UOL Notícias Internacional
 

27/04/2006

Ao lado de Rumsfeld, Rice visita o Iraque para pressionar premier

The New York Times
Steven R. Weisman e David S. Cloud*

em Bagdá, Iraque
A secretária de Estado, Condoleeza Rica, e o secretário de Defesa, Donald H. Rumsfeld, fizeram uma visita não anunciada ao Iraque na quarta-feira para pressionar o novo primeiro-ministro, Nuri Kamal Al Maliki, a restabelecer a confiança da população no governo e livrar as forças de segurança do país da infiltração das milícias sectárias.

Ambos os secretários americanos também buscaram deixar as antigas diferenças de seus departamentos para trás enfatizando que trabalharão de forma mais cooperativa para fortalecer o governo iraquiano, que Al Maliki diz que deseja terminar de formar nos próximos dias.

Os secretários passaram grande parte de sua visita conjunta, que funcionários disseram ter sido ordenada pelo presidente Bush e que não tinha sido previamente anunciada por preocupações de segurança, conversando com autoridades iraquianas na altamente protegida "zona verde", no centro de Bagdá.

Funcionários do governo disseram que em sua reunião com Rice, Al Maliki falou em "restabelecer a confiança" entre os iraquianos, em agir rapidamente para restaurar o fornecimento de energia elétrica e eliminar a influência das milícias nas forças policiais iraquianas, que chegam a cerca de 135 mil em todo o país.

Com a infiltração apenas em Bagdá de cerca de milhares destas forças pela brigada Badr, uma milícia xiita cujos membros são acusados de seqüestrar e matar sunitas, as autoridades americanas disseram não saber precisamente que tipo de força ou conciliação Al Maliki usará para cumprir sua promessa.

"É claramente uma das maiores prioridades do governo", disse Rice. "A forma como farão isto é algo que penso que eles terão que definir."

Rumsfeld, ao ser perguntado sobre como as forças armadas americanas poderiam fazer o trabalho, disse: "A primeira coisa que direi é: nós não faremos. Os iraquianos o farão". O novo governo iraquiano "sem dúvida e inquestionavelmente tratará da questão", ele acrescentou. "Outros países já lidaram com estes problemas. É possível que estas coisas sejam feitas."

Mas muitos especialistas dizem que as desmobilização das milícias, ou o
desarmamento delas à força, será extremamente difícil porque são altamente armadas e possuem fortes contatos políticos com importantes figuras xiitas, cujo apoio é fundamental para que o governo de Al Maliki não entre em colapso.

O general de exército Peter W. Chiarelli, o comandante das forças terrestres americanas no Iraque, disse aos repórteres que o novo governo precisará reprimir as milícias. "Para mim este é um problema que precisa ser resolvido", ele disse. "Nós precisamos de uma política para as milícias. Nós precisamos de uma política para armas, e isto é algo que o governo tratará desde cedo."

Pelo menos na comitiva de Rice havia um clima de que a visita conjunta
poderia oferecer uma última chance de reverter alguns dos erros dos últimos três anos no fornecimento de segurança para o Iraque, restauração dos sistemas de energia e petróleo e na coibição do ódio sectário e da corrupção.

"Claramente este novo governo iraquiano deve agir em prol do povo iraquiano", disse James Wilkinson, um alto conselheiro da secretária, que ajudou a planejar a viagem dela. "Mas o novo governo também nos dá uma chance de corrigir nossos erros e fazer nossa parte para fazer o Iraque funcionar."

Brincando amistosamente com os repórteres sobre antigos comentários
interpretados como trocas de farpas entre eles, os dois secretários
americanos elogiaram Al Maliki, o indicado do bloco xiita do Parlamento
iraquiano. Ele era tão pouco conhecido antes de sua indicação que os
americanos ficaram surpresos ao saber, na quarta-feira, que ele preferia um primeiro nome diferente daquele que foi amplamente divulgado na semana passada, Jawad, seu nome de guerra durante seus anos na oposição a Saddam Hussein.

Rice disse a respeito dele: "Eu o achei bastante concentrado e ficou bem claro que ele compreende seu papel e o papel do novo governo em demonstrar que se trata de um governo de unidade nacional, no qual todos os iraquianos devem confiar e com o qual todos os iraquianos podem contar".

Não ficou claro quanto a pressão americana para a formação de um governo iraquiano acelerará o momento em que o governo Bush decidirá se haverá redução ou não de tropas ainda neste ano.

O general George W. Casey Jr., o alto comandante americano, disse que
esperará até após a posse do governo permanente iraquiano, talvez até várias semanas a mais, antes de apresentar qualquer recomendação para Bush sobre redução de tropas.

Rumsfeld disse aos repórteres em uma coletiva com Rice que espera que as reduções ocorram. Enquanto Rice e Rumsfeld se encontravam com os líderes iraquianos, a violência que tem atormentado este país prosseguia.

Os rebeldes detonaram pelo menos quatro bombas perto de patrulhas policiais em Bagdá na quarta-feira, matando três pessoas, disse um funcionário do Ministério do Interior. Pelo menos três outras morreram na quarta-feira em ataques por todo o país, e os corpos de 11 pessoas foram encontrados em Bagdá, Karbala e Kirkuk, com todos, exceto um, exibindo sinais de tortura, informou a agência de notícias "Reuters".

As forças armadas americanas disseram em uma declaração na quarta-feira que mataram 13 pessoas na terça-feira, na rebelde cidade de Yusifiya, ao sul da capital, após os soldados receberem fogo enquanto iniciavam a invasão de um refúgio de rebeldes. Cinco rebeldes foram mortos do lado de fora da casa enquanto tentavam disparar um foguete, disseram as forças armadas.

Então, disseram as forças armadas, sete homens e uma mulher no interior
foram mortos em um ataque aéreo requisitado contra a casa, depois que os soldados americanos continuaram a receber fogo de lá.

A declaração disse que todos os homens foram posteriormente encontrados
armados e que "coletes de bombas" e munição também foram encontrados na
casa.

Para a visita a Bagdá, Rumsfeld voou de madrugada de Washington e chegou ao amanhecer de quarta-feira, enquanto Rice veio de Ancara poucas horas depois. "Nós realmente queremos estar prontos para atuar ao lado deste novo governo assim que estiver pronto", disse Rice a caminho daqui.

A visita conjunta dos secretários de Defesa e Estado foi significativa dado a história de bate-bocas entre seus departamentos desde o início do planejamento para a guerra no Iraque, em 2002, quando o Pentágono removeu o Departamento de Estado das decisões políticas e de reconstrução iraquianas.

Mais recentemente, as disputas entre os departamentos em torno do
fornecimento de segurança para um sistema de equipes americanas, que
ajudaria o governo a fornecer serviços na esfera das províncias, emperrou sua implementação em cada província. O sistema, que tem sido defendido por Rice, está implementado em apenas 5 das 18 províncias do Iraque, incluindo Bagdá.

O ar de tensão veio à tona no mês passado, quando Rice comentou na
Grã-Bretanha que havia "milhares" de erros táticos no Iraque, com Rumsfeld dizendo posteriormente em uma entrevista de rádio que não sabia do que ela estava falando.

Ao ser perguntado na quarta-feira sobre se descobriu do que Rice estava
falando, ele brincou: "Ela está bem aqui e você pode perguntar para ela".

"Talvez você deva me perguntar o que eu quis dizer", respondeu Rice com um sorriso, acrescentando que ela não quis dizer "milhares" literalmente ou "no sentido militar". Ela disse que estará preparada para analisar os erros do governo assim que voltar a escrever sobre história, mas não agora.

Posteriormente, Rice disse à "Fox News": "O secretário e eu temos um
relacionamento excelente e estamos tendo um bom momento aqui no Iraque".

Ao ser perguntada sobre se a presença deles tão rapidamente após a nomeação de Al Maliki poderia fazê-lo parecer um fantoche americano, Rice negou.

"Eu não acho que há qualquer dúvida na mente de ninguém que os 11 milhões de iraquianos que saíram para votar estavam exercendo a soberania e que este primeiro-ministro pretende fazer o que acha ser melhor para o povo iraquiano", ela disse, chamando o governo dele de "o processo mais democrático no Oriente Médio".

*Richard A. Oppel Jr. contribuiu com reportagem para este artigo, em Bagdá. George El Khouri Andolfato

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