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12/05/2006

Morre Floyd Patterson, 71 anos, o campeão dos pesos pesados boa praça

The New York Times
Frank Litsky
Floyd Patterson, o boxeador cavalheiro que superou uma infância difícil para se tornar o campeão mundial dos pesos pesados, morreu na quinta-feira em sua casa em New Paltz, Nova York. Ele tinha 71 anos.

A causa foi câncer de próstata e mal de Alzheimer, disse um neto, Kevin McIlwaine.

The New York Times - Arquivo 
Floyd (à dir.) observa Archie McBride na lona depois de derrubá-lo em luta de 1955

Nas Olimpíadas de Helsinki de 1952, Patterson conquistou a medalha de ouro dos pesos-médios com cinco nocautes em cinco lutas. Então, em 20 anos de carreira profissional, ele venceu 55 lutas, perdeu oito e empatou uma. O total de suas bolsas chegou a US$ 8 milhões, um recorde na época.

Ele conquistou duas vezes o título dos pesos pesados, nocauteando Archie Moore e Ingemar Johansson. No primeiro ele se tornou o mais jovem campeão dos pesos pesados até aquela época; no segundo, ele se tornou o primeiro lutador a reconquistar o título. Ele também perdeu o título duas vezes, o defendeu com sucesso sete vezes e fracassou em recuperá-lo três vezes. Ele geralmente pesava pouco mais de 80 quilos, leve para um peso pesado, mas extraía o máximo da mobilidade, mãos rápidas e reflexos ligeiros.

Ele era um bom sujeito no mundo ruim do boxe. Ele era dócil e recluso. Ele falava mansamente e nunca perdeu sua timidez infantil. Cus D'Amato, que o treinou durante toda sua carreira profissional, chamou Patterson de "um tipo de estranho". Red Smith, o colunista de esportes do "New York Times", o chamou de "um homem de paz que adora lutar".

Patterson reconhecia sua sensibilidade.

"Você pode me bater e não vou ligar muito", ele disse certa vez, "mas você pode dizer algo e me ferir bastante".

W.C. Heinz, o colunista de boxe, encontrou uma diferença fundamental entre Patterson, o lutador, e Patterson, a pessoa.

"Ao se expressar como lutador", escreveu Heinz, "Patterson exibe uma
segurança quase completa. Fora do ringue, ele não exibe tal segurança. Um buscador sensível e tímido, ele quase não toma a iniciativa. Nas palavras é como se ficasse apenas no contra-ataque. Mas quando ele fala, é com uma pureza que lembra a de Joe Louis".

Floyd Patterson nasceu em 4 de janeiro de 1935, em uma choupana em Waco, Carolina do Norte, o terceiro de 11 filhos. Seu pai, Thomas, era trabalhador braçal e sua mãe, Annabelle, era uma empregada doméstica que posteriormente trabalhou em uma engarrafadora até a família se mudar para a setor Bedford-Stuyvesant do Brooklyn.

Acima da cama do jovem havia uma foto dele com dois irmãos mais velhos e um tio, todos boxeadores. Falando de si mesmo, ele freqüentemente dizia a sua mãe: "Eu não gosto daquele garoto" e certa vez riscou três grandes Xs sobre seu rosto na foto.

Ele se tornou um freqüente gazeteiro que não ia bem na escola. Aos 11 anos, ele não conseguia ler e nem escrever. Ele não falava e quando alguém falava com ele, ele se recusava a olhar a pessoa de frente.

Sua mãe o matriculou na Wiltwyck, uma escola no interior de Nova York
voltada para meninos emocionalmente perturbados. Seus novos professores o ensinaram a ler e o encorajaram a aprender boxe lá, o que ele fez.

Um ano e meio depois, Patterson voltou para casa. Ele freqüentou a Escola Pública 614 para crianças desajustadas e o Colégio Vocacional Alexander Hamilton antes de abandoná-lo após um ano, para ajudar a sustentar sua família.

Aos 14, ele começou a treinar no Ginásio Gramercy, no Lower East Side de Manhattan, uma instalação surrada de propriedade e administrada pelo
iconoclasta D'Amato. Em 1950, ele também começou a lutar como amador. Em 1951, Patterson conquistou o título do aberto de pesos-médios do Luvas de Ouro de Nova York. Em 1952, após seu sucesso olímpico, ele se transformou em profissional.

Sua primeira luta profissional lhe rendeu apenas US$ 300, mas em 1956 ele se tornou um peso pesado de ponta. Quando Rocky Marciano se aposentou naquele ano como campeão invicto, Patterson lutou contra Moore, o campeão do peso meio-pesado, pelo título dos pesos pesados.

Para a luta, em 30 de novembro no Chicago Stadium, Patterson seguiu para o evento de carro com Sam Taub, o narrador veterano e jornalista. Como Taub lembrou: "Ele ficou lá olhando pela janela como se estivesse indo ao cinema".

Quando chegaram, Patterson vestiu seu calção, meias, botas de boxe e roupão, se deitou na mesa de massagem e dormiu. Poucas horas depois, ele parou Moore, 42 anos, em cinco assaltos e, aos 21 anos, se tornou o mais jovem campeão dos pesos pesados até aquela altura.

Patterson defendeu o título com disposição mas de forma desconfortável. Em 1957, ele nocauteou Pete Rademacher em seis assaltos em Seattle, e em 1958 ele parou Roy Harris em 12 assaltos em Los Angeles, depois dos dois lutadores o terem derrubado.

Em 26 de junho de 1959, no Yankee Stadium, Patterson perdeu o título quando Johansson o derrubou sete vezes antes do árbitro interromper a luta no terceiro assalto. Mas ele se tornou o primeiro peso pesado a recuperar o título quando nocauteou Johansson no quinto assalto no Polo Grounds, em 20 de junho de 1960. "Valeu a pena perder o título por isto", disse Patterson. "Este é facilmente o momento mais gratificante da minha vida. Sou campeão de novo, um campeão de verdade desta vez."

Patterson e Johansson lutaram uma terceira vez pelo título, em 13 de março de 1961, em Miami Beach. Após ser derrubado duas vezes, Patterson nocauteou Johansson no sexto assalto, apesar de alguns espectadores próximos terem achado que Johansson se levantou da lona antes da contagem chegar a 10.

Bert Sugar, um historiador do boxe, disse por telefone na quinta-feira:
"Você tenta dizer às pessoas quão gentil Patterson era e quão difícil era conciliar isto com o boxe. Na segunda luta entre eles, Patterson o derrubou, então o levantou e o arrastou de volta ao seu corner. Eu nunca vi nada como aquilo no mundo dos esportes".

Os dias de glória acabaram com duas lutas de Patterson pelo título contra Sonny Liston. Em 25 de setembro de 1962, em Chicago, Liston nocauteou Patterson no primeiro assalto e se tornou campeão. Um Patterson embaraçado dirigiu para casa usando óculos escuros, bigode e barba. Mas ele insistiu em uma nova luta porque, segundo ele, "se eu parar agora, isto significaria que fugi correndo".

"Eu fazia isto quando era criança", ele acrescentou. "Mas superei isto."

A revanche ocorreu em 22 de julho de 1963, em Las Vegas, e o resultado foi o mesmo -Liston venceu por nocaute no primeiro assalto. Patterson continuou lutando depois disso, mas nunca no mesmo nível de campeão.

Em 1965 em Las Vegas, com Patterson escondendo uma lesão nas costas,
Muhammad Ali praticamente o torturou antes de vencer em 12 assaltos. Em 1970 no Madison Square Garden, Ali abriu um corte de sete pontos no supercílio esquerdo de Patterson e o venceu em sete assaltos.

Após Patterson finalmente se aposentar em 1972, ele se tornou um respeitado divulgador do seu esporte. Em 1983, ele disse a um subcomitê legislativo: "Eu não gostaria de ver o boxe abolido. Eu vim de um gueto e o boxe foi minha saída. Seria lamentável abolir o boxe porque estariam retirando esta saída".

De 1977 a 1984 ele foi um membro e de 1995 a 1998 o presidente da Comissão Atlética do Estado de Nova York, que supervisionava o boxe no Estado. Ele liderou uma campanha bem-sucedida para que o Estado obrigasse o uso de luvas sem polegar para reduzir ferimentos nos olhos.

Em abril de 1998, enquanto dava um depoimento, sua memória recente falhou. Ele não conseguia se lembrar dos nomes de dois colegas comissários ou da rotina de sua secretária ou escritório. Ele renunciou ao cargo no dia seguinte.

Patterson deixa sua esposa, Janet, com quem se casou em 1965; duas filhas, Jennifer Patterson, de Kingston, Nova York, e Janine Patterson, de New Paltz; e um filho adotivo, Tracy Harris Patterson, de Highland, Nova York, ao qual conduziu ao título de peso supergalo pelo Conselho Mundial de Boxe, em 1992. Ele também deixa dois filhos e duas filhas de um casamento anterior, Floyd, Eric, Seneca e Trina; três irmãos, Sherman, Raymond e Alvin; duas irmãs, Deanna e Carolyn, e oito netos. Maiores informações sobre estes familiares não estava disponível.

Patterson ingressou no Salão da Fama do Comitê Olímpico americano em 1987 e no Salão da Fama do Boxe Internacional em 1991. O público o amava. Como Dave Anderson escreveu em 1972 no "The Times":

"Ele projeta uma imagem incongruente de gladiador gentil, um mártir
perseguido pelos demônios de sua profissão. Mas sua mística também contém uma curiosidade mórbida. Qualquer fã de boxe digno de seu peso em livros 'The Ring' querem estar presentes na última luta de Floyd. Até lá, Floyd Patterson continua lutando, com os moinhos de sua mente movidos pelos seus próprios deslocamentos de ar de seus punhos." George El Khouri Andolfato

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