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04/05/2006

Uma grande pergunta para o minúsculo PC da Microsoft: por quê?

The New York Times
David Pogue
Como dizem, eles lhe ensinam no curso de jornalismo a sempre perguntar:
quem, o quê, quando, onde e por quê.

Nesta semana, a Microsoft apresentou um novo tipo de computador chamado Ultra Mobile PC -e tem boas respostas para quatro destas perguntas.

Quem: a Microsoft projetou o conceito de hardware e escreveu o software para ele, como fez nos últimos anos para palmtops, celulares e media centers. Até o momento, empresas como Samsung, Asus e TabletKiosk assinaram contratos para produzir e vender Ultra Mobile PCs.

O quê: No mês passado, "o quê" era exatamente o que a Microsoft queria que as pessoas se perguntassem. Em uma tentativa ao estilo Apple de usar suspense como ferramenta de marketing, a Microsoft soltou pistas sobre um misterioso projeto chamado Origami e distribuiu vídeos semanais com legendas enigmáticas ("você me conhece? Como posso mudar sua vida?"). O Origami -o Ultra Mobile PC- revelou ser um PC muito pequeno com tela de toque. A Microsoft recomenda uma tela de toque de sete polegadas, 900 gramas de peso, rede sem fio e, é claro, Windows XP.

Com 23 X 14 X 2,5 cm, a máquina resultante ou é um dos menores laptops com Windows do mundo -tão pequeno que não há teclado, trackpad ou drive de CD- ou um palmtop que é tão grande que é preciso duas mãos para operá-lo.

O Q1 da Samsung é o primeiro Ultra Mobile PC. É uma caixa de plástico preto reluzente que custa US$ 1.100 -duas vezes o preço de laptops com
configuração semelhante. Ele possui dois conectores USB, uma conexão de
Ethernet, antenas para conexão móvel Wi-Fi e Bluetooth, um slot Compact
Flash (para cartão de memória de câmera) e uma saída de vídeo para projetor ou monitor externo.

Dentro, há um disco rígido de 40 gigabytes, 512 megabytes de memória e um processador Celeron de 900 megahertz. Se isto soa lento, você está certo; este é provavelmente o computador mais lento que você usará em anos. O simples ligar do Q1 leva dois minutos (40 segundos para sair do modo espera).

A resolução padrão da tela do Ultra Mobile PC é de estranhos 800 X 480
pixels. São dimensões tão peculiares que, de fato, muitas das próprias
caixas de diálogo do Windows não cabem. Mesmo quando estão coladas contra o topo da tela, elas ultrapassam a borda inferior da tela -de forma que botões importantes como OK, Imprimir e Cancelar são impossíveis de clicar. No ramo de software, isto é conhecido como um Grande Oops.

Em tais situações, há uma forma de contornar. Você pode pressionar um botão para escolher uma de duas resoluções maiores de tela: 800 X 600 pixels ou 1024 X 600 pixels. Isto não é uma mágica ao estilo Harry Potter, que cria novos pixels do nada; a tela ainda possui apenas 800 X 480 pixels de fato. Em vez disso, estes modos são simulações, criadas por meio de truques de software e resultam em uma leve distorção e texto borrado.

Segurar um Ultra Mobile PC em suas mãos é muito legal e empolgante pelos primeiros 30 segundos e certamente chamará a atenção das pessoas.
Infelizmente, seu próximo impulso é tentar fazer algo com este computador -e é aí que você descobre que não há teclado, mouse ou trackpad.

É possível sobreviver ao problema do trackpad, graças em parte à tela de toque. Se algo na tela é grande o bastante, você pode tocá-la com seu dedo. Esta é a idéia por trás do Program Launcher (lançador de programa), um overlay animado, de ótima aparência, do Windows XP que oferece botões grandes e ajustáveis de categoria (Conectar, Escutar, Play e assim por diante) que ajudam a organizar grandes botões de programas (Internet Explorer, Media Player e assim por diante).

Quando os alvos não são tão grandes -os minúsculos ícones do sistema, por exemplo- você pode tocar a tela com a trivial caneta de plástico.

Você também pode mover o cursor empurrando um botão texturizado, de oito direções, com seu polegar esquerdo -enquanto pressiona um botão rotulado Menu com seu polegar direito. E você pode "clicar o mouse" pressionando o botão Mudar Resolução enquanto também pressiona o botão Menu.

Infelizmente, mesmo se você dominar estas combinações sem sentido de botões, o botão direcional não permite que você controle a velocidade do movimento do cursor ou mudar a direção no meio do caminho. É melhor você usar a caneta.

A ausência de teclado é um problema mais difícil de resolver. A Microsoft já enfrentou este desafio antes, quando criou o Tablet PC (um laptop tela de toque). E por rodar a versão Tablet PC do Windows XP, o Ultra Mobile PC herda as mesmas ferramentas. Por exemplo, há um teclado na tela; uma janela de reconhecimento de escrita de mão que oferece excelente precisão mas torna a edição brutalmente frustrante; reconhecimento de fala rudimentar; e Windows Journal, um programa para anotações em forma livre que permite que você apague, busque e mova suas frases escritas à mão.

(Em sua orientação vertical -você pode rodar a imagem na tela- você poderia esperar que o Samsung seria excepcional para uso do Windows Journal, mas ele é inútil desta forma. A tela não é inteligente o bastante para saber o que a está tocando -assim, se você encostar qualquer parte da mão na tela, você obtém uma linha maluca de "tinta".)

Como alternativa, a Microsoft oferece um novo teclado na tela chamado Dial Keys. Ela exibe as metades direita e esquerda de um teclado dividido nos cantos inferiores da tela, distribuídos em arcos concêntricos para se ajustar ao alcance dos polegares.

É um bom conceito. Infelizmente, não apenas estes imensos quartos de círculo obscurecem seu documento como você também não sente as teclas. Teclar com seus polegares é marginalmente mais fácil do que usar o teclado retangular na tela, mas ainda assim lento e desajeitado; por exemplo, você precisa mudar os modos para acessar os números e outros símbolos básicos.

Caneta, botão direcional, dois teclados na tela, reconhecimento de escrita, combinações de botões para clicar como mouse -quantos esquemas! E quão desnecessários; o mouse e o teclado solucionaram os problemas de entrada de texto e controle de cursor há décadas. É como se a Microsoft tivesse inventado um carro com pára-brisa opaco -e então concebeu uma câmera e periscópio para que você pudesse ver para onde está indo.

Quando: O Samsung já está disponível e seus sucessores chegarão a tempo para as festas. Mas nada nesta primeira lembra o que Bill Gates previu um ano atrás: uma máquina de meio quilo, com duração da bateria por todo o dia e preço entre US$ 500 e US$ 800. Tal sonho, reconhece a Microsoft, ainda levará anos.

Onde: Como é difícil demais dar entrada em texto, poucos tentarão utilizá-lo para e-mail, programação, processamento de texto ou aplicativos que exijam melhor visualização.

Mas um Ultra Mobile PC pode ser útil em apresentações em sala de diretoria. Você pode conectar um projetor e usar o PowerPoint sem ter que enfrentar as dificuldades de trazer um laptop.

Mesas dobráveis de avião também vêm a mente. A execução de música, foto e vídeo é muito fácil de operar apenas com os dedos e o Samsung possui dois alto-falantes estéreo e um apoio dobrável que levanta o aparelho.

Mas tenha em mente que a bateria dura apenas cerca de três horas. Pior, não há drive de DVD. Você pode comprar filmes pela Internet, mas precisará de um drive externo da Samsung (US$ 220, ou US$ 300 por um superfino); sem ele, você terá dificuldade para instalar software.

Por quê: Esta, é claro, é a grande pergunta sem resposta.

O Ultra Mobile PC existe porque os laptops comuns são grandes demais? Não, porque você pode conseguir um laptop pleno com aproximadamente o mesmo tamanho. Por exemplo, o Fujitsu Lifebook P7120 é apenas ligeiramente maior e mais caro -mas lhe dá um teclado, trackpad, uma tela muito maior, processador mais rápido e drive interno de CD/DVD. (Mesmo o minúsculo Oqo, um computador com Windows pequeno o bastante para um bolso de casaco, tem um teclado físico ao estilo BlackBerry.)

O Ultra Mobile PC existe porque uma tela de toque pode ser útil em nichos como investigações de seguro e entregas? Talvez. Mas a velocidade e flexibilidade do Tablet PC fariam muito mais sentido, além de custa centenas de dólares a menos.

A Microsoft merece algum crédito por tentar sacudir o status quo. Mas é
triste que o Ultra Mobile PC pareça tão errado. Ele visa preencher a lacuna entre um palmtop e um laptop, mas acaba herdando os piores aspectos de cada. Como o palmtop, ele parece claustrofóbico, desajeitado para entrada de texto e, com sua tela de toque exposta, vulnerável. Como o laptop, é claro, tem curta duração de bateria e exige duas mãos para operar.

Resumindo, a lição perdida pelos criadores do Ultra Mobile PC não vem do curso de jornalismo; ela vem do curso de bom senso. George El Khouri Andolfato

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