos colaterais significantes, incluindo um pequeno aumento do risco de ocorrência de câncer do útero, de coágulos sangüíneos e de sintomas da menopausa, como ondas de calor, sudorese noturna e corrimentos vaginais. Os riscos associados ao Raloxifene durante o estudo foram menores. A diferença em relação ao Tamoxifen não atingiu uma significância estatística, embora tenha chegado próximo disso, o que significa que tal diferença pode se dever ao acaso.

O estudo revelou que a probabilidade de ocorrência de catarata é menor com o uso do Raloxifene do que do Tamoxifen, em uma diferença estatística sólida.

O médico Leslie Ford, diretor-adjunto de pesquisa clínica sobre a prevenção do câncer no instituto do câncer, afirmou que os dois medicamentos são opções vitais para as mulheres que correm alto risco de desenvolver a doença, e disse que algumas delas vão preferir o Raloxifene porque os efeitos colaterais deste remédio parecem ser menos graves.

O estudo incluiu quase 20 mil mulheres que passaram pela menopausa, em 500 centros médicos. Todas apresentavam alto risco de desenvolver câncer de mama, com base em suas histórias pessoal e familiar. O risco de desenvolverem a doença em um período de cinco anos era de 3% a 4%, aproximadamente o dobro da média (o questionário utilizado para calcular esse risco pode ser obtido na Internet no site http://breastcancerprevention.com. Ele exige apenas alguns minutos para ser preenchido e fornece imediatamente uma estimativa de risco).

As mulheres foram escolhidas aleatoriamente para tomarem Tamoxifen ou Raloxifene durante cinco anos. Não se utilizou placebo porque um estudo anterior revelou que o Tamoxifen era capaz de prevenir o câncer de mama em mulheres que apresentavam alto risco de desenvolver a doença, o que tornaria antiético o uso de placebos.

O estudo revelou índices iguais de câncer invasivo de mama nos dois grupos, 167 casos para as mulheres que tomaram Raloxifene, e 163 para as que tomaram Tamoxifen. Isso representou a metade do que seria de se esperar em mulheres que não tivessem se submetido a tratamento algum.

No entanto, as mulheres que tomaram o Raloxifene não contaram com proteção contra cânceres iniciais e não invasivos chamados de carcinoma lobular in situ e carcinoma ductal in situ, enquanto o Tamoxifen reduziu pela metade a incidências destes tipos de tumor. No grupo que tomou Raloxifene, houve 81 casos, enquanto somente 57 casos foram registrados entre as mulheres que tomaram o Tamoxifen. A diferença foi estatisticamente significante.

O médico Larry Norton, especialista em câncer de mama do Centro de Câncer Memorial Sloan Kettering, em Nova York, disse que o maior risco de ocorrência de tumores iniciais de mama no grupo que usou o Raloxifene foi motivo de preocupação. "Esses tumores podem acabar se transformando em cânceres invasivos", advertiu Norton.

Ainda que o Raloxifene se mostre menos arriscado do que o Tamoxifen no que diz respeito à ocorrência de câncer do útero, a permuta de medicamentos pode não valer a pena, argumentou Norton, já que o câncer de útero é bem mais fácil de ser detectado e tratado com sucesso do que o câncer de mama. E o câncer de mama tem uma probabilidade bem maior de ser fatal.

"Ainda não está claro quais serão as recomendações oficiais", concluiu Norton. O Raloxifene é usado por meio milhão de mulheres nos EUA Danilo Fonseca

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