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01/05/2006

Americano é anistiado por Karzai e libertado de prisão afegã

The New York Times
Carlotta Gall*
em Cabul
Um norte-americano preso aqui após ser considerado culpado de montar um cárcere privado e de torturar detentos foi libertado no domingo (30/04) após ser anistiado pelo presidente do Afeganistão.

O presidente Hamid Karzai permitiu, antes do prazo previsto, a libertação de Edward Caraballo, 44, um cineasta independente do Bronx, e de todos os outros detentos que tinham menos de um ano de pena ainda por ser cumprida. As anistias foram concedidas em homenagem aos feriados nacionais que comemoram o aniversário do profeta Maomé e a derrota do comunismo no Afeganistão.

Caraballo foi condenado em 2004, juntamente com dois outros norte-americanos, Jonathan K. Idema, conhecido como Jack, e Brent Benett. Os dois são ex-membros das forças armadas dos Estados Unidos. Os três homens foram detidos em uma casa em Cabul, na qual as forças de segurança afegãs disseram ter encontrado prisioneiros afegãos e sinais de interrogatórios. Idema e Bennett, que estão cumprindo penas de cinco e três anos de prisão, respectivamente, continuam encarcerados.

"Não vou confiar nesta notícia até que eu seja realmente solto", disse Caraballo da prisão, usando um telefone celular emprestado, horas antes de embarcar no avião no domingo. Ele disse que funcionários da Embaixada dos Estados Unidos e o chefe da prisão afegã foram os primeiros a informá-lo de que seria libertado no sábado, recomendando que se preparasse para deixar a penitenciária à tarde. "Estou pronto para isso", disse ele, referindo-se ao choque de sair de uma prisão afegã e retornar aos Estados Unidos. "Tudo o que quero é voltar e ver a minha filha".

Caraballo tem procurado convencer as autoridades afegãs da sua inocência, distanciando-se de Idema e Bennett. Ele disse que era um jornalista que filmava o grupo de Idema, e que não estava envolvido nas atividades da organização no sentido de encontrar terroristas. A sua sentença original de oito anos foi reduzida após ele ter entrado com um recurso na justiça no ano passado.

Um comboio de veículos da Embaixada dos Estados Unidos escoltou Caraballo até o aeroporto. Um funcionário do aeroporto afegão disse que a embaixada pediu que os repórteres fossem impedidos de falar com Caraballo.

Durante o julgamento, Caraballo teve poucas oportunidades de fazer comentários sobre o seu caso. O tribunal considerou todos os três homens e mais quatro funcionários afegãos culpados de envolvimento com a detenção e a tortura de oito afegãos presos pelo grupo. Vários dos detentos atuaram como testemunhas no julgamento.

Caraballo afirmou que a sua libertação da prisão Pul-i-Charkhi, em Cabul, foi acelerada depois que ele escapou por pouco de ser linchado durante uma rebelião no presídio em fevereiro último. Pelo menos cinco pessoas morreram durante a rebelião.

Todos os três norte-americanos foram encarcerados na Pul-i-Charkhi, uma ampla penitenciária projetada pelos russos, que abriga mil detentos, alguns deles suspeitos de terem vínculos com o Taleban e a Al Qaeda. Prisioneiros suspeitos de pertencerem à Al Qaeda atacaram guardas carcerários em duas ocasiões, e a seguir tentaram chegar até os detentos norte-americanos, em aparentes tentativas de matá-los.

Em um processo contínuo de violência, três soldados afegãos foram mortos no domingo por uma bomba instalada à beira da estrada, ativada por controle remoto, segundo anunciou a agência de notícias Reuters. Três outros soldados afegãos ficaram feridos na explosão, que ocorreu na província de Helmand, a região no sul do país na qual estão estacionados 3.500 soldados britânicos.

Na manhã de domingo, o corpo de um engenheiro indiano seqüestrado com o seu motorista afegão na tarde da última sexta-feira foi encontrado decapitado na principal estrada no sul do Afeganistão, segundo informaram as autoridades afegãs. Um porta-voz do Taleban assumiu a responsabilidade pelo seqüestro.

O Taleban deu um prazo de 24 horas para que o governo da Índia retirasse todos os trabalhadores e diplomatas indianos do Afeganistão, em troca da libertação do refém.

O engenheiro, identificado apenas como Surayanarayan pela sua firma, a companhia telefônica Roshan, foi morto quanto tentava escapar na manhã de domingo, informaram membros do Taleban. "Quando ele tentou fugir, o mujahedin deu-lhe um tiro nas costas", disse no domingo, em uma entrevista por telefone, Qari Muhammad Yousof Ahmadi, o porta-voz do Taleban. "Nós queríamos negociar e conceder mais tempo, mas tudo aconteceu subitamente".

Ele negou que o engenheiro tenha sido decapitado, mas acrescentou que "combatentes irresponsáveis" podem ter feito tal coisa. Segundo Ahmadi, o motorista afegão foi libertado ileso.

*Rahullah Khapalwak, de Cabul, contribuiu para esta matéria. Homem preso após ser considerado culpado de montar um cárcere privado e de torturar detentos é solto Danilo Fonseca

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