UOL Notícias Internacional
 

11/05/2006

Consumidores vêem com ceticismo a nova guerra de formatos de DVD

The New York Times
David Pogue
Quando foi que você se tornou cético pela primeira vez com relação à indústria de equipamentos eletrônicos?

Foi quando o VHS saiu de moda, e você teve que comprar todos os seus filmes novamente em DVD? Ou quando deixou de receber o desconto que lhe foi prometido? Ou quando a garantia de 90 dias do seu computador expirou, e a máquina pifou dois dias depois?

Não importa. Na verdade, você sequer conhecia o significado da palavra cético. Neste mês, o aparelho de DVD Toshiba HD-A1 de alta definição chega às prateleiras das lojas. Esta é a primeira ofensiva de mercado em uma absurda e sem sentido guerra de formatos dos DVDs entre os titãs das indústrias de cinema, equipamentos eletrônicos e computadores.

O simples fato de testemunhar a ascensão de um novo formato de DVD é suficiente para que você se sinta enganado. Afinal, o que há de errado com o formato original do DVD? Ele oferece uma imagem nítida, som circundante poderoso e materiais extras. A quantidade de filmes em DVD é imensa e eles são relativamente baratos. E os aparelhos de DVD têm um preço extremamente acessível. Para se ter uma idéia, 82% das residências norte-americanas possuem pelo menos um aparelho de DVD.

Mas para os executivos da indústria eletrônica, isto só pode significar uma coisa: é hora de jogar este formato no lixo e começar de novo.

É claro que os executivos não explicam esta decisão dizendo: "Vamos mudar porque saturamos o mercado para os aparelhos comuns de DVD".

Em vez disso, eles falam sobre qualidade de vídeo. Uma imagem de DVD proporciona claridade e cor bem melhores do que a televisão comum, mas não tão boas quando as da TV de alta definição. Os novos discos contêm muito mais informação, o que é suficiente para a exibição das obras-primas de Hollywood em verdadeira alta definição (se você tiver um televisor de alta definição, é claro).

Infelizmente, a Sony e a Toshiba tiveram essa idéia simultaneamente. Cada uma delas imaginou o seu próprio formato para um DVD de alta definição. Cada uma montou o seu exército de parceiros. O formato da Toshiba, o HD-DVD, atraiu a Microsoft, a Sanyo, a NEC e estúdios como New Line e Universal. Já o formato da Sony, o Blu-ray, tem ao seu lado a Apple, a Panasonic, a Philips, a Samsung, a Sharp, a Pioneer, a Dell e estúdios como Sony, 20th Century Fox e Disney (algumas companhias, como a HP, a LG, a Warner Brothers e a Paramount pretendem criar produtos para ambos os formatos).

Os novos aparelhos de DVD reproduzirão os DVDs comuns, mas esta é a única boa-nova no que diz respeito à questão da compatibilidade. Os filmes no formato da Toshiba não poderão ser reproduzidos em aparelhos de DVD da Sony, e vice-versa.

No início, os especialistas acreditaram que o formato Blu-ray da Sony fosse capaz de ganhar, já que a empresa firmou contratos com um número bem maior de estúdios cinematográficos, os seus discos possuem maior capacidade, e o PlayStation3, que se acredita que estará no topo das mercadorias mais vendidas no próximo outono, funcionará também como reprodutor dos DVDs em formato Blu-ray.

Mas a Toshiba conta com dois ases na manga. O primeiro é o fato de o seu primeiro aparelho de HD-DVD já estar disponível no mercado, o que lhe dá uma dianteira; os aparelhos Blu-ray só deverão ser lançados no final de junho. Segundo, este novo aparelho, o HD-A1, custa US$ 500 - a metade do preço do aparelho mais barato em formato Blu-ray.

O HD-A1 é uma caixa bem grande: 45 cm x 34 cm x 11 cm. Mais semelhante a um videocassete antigo do que a um moderno e delgado aparelho de DVD.

Os US$ 500 não se constituem no único preço que você pagará por ser um adepto insanamente precoce desta novidade. O aparelho é lento - realmente lento. É necessário mais de um minuto apenas para ligá-lo; os menus às vezes são lentos para responder aos comandos; e um DVD recém-inserido demora 45 segundos apenas para chegar à advertência do FBI contra pirataria (e, não, nem mesmo o admirável formato novo de DVD permitirá que você pule esta cansativa advertência).

O controle remoto é um desastre. Os seus botões têm formato idêntico, e são distribuídos de forma ilógica. Eles não apenas não são iluminados, mas os seus símbolos são apagados e em letras miúdas (um modelo aparentado, o HD-XA1, traz pequenos acessórios extras, com um controle remoto iluminado - por US$ 300 a mais).

Mas, finalmente, o filme começa - e a sua muralha de ceticismo começa a desmoronar. Enquanto aprecia as cores brilhantes, os pretos superpretos e os detalhes ridiculamente nítidos - a resolução é até seis vezes maior do que a de um aparelho de DVD comum - você percebe que nunca antes viu algo em sua casa que lembre tanto o cinema.

Nem mesmo a TV de alta definição tem tanta qualidade; a quantidade de informação que o HD-DVD injeta na sua tela eclipsa aquela que é recebida de um sistema de alta definição por satélite ou cabo (um máximo de 36 megabits por segundo, contra 19 ou menos).

No entanto, você precisará de uma tela grande para desfrutar de todos os dados imagéticos. O impacto dos detalhes extras começa a se evaporar em telas menores do que, digamos, 35 polegadas.

Porém, mesmo em uma tela pequena, você não terá que interromper o filme para abrir o menu do DVD (para ter acesso a ajustes e extras). Em um DVD de alta definição, o menu aparece na parte de baixo ou na lateral da tela, enquanto o filme continua se desenrolando.

Este recurso faz com que seja rápido e fácil inserir legendas durante uma cena onde a fala não é clara, por exemplo, ou ativar a trilha sonora de comentários do diretor sem perder o ponto exato do filme. Eu assisti a seis filmes em HD-DVD magnificamente fabricados, da Warner e da Universal, incluindo o agitado "Dia de Treinamento" ("Training Day", EUA, 2001), e um espetacular "Apollo 13" (EUA, 1995) (é um trabalho difícil, mas alguém tem que fazê-lo).

Concluí rapidamente que o novo sistema de menu na tela faz com que, comparativamente, o sistema de menu dos aparelhos de DVDs tradicionais pareça ser confuso e tosco.

Esperava-se que a nova geração de DVD oferecesse vários outros recursos sofisticados. Por exemplo, os comentários do diretor e dos atores podem agora incluir vídeo, e não apenas áudio (o diretor aparece em uma pequena janela na tela). De forma similar, a conexão Ethernet embutida no A1 deve permitir a conexão com a Internet para recursos interativos.

No entanto, nenhum dos filmes da primeira geração incluiu quaisquer desses recursos (Isto faz lembrar o recurso Camera Angle que deveria estar disponível nos filmes do formato original de DVD? Você decide.).

Por exemplo, não compre este aparelho se você espera fazer um teste futurístico com o seu home theater. Conforme qualquer especialista pode lhe informar, o HDTV vem em vários níveis de resolução: 720p, 1080i e 1080p. Estranhamente, a Toshiba é incapaz de proporcionar a resolução de 1080p, que é o santo cálice da alta definição (na verdade, este padrão ainda é raro nos aparelhos de televisão, mas ele é a onda do futuro).

Você deverá saber também que só terá a garantia de uma sensacional alta definição de imagem de HD-DVD caso o seu aparelho de televisão conte com um conector HDMI (um pequeno e recém-desenvolvido conector digital que transmite tanto sons quanto imagens). Se você, em vez disso, usar o S-vídeo ou cabos componentes, poderá contar com apenas 25% da resolução que deveria obter - um enlouquecedor dispositivo antipirataria que os estúdios podem adotar ou não (a maioria dos estúdios diz que não adotará esses conectores, pelo menos no início; mas poderão começar a fazê-lo a qualquer momento).

O manual também traz as advertências de que o A1 é dotado de um ventilador (embora ele seja piedosamente silencioso), que a sua televisão talvez precise ser ajustada para reproduzir as cores mais intensas do HD-DVD, e que os extras do DVD não estão, geralmente, em alta definição.

Porém, de maneira geral, o A1 de fato reproduz a imagem e o som espetaculares prometidos pela Toshiba. Então, devemos comprar um desses aparelhos?

Não, a menos que você seja um adepto precoce com tendências masoquistas e com dinheiro disponível para torrar.

Primeiro motivo: o telespectador comum poderá perceber a diferença em qualidade de imagem, mas somente em uma grande tela de alta definição, preferivelmente lado a lado com um sistema de sinal DVD padrão, para efeito de comparação. O salto à frente está longe de ser tão grande como aquele entre, digamos, o VHS e o DVD.

Segundo motivo: Para uma tecnologia supernova, o A1 tem um preço razoável - mas conta com uma séria limitação. Somente 20 discos em formato HD-DVD estarão disponíveis ao final deste mês, custando entre US$ 20 e US$ 40, e até o final do ano haverá no máximo uns 200 (já no formato DVD tradicional há dezenas de milhares).

Terceiro motivo (e este é o grande motivo): Você poderá estar apostando muito alto no cavalo errado.

Na verdade, esta pode ser uma corrida que nenhum dos cavalos vencerá. A população poderá muito bem decidir que o DVD comum é muito bom do jeito que está. (Vocês se lembram do SACD e do DVD-Audio, dois formatos rivais de "áudio de alta definição" que também exigiam novos aparelhos e novos discos? Creio que não. Ambos estão a caminho dos leilões mais obscuros da e-Bay).

Você, e todo mundo, têm tudo a ganhar esperando que os preços caiam, que a quantidade de filmes disponíveis aumente e que surja um padrão único. Afinal, como você se sentirá se comprar um aparelho de DVD e um punhado de filmes, e o equipamento escolhido acabar se revelando o Betamax do novo milênio?

Provavelmente mais cético do que nunca. Danilo Fonseca

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