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09/05/2006

Casa Branca busca pôr fim à oposição republicana ao indicado para a CIA

The New York Times
Elisabeth Bumiller e Carl Hulse
em Washington
A Casa Branca agiu com força na segunda-feira para pôr fim à oposição dos republicanos no Capitólio à escolha pelo presidente de um oficial militar, o general Michael V. Hayden, para próximo diretor da Agência Central de Inteligência (CIA).

Ao anunciar sua escolha no Escritório Oval, Bush declarou que Hayden, que vestiu seu uniforme da Força Aérea para a ocasião, tinha "vasta experiência" e era "o homem certo para liderar a CIA neste momento crítico da história de nossa nação". Porter J. Goss, o atual diretor da CIA, foi forçado a deixar o cargo na sexta-feira.

Noventa minutos após o anúncio de Bush, John D. Negroponte, o diretor nacional de inteligência e o superior imediato de Hayden, disse aos repórteres, em uma coletiva incomum na Casa Branca, que Hayden seria independente do Pentágono e que o almirante da Marinha que era o vice de Goss deixaria o cargo.

Negroponte disse que um civil, Stephen R. Kappes, estava sendo seriamente considerado para o cargo de vice. Kappes, que é altamente respeitado pelos funcionários da CIA, deixou a agência em 2004 após entrar em choque com Goss.

Em outro sinal de que a Casa Branca está tentando tornar a mudança na liderança da CIA politicamente palatável para o Congresso, o terceiro na hierarquia da agência, Kyle Foggo, disse a colegas em uma mensagem de e-mail na segunda-feira que ele também estava deixando o cargo.

Foggo, por muito tempo um diretor administrativo da agência, foi promovido por Goss.

A conduta de Foggo tem sido investigada pelo inspetor geral da agência e, mais recentemente, pelo Birô Federal de Investigação (FBI), devido à sua amizade com o dono de uma empresa prestador de serviço às forças armadas que está envolvido no suborno do ex-deputado Randy Cunningham. Cunningham foi sentenciado em março a mais de oito anos de prisão por ter recebido mais de US$ 2,4 milhões em suborno de empresas contratadas pelas forças armadas.

Funcionários da Casa Branca disseram que desejam que as audiências de
confirmação no Comitê de Inteligência do Senado sejam concluídas e Hayden confirmado antes de Goss deixar o cargo, em 26 de maio. Mas o senador Pat Roberts, o republicano do Kansas que é presidente do comitê de inteligência, disse que ele apenas espera que as audiências tenham início antes de 26 de maio, o último dia de sessão no Congresso antes do recesso de uma semana após o Memorial Day, o feriado em homenagem aos mortos em guerras.

"Eu quero que seja feito da forma certa, quero que seja meticulosa", disse Roberts.

Funcionários da Casa Branca, que no passado gostavam das disputas com os democratas em torno da segurança nacional e disseram apreciar a disputa em torno de Hayden, deram início à sua ofensiva ao amanhecer de segunda-feira, bem antes do anúncio de Bush às 9h30 da manhã. A mensagem deles era de que Hayden não estaria subordinado às forças armadas e nem ao secretário de Defesa, Donald H. Rumsfeld, que tem buscado agressivamente expandir o papel do Pentágono na obtenção de inteligência.

"Não se enganem, quando ele assumir como chefe da Agência Central de
Inteligência, ele não prestará contas a Don Rumsfeld", disse Stephen J.
Hadley, o conselheiro de segurança nacional, no programa "Today"da NBC. "Ele trabalhará com John Negroponte e prestará contas ao presidente dos Estados Unidos."

O tom de Negroponte foi semelhante. "Para aqueles que questionam o fato de Mike Hayden vestir uniforme, e orgulhosamente, da Força Aérea dos Estados Unidos, eu respondo que devem olhar para as qualificações", disse Negroponte aos repórteres na Casa Branca. "E penso que eles também podem ser tranqüilizados de que Mike Hayden é uma pessoa de mentalidade muito, muito independente, sem papas na língua e que acho que não terá qualquer dificuldade em defender posições que sejam independentes e atendam às necessidades de nossa comunidade civil de inteligência."

Funcionários da Casa Branca disseram que Candida Wolff, a funcionária de ligação da Casa Branca com o Congresso, e Michael Allen, que cuida dos assuntos legislativos para o Conselho de Segurança Nacional, conduzirão a indicação de Hayden pelo Senado. Mas Joshua B. Bolten, o novo chefe de Gabinete, e Karl Rove, o conselheiro político chefe de Bush, deverão exercer papéis chaves. Rove passou parte da segunda-feira no gabinete do senador Bill Frist, o líder da maioria republicana, mas não se sabe quanto da reunião tratou de Hayden.

Na noite de segunda-feira, era esperado um encontro de Hayden com o senador Saxby Chambliss, um republicano da Geórgia e um aliado da Casa Branca, que disse que continua tendo reservas com a indicação de um militar para o comando de uma agência que tradicionalmente tem sido liderada por civis. Chambliss, um membro do comitê de inteligência, disse no programa "This Week" da ABC, no domingo, que não seria suficiente Hayden renunciar ao seu posto militar e que "vestir um terno em vez de um uniforme da Força Aérea não fará muita diferença, eu creio".

Dois outros republicanos no comitê -Olympia Snowe, do Maine, e Chuck Hagel, de Nebraska- também expressaram preocupação com Hayden na segunda-feira, e ambos criticam em parte o programa secreto de grampos domésticos do governo. Hayden criou o programa a pedido de Bush após os ataques de 11 de setembro e os defendeu vigorosamente quando sua existência veio a público.

Um porta-voz de Hagel disse na segunda-feira que o senador aguardará a
audiência de confirmação antes de fazer qualquer julgamento, mas que o
senador tem "perguntas sérias" para Hayden sobre o programa de vigilância.

Snowe, que falou com Hayden por telefone na segunda-feira, disse em uma
declaração que uma questão fundamental do processo de confirmação será sua capacidade de manter a "independência vital da CIA do Departamento de Defesa, que resistiu arduamente à reorganização de nosso aparato de
inteligência e que continua a controlar quase 80% do orçamento de
inteligência de nosso país".

Mas outro membro republicano do comitê de inteligência, Mike DeWine, de
Ohio, disse que estava inclinado a apoiá-lo. "Eu sempre me impressionei com o general Hayden", disse DeWine.

A senadora Dianne Feinstein, uma democrata do comitê, disse que ela também estava inclinada a apoiar Hayden. "Nós precisamos de um profissional respeitado, competente, que possa impor respeito e administrar esta agência cada vez maior", disse ela em uma declaração. "Com base no que sei até o momento, o general Michael Hayden parece se enquadrar nestes critérios. Ele administrou uma agência de inteligência duas vezes maior que a CIA. E apesar
de poder não ter tido experiência direta na supervisão de operações humanas, ele tem sido eficaz."

Mas Feinstein disse que Hayden deve renunciar a seu posto militar para que um civil lidere a agência. George El Khouri Andolfato

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