UOL Notícias Internacional
 

13/05/2006

Bush fará pronunciamento sobre a questão da imigração

The New York Times
Jim Rutenberg

em Washington
A Casa Branca informou na sexta-feira (12/05) que o presidente Bush abrirá a próxima fase do debate sobre a imigração ilegal na próxima semana com uma ênfase renovada na segurança de fronteira - incluindo a possibilidade de utilização de mais contingentes da Guarda Nacional -, dando sinais de uma tentativa de tranqüilizar os conservadores a respeito de uma questão que dividiu profundamente o seu partido.

A Casa branca anunciou que Bush fará um pronunciamento televisado na manhã de segunda-feira - o seu primeiro discurso sobre política interna feito no Salão Oval - para estimular a pressão popular sobre o Congresso, no momento em que o Senado tenta mais uma vez aprovar uma legislação no sentido de atender tanto às demandas pela contenção da entrada de trabalhadores sem documentos pela fronteira com o México, quanto o desejo dos empregadores norte-americanos de contar com o acesso confiável a uma força de trabalho que recebe baixos salários.

Bush procurou caminhar sobre uma linha que divide a posição adotada pelos republicanos na Câmara, que se opõem a quaisquer medidas para a legalização dos trabalhadores sem documentos, e o Senado, onde muitos republicanos são favoráveis à concessão de uma rota para a cidadania a alguns imigrantes ilegais. Mas os seus assessores sugerem que Bush precisará primeiro sensibilizar os conservadores, para que tenha chances de obter um acordo.

"Creio que os membros da Câmara gostarão daquilo que ouvirão a respeito da segurança de fronteira", disse uma autoridade graduada do governo a repórteres na Casa Branca. "Mas acredito que aquilo que o presidente tem a dizer terá bastante impacto sobre muitos grupos políticos". Foi prometido o anonimato à autoridade para que ela falasse sobre um discurso presidencial que ainda está sendo redigido.

Autoridades da Casa Branca afirmam que Bush está estudando as propostas no sentido de aumentar o número de policiais e militares que patrulham a fronteira, de acelerar o uso de instrumentos de vigilância de alta tecnologia e de aumentar a repressão aos trabalhadores ilegais e seus patrões.

Três autoridades de alto escalão - uma do governo federal, uma das forças armadas e a outra do gabinete do governador de um Estado de fronteira - disseram que está sendo analisado um plano para o fornecimento de dinheiro aos Estados para que estes recebam mais tropas da Guarda Nacional, que ajudarão a Patrulha de Fronteira. Mas, segundo as autoridades, tal medida seria temporária, vigorando apenas enquanto o governo federal providencia o treinamento de mais agentes de segurança de fronteira.

"A questão é saber como utilizar os recursos disponíveis da melhor forma possível, a fim de que se tenha um impacto imediato", diz o funcionário graduado do governo. "Parte desse problema é determinar se poderia haver um papel para a Guarda Nacional".

Ainda na sexta-feira, o secretário de Defesa Donald Rumsfeld se reuniu no Pentágono com o ministro da Defesa do México, general Gerardo Clemente Ricardo Vega. Funcionários do Pentágono disseram que os dois discutiram, entre outras coisas, a potencial ajuda dos Estados Unidos para o treinamento e fornecimento de materiais às forças mexicanas da fronteira.

O tema que será submetido à votação no Senado na semana que vem contrasta vivamente com a legislação já aprovada no Senado, que procuraria lacrar a fronteira e reprimir os imigrantes ilegais e aqueles que os empregarem ou abrigarem.

Os líderes do Senado esperam aprovar a legislação mais branda já no início da próxima semana, dando início a uma esperada rodada de duras negociações entre a Câmara e o Senado, que o presidente tentará mediar.

"Este é um período difícil", disse aos repórteres, na sexta-feira, o secretário de Imprensa da Casa Branca, Tony Snow.

A Casa Branca está esperando que as grandes redes de televisão informem se transmitirão a fala do presidente na tarde da segunda-feira, durante o seu horário nobre utilizado para veicular as propagandas mais caras. Neste final de semana, Snow tentará convencê-las a ceder o espaço. A NBC concordou em transmitir o discurso. A CBS, a ABC e a FOX ainda estão avaliando se isso atrapalharia as suas programações normais.

Bush geralmente se mantém distante das batalhas do legislativo até os estágios finais do processo, mas neste caso ele tem sido pressionado pelas lideranças republicanas no Congresso no sentido de agir com mais rigor, caso queira que a legislação seja aprovada neste ano. Ao decidir assumir maiores riscos políticos ao deixar que Bush faça um pronunciamento em cadeia nacional de televisão sobre uma questão tão divisiva, a Casa Branca está tentando também reafirmar de forma mais geral o poder presidencial de Bush, em um momento em que os seus índices de aprovação atingiram os seus valores mais baixos, e a sua base conservadora está cada vez mais insatisfeita com a sua postura com relação a uma série de tópicos, incluindo a imigração.

A intranqüilidade entre os conservadores está preocupando membros republicanos do Congresso, que neste ano lutam pela reeleição, e que cada vez mais expressam publicamente o seu desacordo com a Casa Branca. Mas os senadores republicanos e democratas que têm tentado negociar um acordo sobre a imigração vêm sendo cada vez mais solicitados pelo presidente a assumir um papel mais ativo no sentido de unir os conservadores.

"Isso nos ajudará bastante no debate", disse o senador Mel Martinez, republicano da Flórida, referindo-se ao pronunciamento a ser feito pelo presidente. Martinez, um patrocinador da legislação mais branda no Senado, acrescentou: "A melhor coisa que ele poderia fazer agora seria uma declaração boa e forte sobre a segurança na fronteira".

O uso de militares na forma de uma presença maior da Guarda Nacional ao longo da fronteira seria um potente símbolo político, ainda que as tropas se restringissem a apoiar os agentes na apreensão de pessoas que entram no país ilegalmente. Os governadores já contam com a autoridade para enviarem as suas tropas da Guarda Nacional para o desempenho de tais missões, e alguns já procederam desta forma. As forças armadas norte-americanas oferecem regularmente assistência para o esforço de patrulha de fronteira, mas em missões cuidadosamente planejadas, a fim de evitar que se ultrapassem os limites legais que proíbem que os militares exerçam funções policiais em solo norte-americano. Essas missões incluem vigilância, inteligência e outras funções de apoio.

As autoridades não informam quantos soldados poderiam ser usados na fronteira - acrescentando que atualmente existem algumas centenas -, mas, segundo certas informações, este número poderia chegar a 10 mil.

O governador do Novo México, Bill Richardson, um democrata, reclamou de que ainda não conta com o número prometido de agentes para patrulha de fronteira. Ele disse que o seu contingente da Guarda Nacional já é insuficiente, e que precisou daqueles que estão em suas casas para ajudar a conter os incêndios na vegetação nativa. "Do que eu mais necessito são agentes de patrulha de fronteira", disse ele, acrescentando que a Casa Branca não o consultou a respeito das suas necessidades nesta área.

Ma a Casa Branca tem estado ocupada conversando com membros do Congresso, especialmente aqueles dos Estados de fronteira. O principal conselheiro político da Casa Branca, Karl Rove, tem mantido reuniões no Congresso, tentando acalmar os conservadores impacientes e procurando fazer com que acatem o plano do presidente.

"Tenho estado muito frustrado com esta questão", disse o deputado Kevin Brady, um republicano do Texas que participou de uma das reuniões com Rove nesta semana. "Mas Karl Rove parece determinado a garantir a segurança da fronteira, e neste momento o foco nos resultados me agrada".

Mas quando lhe perguntaram se ele estaria inclinado a aprovar uma legislação que incluiria a figura do trabalhador temporário, Brady disse: "Não vamos colocar o carro na frente dos bois".

A autoridade graduada que falou aos repórteres disse que vários republicanos e conservadores concordam com o presidente, mas admite que há outros que não concordam. "Isso é algo que tentaremos trabalhar no sentido que se reconciliem tais posições", disse ele. Danilo Fonseca

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