UOL Notícias Internacional
 

24/04/2006

Bin Laden orienta militantes a combater no Sudão

The New York Times
Brian Knowlton
Em Washington
Em uma nova fita de áudio, Osama Bin Laden conclama militantes a se deslocarem para o Sudão para lutar contra uma força da Organização das Nações Unidas (ONU) que foi proposta para atuar em Darfur. Além disso, ele acusa os Estados Unidos e os seus aliados europeus de travarem uma "guerra sionista-cruzada contra o islã".

Bin Laden também está pedindo ao mundo muçulmano que boicote produtos norte-americanos, aparentemente baseado no boicote aos produtos dinamarqueses que se seguiu à publicação de charges do profeta Maomé por um jornal da Dinamarca.

Ruth Fremson/The New York Times - 28.set.01 
Militantes do Taliban em manifestação anti-EUA após os atentados de 11 de setembro de 2001
A Casa Branca anunciou neste domingo (23/04) que acredita que a voz na fita seja de fato de Bin Laden, segundo divulgaram agências de notícias. Esta seria a primeira fita em três meses do líder da Al Qaeda, que se acredita estar escondido na acidentada região ao longo da fronteira entre o Paquistão e o Afeganistão. A fita foi divulgada no domingo pela rede árabe de televisão por satélite Al Jazeera.

Quando os jornalistas que viajavam com o presidente Bush na Califórnia perguntaram ao porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, sobre a fita, ele respondeu: "A liderança da Al Qaeda está em fuga e sob intensa pressão".

A fita foi gravada neste ano, já que se refere ao fato de países ocidentais terem cancelado verbas destinadas ao governo palestino liderado pelo Hamas. O Hamas chegou ao poder nas eleições palestinas de 25 de janeiro. Segundo a Associated Press, a Al Jazeera ficou com a fita por um período suficiente para que preparasse um comentário substancial sobre o seu conteúdo.

"O bloqueio que o Ocidente está impondo ao governo do Hamas prova que existe uma guerra sionista e cruzada contra o islã", acusou Bin Laden na fita. "Esta guerra é a responsabilidade conjunta do povo e dos governos ocidentais. Enquanto a guerra continua, o povo renova a sua lealdade aos seus governantes e políticos, e segue enviando os seus filhos para os nossos países para lutarem contra nós, e continuam a prestar apoio financeiro e moral enquanto os nossos países são queimados, as nossas casas bombardeadas e o nosso povo assassinado".

Não se acredita que a Al Qaeda tenha conexões diretas com o Hamas, embora ambos os grupos preguem a destruição de Israel.

A declaração gravada também criticou um acordo de paz no Sudão com o objetivo de acabar com uma guerra civil que já dura 21 anos. Bin Laden residia no Sudão antes de ser expulso pelo governo daquele país devido a pressões dos Estados Unidos.

Na fita, Bin Laden sugeriu que primeiro o Reino Unido, e depois os Estados Unidos --"por meio dos seus instrumentos internacionais, como as Nações Unidas"-- apoiaram as forças secessionistas no sul a fim de precipitar a ruptura sudanesa.

"Os Estados Unidos exploraram as diferenças entre as tribos sudanesas e transformaram tais diferenças em uma guerra cega entre elas que a tudo destrói, como preparação para o envio de tropas cruzadas para ocuparem a região e roubarem o seu petróleo", afirmou Bin Laden.

Os Estados Unidos declararam que as atrocidades em Darfur se constituem em um genocídio. Washington apóia o envio de 7.000 soldados das forças de paz da União Africana à região. Elas deverão ser reorganizadas em 30 de setembro como uma força das Nações Unidas. Nesse ínterim, os enviados da ONU dizem que a violência em Darfur tem aumentado.

Talvez até 200 mil pessoas da região de Darfur tenham sido assassinadas ou mortas pela fome e pela doença, e até dois milhões de negros que moravam nas aldeias do interior tenham sido expulsos de suas casas pelas milícias árabes que se acredita que contaram com o apoio de Cartum, embora o governo sudanês negue tal acusação.

Na gravação, Bin Laden pediu aos seus apoiadores no Sudão e na Península Árabe que se preparassem para "uma guerra de longo prazo contra os cruzados no oeste do Sudão". Mas ele também denunciou o governo de Cartum, acusando: "O governo abandonou a implementação da lei de sharia e negligenciou o sul do país". A lei de sharia é a lei islâmica tradicional.

Os líderes ocidentais têm tentado em vão persuadir o presidente Omar al-Bashir do Sudão a desarmar as milícias janjaweed, responsáveis por grande parte da violência em Darfur.

A mensagem gravada também critica o Ocidente por ter rejeitado a oferta de "uma longa trégua" feita por Bin Laden na sua fita anterior, divulgada em 19 de janeiro último pela Al Jazeera. "Ambos os lados podem gozar de segurança e estabilidade sob esta trégua, de forma que possamos construir o Iraque e o Afeganistão", disse Bin Laden naquela gravação.

Mas na fita mais recente o líder da Al Qaeda diz: "Os políticos do Ocidente não querem outro tipo de diálogo que não seja aquele no intuito de ganhar tempo. E eles também não querem uma trégua, a menos que esta seja apenas do nosso lado".

A Al Jazeera anunciou que uma parte da fita que não foi ao ar zomba do rei Abdullah, da Arábia Saudita, pelo seu pedido de "um diálogo entre as civilizações".

A fita gerou reações variadas entre os parlamentares norte-americanos.

O deputado Peter Hoekstra, republicano por Michigan e presidente do Comitê de Inteligência da Câmara, disse na Fox News que a gravação evidencia a sofisticação da Al Qaeda em uma batalha de mídia cujo objetivo é "conquistar os corações e as mentes do islamismo moderado". O deputado acrescentou: "Eles estão concentrados nesse objetivo. Nós também precisamos nos concentrar nele".

Mas os democratas afirmaram novamente que a fita expõe um fracasso crucial do governo Bush.

"Quando o presidente Bush decidiu fazer uma guerra no Iraque em vez de caçar Osama Bin Laden, nós tiramos o olho da bola", criticou o senador Carl Levin, de Michigan, integrante democrata do Comitê das Forças Armadas, em uma entrevista à CNN. Líder da organização terrorista Al Qaeda aparece em novo vídeo Danilo Fonseca

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