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22/04/2006

Mahmoud Abbas e Hamas confrontam-se em torno de militante em cargo de segurança

The New York Times
Greg Myre

Em Jerusalém, Israel
O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, prometeu nesta sexta-feira (21/04) impedir o governo do Grupo Hammas de instalar um militante proeminente em um cargo de segurança importante. O novo governo, porém, disse que a nomeação permanece.

Foi o confronto mais público até hoje entre Abbas e os líderes do Hamas, que vêm manobrando para estabelecer sua autoridade desde que sua facção venceu as eleições na Palestina, em janeiro. A divisão do controle das forças de segurança tem sido um dos assuntos mais voláteis.

O ministro do interior palestino, Said Siam, importante figura do Hamas, nomeou na quinta-feira Jamal Abu Samhadana, militante famoso, para inspetor geral do Ministério do Interior, que supervisiona vários ramos das forças de segurança. Samhadana é procurado por Israel e suspeito de assassinatos de agentes de segurança americanos em Gaza.

Tanto Israel quanto os EUA condenaram a escolha. Israel, que tentou matar Samhadana no passado, disse que o militante continua sendo um alvo.

"Ninguém que lida com o terror pode ter imunidade de forma alguma, mesmo com cargo ministerial no governo do Hamas", disse Danny Yatom, membro do parlamento israelense e ex-chefe da agência de inteligência do Mossad à Rádio Israel.

Abbas deixou a Cisjordânia na sexta-feira em viagem à Jordânia e a vários países europeus, em busca de apoio político e financeiro. Entretanto, um alto assessor disse que o presidente estava anulando as medidas do ministro do interior.

"O presidente Abbas considera as decisões do ministro do interior Said Siam ilegais", disse o assessor Tayeb Abdel-Rahim aos repórteres em Ramallah, na Cisjordânia. Abdel-Rahim não disse por que as medidas eram consideradas foras da lei.

A Associated Press obteve uma cópia de uma carta ao Abbas enviada ao novo primeiro-ministro palestino, Ismail Haniya, que dizia: "Todos os funcionários, soldados e pessoal de segurança devem descumprir essas decisões e considerá-las inexistentes."

Siam também anunciou a formação de uma nova força de segurança composta de militantes de várias facções, cuja função seria ajudar a polícia a restaurar a ordem em áreas palestinas.

As duas medidas foram consideradas tentativas do governo liderado pelo Hamas de fortalecer seu controle sobre as forças de segurança.

Na noite de sexta-feira, um porta-voz do Ministério do Interior, Khaled Abu Hilal, disse à Reuters: "As decisões não serão congeladas e prosseguiremos com nossos planos."

Antes, em um sermão nas preces de sexta-feira em uma mesquita em Gaza, Haniya disse: "Abençôo o anúncio de ontem do irmão Said Siam, ministro do interior, de formar uma força para proteger a ordem geral."

Em Damasco, Síria, Khaled Mashal, líder do Hamas, criticou Abbas sem mencioná-lo pelo nome. "Podemos entender que Israel e os EUA estejam nos perseguindo e procurando formas de nos cercar e matar de fome, mas o que dizer dos filhos de nosso povo que estão tramando contra nós", disse Mashal, de acordo com a Associated Press.

Samhadana é líder dos Comitês de Resistência Popular, que foram responsáveis por muitos ataques contra Israel, inclusive grande parte dos recentes foguetes lançados de Gaza para o Sul de Israel. Seu grupo também é suspeito na morte de três agentes de segurança americanos em Gaza, em 2003.

Samhadana disse na sexta-feira que planejava assumir o cargo no Ministério do Interior e continuar liderando os Comitês de Resistência Popular.

O novo governo palestino "nunca nos pediu para parar de lançar foguetes", disse ele, mas "enfatizou que cabe aos líderes da resistência lançar foguetes ou não".

Em comentários separados à Reuters, Samhadana disse que "facções e serviços de segurança devem se unir em uma trincheira contra a agressão israelense diária".

Não está claro como os palestinos resolverão a briga em torno de Samhadana, ou se Abbas e Hamas conseguirão superar suas profundas diferenças políticas e construir um relacionamento de trabalho.

Abbas, líder do movimento Fatah, opõe-se aos ataques contra Israel e vem tentando reiniciar as negociações. O Hamas, por outro lado, assumiu a responsabilidade pelo maior número de atentados suicidas contra Israel nos últimos anos. Apesar da facção ter observado em grande parte uma trégua há mais de um ano, não pediu às outras que parassem os ataques e rejeitou as negociações com Israel.

Os palestinos não têm uma constituição que proveja os procedimentos para a resolução desse tipo de conflito. Eles têm a chamada Lei Básica, que efetivamente serve como constituição, apesar de ser vaga em muitas questões.

O Hamas controla os ministérios e a Assembléia Legislativa e lida com a administração diária do governo. Por outro lado, como presidente, Abbas pode vetar nomeações ou até debandar o governo.

Abbas trabalha em sua sede em Ramallah, e vem fazendo visitas ocasionais à Cidade de Gaza para consultar-se com Haniya e outros altos membros do governo. Líderes do Hamas e muitos ministros do governo estão em Gaza, e Israel recusou-se a permitir que membros do Hamas viajassem entre a Cisjordânia e Gaza.

Palestinos e israelenses trocam tiros de foguetes e artilharia quase diariamente pela cerca de Gaza. Israel retirou-se do território no último verão, mas altos oficiais cada vez mais falam da possibilidade de enviar tropas de volta à Gaza em uma tentativa de impedir o lançamento de foguetes.

"Se o preço que pagamos como resultado dos ataques tornar-se exagerado, então teremos que tomar todas as medidas, inclusive ocupar a Faixa de Gaza", disse o major Yoav Galant, comandante responsável pelo Sul de Israel, ao jornal Maariv. Radical no Ministério do Interior gera crise na Autoridade Palestina Deborah Weinberg

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