UOL Notícias Internacional
 

04/05/2006

Plano da Casa Branca para gripe aviária tem recepção ambígua

The New York Times
Gardiner Harris*

em Washington
Autoridades de saúde estaduais e locais disseram que apreciaram o mais recente plano do governo federal para lidar com um surto pandêmico de gripe, mas algumas se queixaram que o governo Bush fracassou em fornecer o dinheiro necessário para pagar pela longa lista de recomendações do plano.

O plano é o mais recente esforço do governo para detalhar como agências federais, estaduais e locais devem reagir em caso de uma variedade virulenta de gripe ameace os Estados Unidos.

"Nós não esperamos que um fechamento das fronteiras a impediria de chegar aqui", disse a conselheira de segurança doméstica do presidente, Fran Townsend, em uma coletiva de imprensa.

O plano também diz que um fechamento seria imensamente caro.

Mas o governo provavelmente limitaria o número de aeroportos capazes de aceitar vôos internacionais e fiscalizaria atentamente os viajantes.

As viagens domésticas também poderiam ser restringidas, com as autoridades provavelmente aconselhando o cancelamento de férias, orientando as pessoas a manterem uma distância de 1 metro umas das outras e, talvez, a manterem as crianças em casa e longe da escola.

O plano surge em meio às preocupações internacionais com variedade
particularmente perigosa de gripe aviária que tem dizimado bandos de aves selvagens e de criação. O vírus já infectou 205 pessoas e matou 113, mas não é transmitido facilmente entre os seres humanos.

Se ele se tornar mais facilmente transmissível, alguns especialistas dizem que ele poderia matar dezenas de milhões de pessoas. Outros especialistas dizem que tal transformação é altamente improvável.

"Eu devo deixar claro desde o início que nós não sabemos se o vírus das
aves, que temos visto no exterior, algum dia se tornará um vírus humano", disse Townsend. "Além disso, não há como prever quão severa seria uma pandemia."

O plano de 227 páginas estima que um terço da população poderia ser
infectada, 2 milhões de pessoas poderiam morrer, 40% dos trabalhadores
poderiam se ausentar do trabalho durante o auge da epidemia e US$ 600
bilhões em renda poderiam ser perdidos em todo o país.

Se tumultos irrompessem e sobrepujassem a Guarda Nacional, o presidente
poderia convocar o Exército para estabelecer a ordem, declara o plano.

O dr. Josh Sharfstein, o comissário do Departamento de Saúde de Baltimore, disse que as muitas recomendações do plano são bem-vindas, mas que ele oferece "novas expectativas sem novos recursos".

O plano pede que os governos locais encontrem uma forma de lidar com o
aumento de pacientes em hospitais, cuidem de ainda mais pacientes em casa e comprem milhões de dólares em drogas antivirais - e paguem por tudo isto a partir de seus orçamentos já estressados, disse Sharfstein.

"Nós faremos tudo o que pudermos", ele disse.

Townsend disse que os preparativos para uma pandemia de gripe nas esferas local e estadual "deve ser uma prioridade para alocação de recursos e planejamento".

O Congresso destinou neste ano US$ 3,8 bilhões para pagar pelos preparativos para uma pandemia de gripe, como a compra de medicamentos e vacinas. O governo Bush gastou US$ 1,8 bilhão desta verba até o momento, apesar de Townsend ter dito que todo o dinheiro terá sido gasto até outubro.

O senador Tom Harkin, democrata de Iowa e que tem sido um dos maiores
defensores de preparativos para uma pandemia de gripe, disse que o governo tem sido lento na implementação de seus próprios planos e no gasto do dinheiro já alocado.

Um projeto de lei que fornece US$ 2,3 bilhões adicionais para os
preparativos para gripe está tramitando no Congresso e Townsend disse que o governo espera pedir por mais US$ 1 bilhão em 2008. Ainda assim, muito pouco deste dinheiro deverá ir para os departamentos de saúde estaduais e locais.

Em novembro, o presidente Bush revelou um plano diferente para gripe, que em grande parte descrevia como as autoridades de saúde pública deveriam reagir no caso de uma epidemia de gripe. Aquele plano foi criticado pela falta de detalhes operacionais específicos sobre quem faria o quê e quando. Muitos sugeriram que tais detalhes eram necessários para evitar o tipo de confusão que atrapalhou a resposta do governo ao furacão Katrina.

O governo prometeu fornecer os detalhes e na quarta-feira apresentou muitos deles. Dividido em nove capítulos, o plano fornece uma lista de tarefas que os departamentos federais devem completar em caso de uma pandemia.

Um grande obstáculo em relação ao ano passado tem sido o debate sobre quem estará no comando da resposta do governo. O plano declara que o secretário de Saúde e Serviços Humanos lideraria a resposta médica e de saúde federal, mas que o secretário de Segurança Interna "é responsável pela coordenação das operações e recursos federais".

A senadora Hillary Rodham Clinton, democrata de Nova York, disse que estes termos não resolvem a questão da liderança.

"Segundo o plano do presidente, nós ainda não sabemos quem é o responsável dentro de nosso governo federal", disse Hillary Clinton.

Os especialistas também debatem há meses quem deveria ser vacinado primeiro quando a vacina estiver disponível -policiais ou médicos, agentes funerários ou entregadores de comida, pessoal do exército ou da patrulha de fronteira? O governo ainda não resolveu este assunto difícil.

"Nós estamos discutindo ativamente estas questões por todo o governo", disse Townsend.

A questão é particularmente tensa porque a vacina provavelmente levaria pelo menos cinco meses para ser produzida a partir do momento em que a epidemia tivesse início.

Mary Selecky, a secretária de Saúde do Estado de Washington, disse que o plano do governo ajudará o Estado dela a alinhar seus esforços com os do governo federal. Ela ficou particularmente satisfeita com o fato do governo ter prometido fornecer um plano nacional para lidar com os viajantes estrangeiros.

"No Noroeste, nós temos 42 mil viajantes indo e vindo da Ásia a cada semana", disse Selecky. "Nós não queremos ter que lidar de forma isolada com um avião carregando pessoas potencialmente infectadas."

Mas como seus pares em outros Estados, ela se queixou de que o governo não está ajudando os Estados a arcarem com os custos dos preparativos para gripe.

"Eles nos deram uma lista de trabalho que esperam que realizemos, mas apenas nos deram um ajuda financeira minúscula única", disse Selecky. "Nós precisamos de um esforço sustentado."

O dr. Irwin Redlener, diretor do Centro Nacional para Prontidão para
Desastres na Universidade de Colúmbia, reforçou as queixas das autoridades estaduais.

"Há uma desconexão entre a retórica sobre o que é necessário e os recursos disponíveis", disse Redlener. "Esta é a mãe de todos os mandados não financiados."

O dr. William Schaffner, o presidente do departamento de medicina preventiva da Universidade Vanderbilt, disse que o plano do governo é "realista" no parecer contrário ao fechamento das fronteiras e disse que as cidades e estados precisam se preparar.

"As municipalidades não podem contar que os federais sejam a cavalaria que cruza a colina para resgatar toda cidade americana de uma pandemia de influenza", ele disse.

* Lawrence K. Altman e Donald McNeil contribuíram com reportagem em Nova York para este artigo. George El Khouri Andolfato

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