UOL Notícias Internacional
 

03/05/2006

Três condenados e 3 absolvidos em roubo de quadros de Munch

The New York Times
Walter Gibbs

Em Oslo, Noruega
Três de seis homens acusados pelo roubo em 2004 das pinturas de Munch "O Grito" e "Madonna" foram declarados culpados na terça-feira
(02/5) pela Corte do Distrito de Oslo e condenados à prisão por quatro a oito anos.

Dois dos homens também foram obrigados a devolver à cidade US$ 121 milhões (em torno de R$ 242 milhões), o valor do seguro dos quadros que continuam desaparecidos.

Os promotores se disseram satisfeitos com o resultado do julgamento e sugeriram que as penas financeiras talvez persuadam algum dos condenados a revelar o paradeiro da arte desaparecida. Esses trabalhos expressionistas do século 19 estão entre os maiores tesouros culturais da Noruega.

Se os quadros forem encontrados, a cobrança de US$ 121 milhões será retirada, como determina a lei norueguesa. Em entrevista, o promotor do Estado, Terje Nyboe, também ofereceu obter uma sentença mais leve com um recurso para o condenado que levar as autoridades aos Munch perdidos.

As três absolvições de terça-feira refletiram lacunas na investigação da polícia. Não se discute que dois ladrões mascarados arrancaram as obras violentamente das paredes do Museu Munch, no dia 22 de agosto de 2004, enquanto 80 visitantes acovardaram-se ou estavam distraídos em galerias laterais. Os ladrões -um dos quais ameaçou funcionários do museu com uma pistola Magnum .357- levaram as pinturas com molduras pesadas para uma van preta da marca Audi, guiada por um cúmplice, e desapareceram.

A investigação da polícia incluiu uma análise forense do Audi, que os homens em fuga abandonaram a cerca de 1,5 km do roubo, grampos de milhares de telefonemas entre figuras do submundo norueguês e a vigilância de suspeitos por vários meses. Em certo momento, os agentes secretos chegaram extremamente perto dos quadros roubados, mas perderam a pista novamente.

Entre os absolvidos estava Stian Skjold, 30, o único réu acusado pelos promotores de ter entrado no museu. Dois suspeitos relativamente periféricos também foram absolvidos: Morten Hugo Johansen, 39, que tinha sido acusado de ajudar de obter o carro de fuga, e Thomas Nataas, 36, piloto de corridas profissional acusado de esconder os quadros em seu ônibus por um mês.

Petter Tharaldsen, 34, criminoso de carreira que a polícia acusa de dirigir o carro de fuga foi condenado a oito anos de prisão e a pagar metade da compensação de US$ 121 milhões. Ele vai entrar com recurso.

Bjorn Hoen, 38, acusado de ser o principal organizador do plano, foi condenado apenas por adquirir o Audi para propósitos criminais e tentar negociar a venda dos quadros depois do roubo. Na corte, os promotores apresentaram fitas de conversas telefônicas entre Hoen e outro réu, Petter Rosenvinge, 38, nas quais discutiram vagos esforços para vender as pinturas. Hoen foi condenado a sete anos de prisão e a pagar a outra metade da compensação.

Rosenvinge, ex-proprietário do Audi, foi condenado a quatro anos por vender o carro de fuga para Hoen e participar do plano. Ambos estão apelando de suas sentenças.

Em seu testemunho, Skjold negou ter conhecimento do roubo, mas admitiu que no dia 24 de setembro de 2004 transferiu os quadros, guardados em um saco de lixo, de um ônibus estacionado de propriedade de Nataas para a mala de um carro, que partiu rapidamente.

Skjold disse que tinha sido contratado para fazer a transferência, mas que não sabia por quem e que nunca foi pago. Investigadores seguindo Skjold testemunharam a transferência a poucos quilômetros a oeste de Oslo, mas não intervieram em tempo de resgatar os quadros.

O presidente do conselho de três juizes do tribunal, Arne Lyng, notou no julgamento que Skjold não poderia ser condenado pelo manuseio de propriedade roubada porque tinha sido acusado apenas de roubo. Um dos promotores, Morten Hojem Ervik, disse que, sob a lei norueguesa, Skjold agora poderia ser julgado por lidar com propriedade roubada e que talvez de fato fosse. Além disso, a promotoria tem o direito a apelar, então nenhuma das decisões necessariamente será mantida.

Nataas, o piloto de corridas, admitiu que as pinturas tinham sido guardadas em seu ônibus depois do roubo, mas disse que foram colocadas ali contra sua vontade. Tharaldsen tinha pedido permissão antes do roubo para "colocar uma coisa" no ônibus, disse Nataas, mas ele negou. Mais tarde, ele encontrou as pinturas no ônibus, mas não chamou a polícia. Lyng disse que as ações de Nataas eram "dignas de crítica", mas passivas demais para serem punidas.

"O Grito", pintado com têmpera em cartolina em 1893 está entre as obras de arte mais reconhecidas no mundo e é muito usado na cultura popular. Outra versão dele, talvez um pouco mais velha, está na Galeria Nacional, do outro lado da cidade. Ela também foi roubada em 1994, mas foi recuperada quatro meses depois em uma operação da polícia. Munch também fez pelo menos dois pastéis e vários desenhos preliminares do trabalho. "Madonna", pintado em 1893-94, mostra uma mulher nua e com uma auréola aparentemente entre o êxtase e a morte. Uma segunda versão do quadro também está em exibição no Museu de Arte Nacional. As versões desaparecidas ficaram na posse do artista por grande parte de sua vida; ele as doou em testamento para a cidade em sua morte em 1944, aos 80 anos.

A prefeitura ofereceu uma recompensa de US$ 323.000 (em torno de R$ 646.000) por uma pista que leve à recuperação dos quadros roubados. Deborah Weinberg

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