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19/04/2006

Aqui está Donald! Em sua defesa, nasceu um show

The New York Times
David S. Cloud

em Washington
Se tornou um ritual diário, a defesa do Secretário de Defesa, completa com elogios de generais em serviço, tributos do presidente e, do homem sob os holofotes, doses de charme, combatividade e até mesmo alguma humildade.

Uma sessão na terça-feira foi a terceira vez em cinco dias que Donald H. Rumsfeld buscou apresentar seu argumento em público para permanecer como secretário de Defesa.

Jamie Rose/The New York Times 
Apesar do sorriso, do apoio e do prestígio, Rumsfeld não está tão tranqüilo assim

"Não há homens indispensáveis", disse Rumsfeld para os repórteres no
Pentágono.

Mas o governo Bush tem buscado transmitir a mensagem de que Rumsfeld não sairá, independente do que desejem seus críticos.

Novamente, o general Peter Pace do Corpo de Marines, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, estava ao lado de Rumsfeld, um ornamento visual para rebater a mensagem de cerca de meia dúzia de generais aposentados de que Rumsfeld deve renunciar.

O presidente Bush, após ter defendido Rumsfeld na sexta-feira em Camp David, apareceu diante das câmeras horas antes para argumentar pessoalmente.

"Sou eu quem toma as decisões e eu decido o que é melhor", disse Bush no Jardim das Rosas. "E o que é melhor é Don Rumsfeld permanecer como
secretário de Defesa."

Tais demonstrações públicas prolongadas de autodefesa não são a norma em Washington, onde detentores de cargos sitiados geralmente buscam fingir que as críticas não importam. Aqueles que respondem geralmente o fazem por meio de substitutos que exaltam suas virtudes.

Mas o desfile extraordinário de generais que se apresentaram para defender Rumsfeld inclui um grupo de oficiais aposentados, incluindo o general Richard B. Myers da Força Aérea, o ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, e o general Tommy R. Franks do Exército, que comandou as tropas americanas nos conflitos do Afeganistão e Iraque. Na terça-feira, Rumsfeld convocou outro grupo de oficiais aposentados para uma reunião a portas fechadas, supostamente para informá-los sobre o Iraque, mas claramente para também requisitar seu apoio quando aparecessem na televisão.

Talvez os exemplos mais notáveis de controle de danos desde que as queixas dos generais aposentados ganharam força tenham vindo de Rumsfeld, que apareceu na TV "Al Arabiya", no programa de rádio de Rush Limbaugh e, duas vezes, diante das câmeras de televisão no Pentágono.

As aparições apresentaram a perspicácia verbal, mordacidade e toques
desafiadores que Rumsfeld transformou em sua marca registrada. Mas na
terça-feira, também havia um incomum lampejo de humildade -uma espécie de ramo de oliveira- de um homem mais conhecido por sua belicosidade.

Rumsfeld, que disse que ofereceu duas vezes a renúncia após o escândalo da prisão de Abu Ghraib, disse não estar inclinado a "julgar instantaneamente" o que seus críticos estão dizendo no momento, uma mensagem que incluiu queixas de que seu estilo teimoso o faz ignorar grande parte do que alguém em uniforme lhe diz.

"Devido à importância dos assuntos que estão sendo discutidos, eu gosto de refletir um pouco sobre eles", disse Rumsfeld.

Mas em questão de minutos ele disse que os pontos de vista dos seis generais que estão pedindo sua renúncia não são representativos, notando que os 6 mil ou 7 mil generais e almirantes aposentados do país não são "unânimes em nada".

Ao lado de Rumsfeld, Pace acrescentou que os soldados no Iraque não exibiram insatisfação discernível com Rumsfeld. Pace disse que o general Michael W. Hagee, o comandante do Corpo de Marines, tinha acabado de estar lá e informou que "não obteve nenhum questionamento sobre a liderança no departamento".

Os pedidos para renúncia de Rumsfeld diminuíram desde a semana passada,
quando Bush afirmou sua autoridade como comandante-em-chefe para declarar que Rumsfeld "tem meu pleno apoio e mais profundo apreço".

O grupo que pediu pela renúncia inclui dois generais de divisão aposentados que comandaram tropas no Iraque e um general aposentado de três estrelas que foi diretor de operações do Estado-Maior das Forças Armadas. Seus comentários foram criticados por outros generais aposentados, que disseram que o grupo corre o risco de politizar as forças armadas.

Um risco é o de que os republicanos que estão concorrendo nas eleições de novembro decidam que a manutenção de Rumsfeld no Gabinete poderá diminuir suas chances e assim pedir para que Bush se livre dele.

Um assessor republicano no Senado disse que apesar das manifestações de
apoio a Rumsfeld por parte de alguns senadores republicanos, muitos outros membros expressaram profunda preocupação privativamente.

"O nervosismo aqui é com uma figura tão controvertida quanto Rumsfeld no comando de uma guerra que está caindo em popularidade, que se tornou um verdadeiro problema político para os membros que buscarão reeleição em novembro", disse o assessor, que insistiu no anonimato porque foi avisado para não discutir as conversas privadas dos senadores.

Com o Congresso em recesso, disse o assessor, ele não tinha conhecimento de nenhum esforço organizado entre os republicanos do Senado para tornar suas preocupações públicas ou para levá-las à Casa Branca. Mas o assessor disse que espera que as discussões entre os senadores se intensificarão assim que voltarem na próxima semana.

Há sinais de que os esforços para impedir os republicanos de desertarem
estão funcionando. Na terça-feira, o deputado Duncan Hunter, o republicano da Califórnia que é presidente do Comitê de Serviços Armados da Câmara, divulgou um boletim de imprensa abordando uma a uma as críticas a Rumsfeld. A declaração notou que o secretário teve 273 reuniões com altos comandantes no ano passado, ilustrando "que o secretário Rumsfeld respeita e confia no julgamento da liderança uniformizada do Pentágono".

Após responder perguntas por meia hora, Rumsfeld foi se encontrar com
oficiais militares aposentados e analistas civis. Muitos dos convidados
comentam regularmente na "CNN", "Fox News" e outros veículos de rádio e
televisão que fazem parte da mesma comunidade que está provando ser um
problema.

Em reuniões anteriores com o grupo, Rumsfeld deu início com declarações
extensas. Desta vez ele disse que iria diretamente às questões, disseram os participantes. Ele foi perguntado sobre as críticas, disse o general de divisão Thomas L. Wilkerson, que se aposentou do Corpo de Marines e participou da reunião.

"Ele disse que é uma distração que o tem afastado da concentração em tempo integral nas coisas que precisa fazer", disse Wilkerson. Rumsfeld "não estava abatido. Ele parecia sim ter sido energizado pelo assunto". George El Khouri Andolfato

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