UOL Notícias Internacional
 

04/05/2006

Júri pede prisão perpétua para Moussaoui

The New York Times
Neil A. Lewis e David Stout

em Alexandria, Virgínia
Um júri de corte federal decidiu poupar a vida de Zacarias Moussaoui na quarta-feira (03/5) e enviá-lo à prisão para o resto de seus dias, em vez de condená-lo à morte pela carnificina de 11 de setembro de 2001.

Andrew Councill/The New York Times 
Carrie LeMack, que teve a mãe morta nos ataques do 11 de setembro, fala à imprensa

O júri, constituído por nove homens e três mulheres, chegou à decisão sete dias antes de contar para o juiz Leonie M. Brinkema da Corte de Distrito, na tarde de quarta-feira, que tinha escolhido salvar a vida da única pessoa julgada nos EUA pelos ataques que mataram quase 3.000 pessoas.

Edward Adams, porta-voz do tribunal, não disse se a decisão de poupar Moussaoui tinha sido unânime ou se os jurados não tinham alcançado unanimidade para a sentença de morte. A falta de unanimidade em pena de morte também salvaria a vida de Moussaoui.

"América, você perdeu!" gritou Moussaoui quando foi levado do tribunal, depois que o veredicto foi anunciado. Seus rompantes e declarações tornaram-se rotina.

Adams disse que os jurados foram unânimes em vários fatores que pesaram contra o réu: que ele queria que os atos terroristas resultassem em mortos ou feridos, e que demonstrou falta de remorso por seus erros, por exemplo.

No entanto, alguns jurados também acataram fatores em favor de Moussaoui: que ele tinha conhecimento limitado do plano de 11 de setembro, por exemplo.

Nenhum jurado acreditou que Moussaoui fosse psicótico, disse Adams, apesar dos esforços da defesa em mostrar que o cliente entrava e saía de estados de doença mental.

Apesar de Moussaoui testemunhar que tinha orgulho de pertencer à Al Qaeda e se deliciar nos ataques de 11 de setembro, seus advogados retrataram-no como um terrorista parasita espalhafatoso, que não conseguiu nem evitar a detecção semanas antes dos ataques. Executá-lo, os advogados argumentaram, seria dar a ele o martírio que ele não merecia.

"Mostrem alguma coragem", disse o advogado de defesa Gerald T. Zerking aos jurados antes de começarem a deliberar, acrescentando que o julgamento "é mais sobre nós do que sobre ele".

Os jurados reagiram aos argumentos dos promotores de que a morte por injeção letal era a única punição adequada. "Não há lugar na Terra para Zacarias Moussaoui", disse o promotor David Raskin aos jurados.

Mas há: uma cela de prisão. Brinkema vai pronunciar formalmente a sentença de prisão perpétua na manhã de quinta-feira.

O júri não decidiu se Moussaoui era culpado ou não. Ele fez isso sozinho meses atrás, quando assumiu sua culpa por conspiração nos ataques de 11 de setembro.

Os jurados decidiram que Moussaoui de fato era culpado ao menos de algumas das mortes daquele dia porque, apesar de já estar preso por questões de imigração, ele escondeu o que sabia sobre o plano terrorista.

Em seguida, os jurados pesaram os fatores agravantes, como o horror dos ataques e o dano emocional sobre os parentes das vítimas, contra os fatores amenizantes, como a infância turbulenta de Moussaoui e sua possível instabilidade mental e emocional. Depois de pesar esses fatores, eles votaram em favor de poupar a vida de Moussaoui.

Dale, no entanto, disse que os jurados rejeitaram não só a sugestão de que Moussaoui era psicótico, mas qualquer noção de que ele tinha se perdido espiritualmente por uma infância caótica -e portanto suscetível ao terrorismo islâmico militante.

Os advogados de Moussaoui, nomeados pela corte, enfrentaram obstáculos consideráveis. Ele se recusou a cooperar, ou mesmo se comunicar com eles. Algumas vezes, o réu parecia entediado, outras, divertido ou desdenhoso.

Além disso, afirmou que festejou na prisão quando viu relatos na televisão dos ataques ao World Trade Center e o Pentágono e o acidente do vôo 93 da United na Pensilvânia.

O julgamento de Moussaoui, francês de 37 anos de descendência marroquina, foi marcado por momentos de emoção e horror. Durante todo o tempo, o réu ficou sentado a metros de distância dos advogados que estavam lutando para salvar sua vida.

Algumas vezes, ele parecia estar fazendo o melhor para atrapalhá-los, como quando zombou do sofrimento dos que perderam parentes ou pareceu indiferente aos relatos dos que escaparam da seção incendiada do Pentágono e ainda sentem culpa pelos que não conseguiram sair.

Os promotores chamaram para testemunhar pessoas que perderam parentes nas Torres Gêmeas ou no Pentágono, ou a bordo de um dos quatro jatos malfadados.

Mas a defesa chamou testemunhas similares que afirmaram que, independentemente de seu sofrimento, não queriam que Moussaoui fosse executado.

Usando um macacão verde da prisão e um gorro branco, Moussaoui era uma figura rechonchuda e parecia tudo menos um frio terrorista. Suas afirmativas bombásticas rotineiras quando estava saindo para os recessos pareceram despertar pouca emoção na corte.

Mas os relatos dos que sofreram perdas pessoais no dia 11 de setembro de
2001 produziram lágrimas entre jurados e a platéia. Um sentimento coletivo de horror e pesar desceu sobre o ambiente quando a promotoria passou vídeos das pessoas pulando para a morte para escapar das chamas que envolviam as Torres Gêmeas.

Um dos momentos mais dramáticos foi a apresentação da gravação de voz da cabine nos minutos finais do vôo 93 da United. O gravador capturou os sons dos passageiros tentando entrar na cabine para retomar o avião dos seqüestradores.

"Na cabine!" grita um homem. "Se não, morreremos!" Momentos depois, o avião virou e mergulhou em um campo na Pensilvânia. Deborah Weinberg

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