UOL Notícias Internacional
 

07/05/2006

O líder de um grupo que o está alcançando rapidamente

The New York Times
Peter Passell
Como você redesenha o carro mais vendido nos Estados Unidos? Parafraseando uma antiga piada: muito, muito cuidadosamente.

A sexta geração do Toyota Camry apresenta melhor aparência e direção do que a encarnação anterior, mas as mudanças de forma alguma alienarão aqueles que há muito prezam o sedã por seu conforto, silêncio e durabilidade. Assim não surpreende o fato da Toyota estar confiante o bastante com as perspectivas do Camry 2007 de suplementar a capacidade de montagem em Kentucky com o empréstimo de uma fábrica da Subaru em Indiana. (A Toyota comprou recentemente da General Motors uma grande participação na dona da Subaru, a Fuji Heavy Industries.)

The New York Times 
Toyota Camry versão XLE repleta de opcionais que custa US$ 30 mil (cerca de R$ 61,8 mil)

Mas o novo Camry não é invulnerável à concorrência. O Honda Accord e o Nissan Altima (e, em menor grau, o Mazda 6 e o Volkswagen Passat) têm beliscado os flancos do Camry há anos, apelando aos gostos dos consumidores jovens que querem carros sedãs para a família mais esportivos --e, em muitos casos, menos caros. Além disso, o Camry deve rechaçar o desafio de novos designs como o do valorizado Hyundai Sonata, do atraente Ford Fusion e, no próximo ano, do renovado Accord.

Também vale a pena notar que o novo Camry chega ao mercado no momento em que a reputação da Toyota de qualidade a toda prova está sofrendo alguns abalos. O sedã maior da empresa, o Avalon, montado na mesma fábrica de Georgetown, Kentucky, que muitos Camrys, tem sido atormentado por defeitos. De fato, citando queixas sobre a direção, suspensão e integridade da carroceria do Avalon, a revista "Consumer Reports" rebaixou sua cotação do modelo 2005 para a faixa intermediária da categoria. E a Toyota já fez o recall de alguns Camrys 2007 de início de produção com motores V-6, para consertar problemas de transmissão.

A Toyota é bem franca sobre a necessidade de encontrar compradores jovens, já que a faixa etária média dos compradores do Camry subiu para 55 anos. Para isto, os projetistas se afastaram do aspecto de sedã genérico japonês. De fato, se o novo Camry provavelmente não seduzirá os compradores preocupados com estilo, que anseiam por um Audi A4 ou pelo retrô Mustang, a frente mais agressiva, a linha mais alta dos vidros e a aplicação liberal de dobras nas chapas de metal dão alguma eletricidade ao aparelho de direção definitivo.

Na mesma medida, a Toyota aprimorou o interior com luzes do painel mais brilhantes e até mesmo com um revestimento com "hidratante natural" em seu bancos de luxo --que visa ser mais confortável para contato direto com a pele.

Como no passado, o Camry vem em mais sabores do que sorvetes Ben & Jerry's. O mais simples CE é bem equipado --o modelo padrão inclui freio a disco nas quatro rodas com uma função BA (brake assist, um recurso que detecta uma frenagem de emergência), um sistema de alerta de pressão do pneu, faróis halógenos, uma direção inclinável e telescópica, vidros e fechaduras elétricos e um sistema de som de 160 watts com seis alto-falantes.

A seguir vem o LE, que a Toyota espera que represente 60% das vendas; ele adiciona um assento elétrico para o motorista, fechaduras por controle remoto e outras características. O elegante XLE (um primo do Lexus ES) complementa os luxos do LE com um sistema de som melhor, um controle climático com duas zonas, assentos da frente elétricos e "moonroof" (teto solar que não abre), faróis para neblina e espelho interno antiofuscante.

O Camry SE, como modelos anteriores que apresentavam tal designação, tem pretensões esportivas --apenas que desta vez as diferenças são mais do que superficiais. Juntamente com o acabamento elegante (uma grade preta, spoiler dianteiro e traseiro, direção revestida em couro), o SE tem uma suspensão mais dura e pneus mais largos em rodas de liga maiores (17 polegadas).

A Toyota também dotou a linha Camry com um modelo híbrido gasolina-elétrico que conta com um pacote próprio; tal carro já foi analisado nestas páginas.

Todos os quatro modelos não híbridos vêm com um motor de quatro com duplo comando no cabeçote (2.4 cilindros, 16 válvulas) tirado do modelo 2006; os modelos com quatro cilindros vendidos em Estados que seguem as leis de emissões de poluentes da Califórnia são classificados como "veículos de emissão parcial zero" ou PZEVs, a classificação mais desejável aplicada a motores convencionais a gasolina.

O motor de quatro cilindros foi ajustado para um aumento modesto de potência (de 154 para 158 cv) e torque (de 22,2 para 22,3 kgmf); as classificações ZEPV são ligeiramente menores. Todas as versões exceto o híbrido e o CE podem ser compradas com um novo motor V-6 3.5 (24 válvulas, duplo comando no cabeçote, bloco de alumínio). Este motor, que produz 268 cv e um torque de 34,4 kgmf, é compartilhado com o Avalon. Ambos os motores rodam bem com gasolina comum.

O motor de quatro cilindros vem com transmissão manual de cinco marchas, mas a Toyota espera que quase todos paguem US$ 941 (cerca de R$ 1.900) adicionais pela transmissão automática de cinco marchas. O V-6 vem apenas com a automática, um nova unidade de seis marchas com o potencial para mudança manual ao estilo Tiptronic.

Mas espere --o menu é ainda mais abrangente. A maioria das características de luxo que são padrão no XLE também está disponível para outros modelos com as devidas considerações financeiras. Note também que assentos de couro e sistemas de navegação por satélite são opcionais no SE e XLE, enquanto o controle de estabilidade e tração (que estão disponíveis apenas juntos) pode ser adicionado a todos os quatro modelos.

Opção ao estilo café é bom para os consumidores, certo? E também para a Toyota, porque dá ao seu departamento de marketing mais espaço para manobra. Por exemplo, ela permite que a empresa anuncie um CE por apenas US$ 18.850 (cerca de R$ 38,8 mil), apesar de cortejar consumidores preparados para pagar mais de US$ 30 mil (cerca de R$ 61,8 mil) por um XLE V-6 repleto de opcionais.

Mais sutilmente, ela cria uma forma de ajustar os preços para atender a demanda sem recorrer a descontos em tempos magros, ou dar às concessionárias autorização para cobrar a mais em tempos de fartura. Quando a demanda é alta, a Toyota pode forçar a mistura de carros vendidos --por exemplo, entregando mais LEs com opcionais caros como o moonroof (US$ 752, cerca de R$ 1.500) e o sistema de som JBL de 440 watts (US$ 750). Quando o mercado está fraco, a empresa pode oferecer pacotes de opcionais com um desconto.

Eu testei tanto o LE com motor de quatro cilindros e transmissão automática de cinco marchas como o SE com o novo V-6. O LE básico apresentou poucas surpresas, que é como a Toyota gosta. Os assentos são excepcionalmente confortáveis e o painel bem iluminado e os controles grandes são modelos de excelência em ergonometria.

Em velocidade de cruzeiro o LE é tão silencioso e livre de vibração quanto a maioria dos carros de luxo, apesar do motor trabalhador de quatro cilindros exibir um ruído decididamente nada luxuoso sob aceleração. A transmissão muda suavemente, freqüentemente antecipando a necessidade de redução. O freio é excelente.

Se há alguma surpresa no LE, é a direção. Como nos Camrys anteriores, a direção pode ser vaga e a suspensão parece ser um tanto trêmula em pavimento irregular em comparação ao, digamos, Accord ou Mazda 6. Mas a Toyota claramente melhorou a capacidade do sedã. O LE pode ser realmente divertido de pilotar em estradas bem cuidadas.

O que funciona bem no ligeiramente sem potência LE de quatro cilindros funciona ainda melhor no SE com V-6. A combinação de amortecedor mais rígido, pneus mais largos e abraçadeiras de aço (para maior rigidez) faz uma enorme diferença, transformando o SE em um carro para motoristas de verdade.

Assim, o V-6 é mais do que adequado, fornecendo aceleração que gera confiança na entrada em vias expressas e em ultrapassagens em estradas de duas pistas.

Apesar de excelente em todos os aspectos, a transmissão automática de seis marchas não parece uma grande melhoria em relação às cinco marchas do motor de quatro cilindros. Mas a alta sexta marcha pode explicar como este sedã grande e poderoso consegue um desempenho relativamente econômico (9 km por litro na cidade, 13 na estrada).

Os quatro cilindros se saem melhor, é claro, com um desempenho de 10/14 km por litro com transmissão automática.

No geral, o SE é o primeiro Camry que é competitivo em termos de performance com Accords equipados de forma semelhante. Infelizmente, diferente do Accord, não há transmissão manual disponível nos Camrys V-6.

Além de sua antiga rivalidade com o Accord e com o Altima, o Camry agora tem que enfrentar a concorrência do Ford Fusion, que está ligeiramente acima do Camry em direção, e do Hyundai Sonata, que é vários milhares de dólares mais barato e tem uma garantia mais longa (seis anos, em comparação a três). De forma geral, as características que tornaram o Camry tão especial há uma década --a cabine excepcionalmente silenciosa, o acabamento notável e a reputação de durabilidade-- agora são comuns neste segmento do mercado.

Além disso, virtualmente todos os veículos concorrentes estão repletos de conveniências, dos espelhos antiofuscantes a assentos traseiros dobráveis. Assim, a grande pergunta não é se o novo Camry é um sucesso digno do modelo 2006, mas se seu desenho e qualidade ainda valem os US$ 2 mil a US$ 5 mil (cerca de R$ 4.120 a R$ 10,3 mil) a mais em relação a um Altima ou Fusion, por exemplo. Sexta geração do Toyota Camry apresenta melhor aparência e direção do que versão anterior George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -1,03
    3,146
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,09
    68.714,66
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host