UOL Notícias Internacional
 

09/05/2006

Iraniano escreve a Bush; não deve receber resposta

The New York Times
Steven R. Weisman

na Organização das Nações Unidas
Em uma abertura diplomática que foi imediatamente rejeitada pelos EUA, o presidente Mahmoud Ahmadinejad, do Irã, enviou uma longa carta ao presidente Bush no final de semana. Nela, oferecia o que o porta-voz iraniano chamou de "novas formas" de resolver a crise em torno do programa nuclear iraniano.

A carta, descrita em Teerã como a primeira comunicação direta de um líder iraniano a um presidente americano desde 1979, analisa "as raízes dos problemas" com o Ocidente, disse o porta-voz. Mas as autoridades americanas disseram que era uma longa divagação que não propunha soluções à questão atômica.

"Esta carta não é a solução", disse a secretária de Estado Condoleezza Rice em entrevista à Associated Press em Nova York. "Não será nela que encontraremos uma abertura para tratar da questão nuclear ou algo parecido. Não aborda as questões que estamos enfrentando de uma forma concreta."

Autoridades americanas disseram que a carta, que não foi divulgada, continha 16 páginas em persa e 18 na tradução em inglês que o Irã aprovou. As autoridades disseram que o texto oferecia uma análise filosófica, histórica e religiosa do relacionamento do Irã com o Ocidente e fazia perguntas sobre o custo ao mundo do estabelecimento de Israel, enquanto outra seção afirmava que a democracia ocidental tinha sido um fracasso para a humanidade.

Algumas autoridades americanas disseram que a intenção da carta parecia ser a de prejudicar as discussões sobre o Irã entre os representantes dos EUA, Reino Unido, França, Alemanha, Rússia e China. O embaixador americano na ONU, John R. Bolton, sugeriu que o Irã estava "jogando areia nos olhos" dos diplomatas.

As autoridades falaram em anonimato pois não foram autorizadas a discutir a carta.

Rice reuniu-se na segunda-feira (09/5) com seus colegas de cinco países em um jantar para discutir o Irã, mas aparentemente os EUA e os europeus continuavam em desacordo com a Rússia e a China.

A secretária de Estado deve falar ao Conselho de Segurança na terça-feira sobre as recomendações americanas para implementar o acordo de paz no Sudão.

Outra questão urgente em sua agenda era o Oriente Médio, onde parece haver uma crescente diferença de opinião entre o governo Bush e alguns aliados europeus. Autoridades européias dizem que estão cada vez mais preocupadas com o congelamento dos pagamentos ao governo palestino liderado pelo Hamas, que está provocando falta de remédios e bloqueando o pagamento de salários de servidores civis.

No mês passado, o presidente da França, Jacques Chirac, instou Bush a unir-se a um fundo administrado pelo Banco Mundial para pagar os salários, evitando o pagamento aos líderes do Hamas que venceram as eleições parlamentares no início do ano.

Os EUA argumentam que as doações européias, árabes e americanas não devem sustentar um governo liderado por um partido que se recusa a reconhecer Israel e que aprova e até executa ataques contra israelenses.

Rice deve reunir-se na terça-feira com enviados russos, europeus e da ONU para discutir o Hamas -a reunião pode ser contenciosa. O Irã foi o foco de outra discordância entre os EUA e a França, na questão da resolução para o Líbano. A França quer que a resolução se concentre em levar a Síria a reconhecer o Líbano e parar de interferir em seus interesses. O governo Bush quer que a resolução também chame a atenção do Irã por interferir no Líbano.

De toda forma, o assunto mais urgente para os EUA na ONU é o Irã. Como sempre, o Ocidente está tentando fazer o país interromper certas atividades nucleares que acredita serem uma fachada para a fabricação de armas. O Irã argumenta que tem o direito de desenvolver essas atividades, que são para energia nuclear de uso civil.

O Reino Unido e a França propuseram uma resolução exigindo que o Irã concorde com os pedidos do Conselho de Segurança e da Agência Internacional de Energia Atômica para suspender o enriquecimento de urânio, pôr fim à construção de um reator de água pesada e negociar o futuro de seu programa nuclear.

A resolução invocaria o capítulo 7 da Carta Magna da ONU, implicando que uma negativa do Irã poderia levar a outras ações do Conselho, inclusive penalidades econômicas. A Rússia e a China não querem invocar o capítulo, temendo que o Ocidente esteja pavimentando o caminho para ações econômicas ou até militares.

A Rússia liderou a oposição a uma resolução dura contra o Irã, mas na segunda-feira o embaixador chinês na ONU, Wang Guangya, disse que, como o capítulo 7 "é sobre medidas de força", não é adequado para o momento.

Autoridades americanas e européias dizem que a escolha atual está entre promover uma resolução citando o capítulo 7 e esperar que a China e a Rússia não a vetem ou suavizar a resolução para conquistar o apoio dos dois países.

Bolton disse que a Rússia e a China poderiam criar um texto alternativo que também implicasse na obrigatoriedade das exigências do conselho. No entanto, ele disse que nenhum documento desse tipo tinha sido apresentado.

Alguns diplomatas europeus argumentam que é mais significativo receber uma resolução unânime do que um documento forte patrocinado por apenas alguns membros do conselho. Com efeito, eles dizem um sinal confuso é pior do que um sinal fraco, mas unânime.

O estado atual tenso de relações com a Rússia só complica as cosias. O vice-presidente Dick Cheney pode ter acabado com as chances de obter a ajuda russa no Irã quando atacou recentemente as políticas russas, chamando-as de anti-democráticas e dizendo que o país estava tentando usar energia como arma política. Deborah Weinberg

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