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29/04/2006

Presidente dá novo tom a debate

The New York Times
Jim Rutenberg

em Washington
O presidente Bush nunca foi tímido em falar espanhol em público e sabe-se que gosta de todos os tipos de música: country, folk e até um estilo de rock texano-mexicano. Mas uma coisa você nunca encontrará em seu
Ipod: "Nuestro Himno", a nova versão espanhola do hino nacional que foi lançada na sexta-feira (28/4) como parte do crescente movimento pelos direitos dos imigrantes.

Perguntado em uma entrevista coletiva no Jardim das Rosas na sexta-feira se acreditava que o hino teria o mesmo valor em espanhol do que em inglês ele disse diretamente: "Não, não acho."

"E acho que as pessoas que querem ser cidadãs deste país precisam aprender inglês", disse Bush. "E precisam aprender a cantar o Hino Nacional em inglês."

Bush tentou ocupar o terreno do meio no debate sobre a imigração, apoiando a lei que daria aos trabalhadores imigrantes status legal temporário e talvez um caminho à cidadania, mas pressionando os imigrantes a aprenderem inglês e invocando mais medidas para impedir nova imigração pela fronteira. No entanto, sua declaração sobre o hino nacional foi um sinal claro aos conservadores de que estava com eles no que muitos vêem como um confronto entre a identidade nacional e o multiculturalismo.

Suas observações tocaram diretamente na questão do impacto dos imigrantes na cultura da nação, cristalizada com o lançamento da versão em espanhol do hino, livremente traduzida e cantada por astros da língua espanhola como Gloria Trevi e Carlos Ponce.

Adam Kidron, diretor executivo do selo que lançou a nova versão do hino, Urban Box Office Records, declarou que a música ajudava aos que não falam inglês a "compreender plenamente o caráter da bandeira americana e os ideais de liberdade que representa".

A canção, que inclui algumas diferenças da letra original, foi distribuída para estações de rádio em língua espanhola, muitas das quais vêm encorajando nas últimas semanas grandes números de manifestantes a irem as ruas. Outra grande ação está marcada para muitas cidades na segunda-feira, quando alguns grupos de direitos de imigrantes farão um boicote econômico nacional.

O hino, porém, alimentou uma reação no rádio, Internet, redes de televisão a cabo e no Capitólio, com conservadores reclamando que estava estimulando a balcanização cultural que tanto temiam.

Os comentários de Bush foram impressionantes para um presidente que abraçou o espanhol em sua vida política. Bush cresceu em Midland, Texas, ao lado de crianças que falavam espanhol. Como político que se tornou governador e concorreu para a presidência tentando construir uma coalizão republicana mais ampla, aproveitou todas as chances que teve para conquistar a população hispânica crescente.

"Ele reconheceu que o Texas estava rapidamente se transformando em um Estado com mais hispânicos e afro-americanos do que anglo-saxões", disse o senador Lamar Alexander, republicano do Tennessee, que planeja apresentar uma resolução na segunda-feira para "lembrar ao país" porque o hino nacional é cantado em inglês.

Bush tratou os hispânicos como importante bloco de votos durante as duas últimas campanhas presidenciais. Ele estrelou em sua própria propaganda em idioma espanhol e foi o primeiro presidente a dar seu discurso semanal no rádio em espanhol. (A Agência EFE de notícias certa vez falou que ele falava mal "mas com muita confiança").

Bush aventurou-se a falar espanhol na sexta-feira, mas em território relativamente seguro, enquanto ressaltava a necessidade de policiamento mais rígido nas fronteiras. Ele usou a pronúncia em espanhol para "coiotes", como são chamados os contrabandistas.

Democratas e republicanos disseram que Bush parecia estar deixando claro aos conservadores -os que se opõem à nova lei de imigração nos itens que criam a posição de trabalhador convidado e a possibilidade de cidadania, tanto na base quanto no Congresso- que havia limites ao seu apoio ao programa pró-imigração.

Se o Senado aprovar a lei de imigração neste ano, Bush terá um papel central em trabalhar um acordo com a Câmara, que aprovou um projeto de lei que trata apenas da segurança na fronteira. A lei de imigração cria o programa do trabalhador convidado e um caminho à cidadania para alguns trabalhadores ilegais nos EUA -itens que a maior parte dos conservadores se opõe.

"O presidente está trabalhando duro para aprovar a lei e jogou um osso para a direita", disse Simon Rosenberg, presidente do New Democrat Network, grupo de centro que se concentra em assuntos hispânicos.

Membros da Casa Branca disseram que Bush não estava agindo politicamente e que sempre acreditou que os novos imigrantes devem adotar a língua e cultura nacionais.

Os comentários de Bush foram feitos durante uma sessão ampla com repórteres na qual ele também disse que se opunha firmemente aos pedidos no Congresso para um imposto sobre lucros inesperados de companhias de petróleo. Deborah Weinberg

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