UOL Notícias Internacional
 

06/05/2006

Reconhece este homem? O mundo da arte não

The New York Times
Carol Vogel

em Nova York
Os fotógrafos estavam extáticos. Lá estavam eles, espremidos em um canto no fundo do salão de leilão da Sotheby's, na noite de quarta-feira -encurralados o mais longe possível de onde se sentavam os grandes compradores - enquanto um homem misterioso despudoradamente levantava sua placa repetidas vezes.

Na sexta-feira, o rosto do homem estava sendo repassado por e-mail para todo o mundo, enquanto marchands e colecionadores especulavam freneticamente sobre sua identidade. Ele acabou gastando US$ 102,7 milhões, incluindo vertiginosos US$ 95,2 milhões por um retrato de Picasso de 1941, "Dora Maar com Gato". Este foi o segundo preço mais alto pago por uma obra de arte em leilão, depois de "Menino com Cachimbo (O Jovem Aprendiz", uma pintura de
1905 comprada por US$ 104,1 milhões na Sotheby's, em maio de 2004.

Geoff Caddick/EFE- 22.mar.2006 
Quadro "Dora Maar com Gato", de Picasso, foi vendido para um anônimo por US$ 95,2 mi

Mas quem era ele? A Sotheby's se recusa a dizer. Não se sabe se ele estava representando um cliente ou comprando para si mesmo.

Em bares do mundo da arte por toda a Madison Avenue na sexta-feira, todos tinham uma teoria sobre sua identidade, se ele era um bilionário russo ou asiático ou um administrador americano de fundo hedge. "As pessoas poderão nunca descobrir quem ele é", disse Rachel Mauro, uma marchand de Manhattan. "Pode ser um daqueles grandes mistérios."

Especialistas da Christie's que estavam sentados no fundo da sala de leilão na noite de quarta-feira disseram que não reconheceram o comprador, e pelo que sabem, ele nunca esteve em prévias de suas vendas, nem foi visto no leilão de arte impressionista e moderna da Christie's na noite de terça-feira. Eles também estão tentando descobrir quem é o grande gastador, na esperança de atraí-lo para seus leilões na próxima temporada.

Aqueles que estavam sentados perto dele no leilão disseram estar convencidos de que ele soava como sendo russo. Havia também indícios para apoiar tal teoria. Em grandes leilões em Londres em fevereiro, um grupo de novos ricos da Rússia elevou os preços de mestres como Gauguin, Warhol e Lucian Freud.

E há a questão do gosto. Além do Picasso, o comprador comprou um paisagem marítima de Monet, de 1883, por US$ 5 milhões. Isto não disse nada aos autonomeados detetives do mundo da arte. Mais revelador foi a compra de uma pintura do mestre Chagall, nascido na Rússia, um cena bíblica de 1978, pelo qual o homem pagou US$ 2,5 milhões. Os russos mais do que qualquer outra nacionalidade estão comprando Chagall no momento.

Muitos nomes estão sendo especulados. Alguns dos oligarcas russos que
estiveram comprando arte recentemente são Pyotr Aven, o presidente do Alfa Bank; Viatcheslav Kantor, o magnata dos imóveis e fertilizantes; e Roman Abramovich, o exportador de petróleo que é dono do Chelsea Football Club em Londres.

Oficialmente, a Sotheby's está se recusando a comentar, mas seus executivos foram obviamente pegos de surpresa na noite do leilão. Se soubessem que tinham alguém que poderia gastar mais de US$ 100 milhões, ele no mínimo teria recebido uma cadeira na frente da sala de leilão, ou mais provavelmente um espaço onde poderia dar lances em privacidade, sendo servido com champanhe por garçons vestidos de branco.

Segundo especialistas em arte de Nova York e de Moscou que viram fotos do comprador, sua descrição não bate com a de nenhum dos atuais novos ricos, levando à teoria de que o comprador, um homem que parecia estar na faixa dos 40 anos, vestindo blazer azul, estava trabalhando para um dos bilionários e seguindo instruções.

Mas diferente da maioria dos agentes que fazem lances por bilionários, ele não estava falando ao celular. Em vez disso, ele simplesmente olhava para seu catálogo até o aparecimento de uma pintura de seu interesse e então começava a acenar incansavelmente sua placa.

Era óbvio que ele era novato. Compradores experientes nunca iniciam os
lances, especialmente se pretendem ir acima do valor estimado da obra; eles esperam para ver quanta competição haverá e entram quando sentem que os lances estão se acalmando. Eles também raramente fazem lances acenando suas placas, sendo geralmente mais discretos, fazendo contato visual com o leiloeiro e então simplesmente sinalizando com a cabeça para prosseguir.

E ele prosseguiu. O lance vencedor de US$ 95,2 milhões por "Dora Maar com Gato" foi quase o dobro do lance mínimo de US$ 50 milhões. Quatro outros interessados deram lances pelo Picasso, uma tela grande -1,28 X 0,94 m- que retrata Maar, uma das amantes de Picasso, sentada em uma cadeira como se fosse um trono, com um gato preto empoleirado atrás.

Enquanto prossegue a corrida para identificar o comprador, correm rumores sobre se ele de fato dispõe do dinheiro. A Sotheby's prometeu à vendedora do Picasso, a família Gidwitz de Chicago, uma garantia -uma soma mínima não revelada independente do resultado da venda- que pessoas familiarizadas com o acordo dizem ser de US$ 53 milhões, que será paga no final do mês. Especialistas na Sotheby's têm dito aos clientes que a empresa já foi paga, apesar de Matthew Weigman, um porta-voz da Sotheby's, ter dito que não podia confirmar isto.

Se o negócio fracassar, o Picasso poderá aparecer novamente. George El Khouri Andolfato

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