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07/05/2006

Jovens compradores de imóveis querem melhor, não maior

The New York Times
Grace Lichtenstein
Após o casamento há quase quatro anos, Kathryn e Dan Drury decidiram se mudar de seu condomínio em um subúrbio de Atlanta e construir uma casa. Era "do tipo que você acha que precisa", como Kathryn Drury descreveu, "uma casa em que você pode viver, criar uma família e competir com os vizinhos".

Mas após se mudarem para sua nova casa de 370 metros quadrados, eles perceberam que ela não era o que eles queriam. "Ela era uma grande caixa bege com subdivisão típica", disse a sra. Drury, 29 anos, que é formada em arquitetura e design de interiores. "Nós nos cansamos de manter uma casa grande, limpá-la, cuidar do jardim". Uma conta de luz mensal foi de US$ 300 (cerca R$ 620), ela disse, "e somos apenas duas pessoas que trabalham fora e um cachorro!"

Os Drurys decidiram vender a casa e encontrar algo mais adequado. Eles terminaram em uma casa com a metade do tamanho, mas que oferecia mais do que importava para eles: arquitetura de alta qualidade com toques de alta tecnologia, uma sensação de bairro, trilhas para caminhadas nas proximidades e uma população diversa com a qual se sentem ligados.

A casa nova deles fica em Tributary, uma comunidade planejada em Douglasville, a 22 quilômetros do centro de Atlanta e a 19 quilômetros do aeroporto. Os Drurys consideram sua localização perfeita, especialmente porque Dan Drury, 36 anos, é um gerente de marketing de produto que freqüentemente viaja a negócios. Os preços das casas em Tributary variam de US$ 200 mil (cerca R$ 412 mil) a US$ 800 mil (cerca R$ 1,6 milhão). Os Drurys pagaram US$ 280 mil (cerca R$ 576 mil) pela casa, menos do que pela casa anterior.

A Reach Advisors, uma firma de pesquisa de mercado em Boston, dirá que os Drurys não são os únicos a pensar assim e que há uma desconexão entre os ricos compradores de casas da "Geração X" e os construtores e empreendedores imobiliários que deveriam atendê-los.

James Chung, o presidente da Reach Advisors, disse acreditar que há uma "mudança de gerações", com os compradores de 25 a 39 anos exigindo características diferentes daqueles que seus pais, os "baby boomers" (a geração do pós-guerra, de 1946 a 1964), buscavam. "Mas a maioria dos construtores estão relutantes em mudar uma fórmula que foi tão lucrativa nos últimos 10 anos", disse Chung.

Com base em 6.800 entrevistas realizadas por cinco diferentes estudos envolvendo pessoas de 25 a 39 anos, Chung argumenta que os membros ricos desta geração, apesar de rendas acima de US$ 100 mil (cerca R$ 206 mil), estão determinados a gastar refletidamente em vez de morar de forma espaçosa. Ele disse que eles estão menos interessados em ostentar grandes espaços e mais envolvidos em tempo com a família. Os compradores mais jovens preferem projetos que enfatizem o espaço familiar em vez de suítes de casal enormes, e preferem o conceito de interação com os vizinhos promovida por calçadas e espaços exclusivos para cães.

As exigências de pessoas nascidas nos anos 70 e final dos anos 60 são importantes, porque apesar de corresponderem a apenas 26,8% do total de lares americanos, elas apresentam maior mobilidade. Mais de 42% se mudaram no ano passado, e estão na "idade de 'alta migração' visada pelos construtores", disse William H. Frey, um demógrafo da Instituição Brookings.

Os quatro principais destinos deste grupo são Atlanta, Denver, Dallas e Phoenix, disse Frey, enquanto os baby boomers na mesma idade eram atraídos para "áreas costeiras cosmopolitas, mais caras". A geração mais jovem, disse Frey, é mais prática, menos atraída pelas cidades caras e brilhantes. "Apesar de tratarem seriamente suas decisões, eles não são tão rígidos quanto os boomers em relação a uma grande compra", ele disse.

Eles vêem a compra de uma casa de forma mais parecida como os boomers viam a compra de um carro, ele acrescentou, como "uma compra utilitária que precisam para abrigo e investimento a longo prazo, com a perspectiva de muitas trocas".

Um dos elementos do Prospect, um desenvolvimento de "novo urbanismo" em Longmont, Colorado, que mais atrai Tom e Christie Evenson é a fácil interação com os vizinhos a partir de suas varandas frontais, quintais, calçadas e encontros das crianças para brincar.

Tais preferências tornam os jovens adultos os principais clientes do "novo urbanismo", disse Chung. Definidas como um retorno ao projeto tradicional de bairro, estas comunidades são construídas para lembrar, em espírito, áreas residenciais mais antigas, mais diversas e mais conectadas, e menos como as subdivisões suburbanas.

Os Evensons, ambos engenheiros de software, pagaram US$ 450 mil (cerca R$ 930 mil) por sua casa de três andares em Prospect em 2000, quando ainda eram recém-casados. Agora, com uma filha de 4 anos e um filho de 2 anos, eles continuam satisfeitos em estarem vivendo em um ambiente cheio de cores onde nenhuma casa se parece. E apreciam o fato de ter sido projetado para encorajar a interação social.

"Minha mãe não queria viver tão perto dos vizinhos dela", disse Christie Evenson, 36 anos, enquanto ela e seu marido se sentiram atraídos por Prospect em parte pelo oposto.

Quando os Evensons dão caminhadas no fim de semana, eles comparam seu bairro com o subúrbio típico vizinho a Prospect. "Eles possuem quintais duas ou três vezes maiores do que os nossos", disse Christie Evenson. "Mas você nunca vê ninguém a menos que estejam cortando a grama."

Pelo menos uma grande construtora de casas de luxo, a Toll Brothers, acredita que há "sementes de verdade" nas conclusões de Chung. A Toll constrói para todo tipo de pessoas, disse Kira McCarron, diretora chefe de marketing, mas a empresa percebeu que muitos jovens adultos estão buscando "mais um senso de valor do que 'aparência e extravagância'".

Um executivo da Centex Corp., uma construtora nacional com sede em Dallas, reconheceu que as exigências de tais compradores por casas menores, em bairros mais unidos, formam um "nicho realmente forte" ainda não explorado pela sua empresa. "Nós não fomos tão rápidos em nos adaptarmos ao mercado quanto deveríamos", disse o executivo, que pediu anonimato para evitar que seja visto como alguém que está criticando sua empresa.

As opções voltadas para tal faixa etária foram deliberadamente adicionadas ao Village, a primeira fase de Tributary, onde os Drurys vivem perto de Atlanta. Richard Mildner, o diretor chefe de operações da incorporadora Douglasville Development, passou "25 anos vendendo quase que exclusivamente para os baby boomers", mas agora ele busca uma fatia da próxima geração. "Eu basicamente fiz um curso intensivo de três anos para entendimento destas pessoas", ele disse.

Em pesquisas e grupos focais, os compradores de casas mais jovens disseram para a empresa que desejam as mais recentes inovações tecnológicas, juntamente com confortos em menor escala do que uma imensa piscina comunitária ou um campo de golfe. Mildner disse que escutou.

Um comprador lhe disse: "Eu quero ter uma chance razoavelmente boa de conhecer as pessoas que sentam ao meu lado". Assim, o Village tem uma piscina menor com uma sede simples e um espaço para fogueira --mais com Internet sem fio em todos os espaços públicos.

O senso de conexão --tanto humana quanto tecnológica-- foi uma faceta de Tributary que conquistou os Drurys. Tanto que, logo após terem se mudado, Kathryn Drury deixou seu emprego anterior, obteve uma licença de corretora imobiliária e começou a trabalhar para a empresa responsável pelo projeto. Ela está particularmente satisfeita com o fato dos compradores representarem diversas idades, raças, etnias e orientações sexuais.

"Nós não queremos criar nossos filhos em um local onde todo mundo é igual", disse Drury, que é meio cubana. "Nós queremos diversidade."

Ela disse que ouve suas opções de estilo de vida repetidas em comentários dos compradores com os quais se encontra, assim como nos dos moradores que se conhecem sentados ao lado do local para fogueira, nas trilhas de caminhadas ou na academia de ginástica. "É algo como, vamos voltar para nossas raízes, o que deveríamos estar fazendo em um sábado em vez de passear em um shopping por seis horas", ela disse. George El Khouri Andolfato

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