UOL Notícias Internacional
 

16/05/2006

EUA e Líbia restabelecem laços diplomáticos

The New York Times
Joel Brinkley
Em Washington
O governo Bush anunciou na segunda-feira (15/5) que restabelecerá laços diplomáticos plenos com a Líbia, porque o país abandonou seus programas de armas nucleares e outras armas não convencionais e tem ajudado na campanha contra o terror. A decisão coloca fim a mais de 25 anos de hostilidade e ao mesmo tempo envia um forte sinal para que Irã e Coréia do Norte façam o mesmo.

Juntamente com a normalização das relações e a intenção anunciada de abrir uma nova embaixada em Trípoli, o governo removeu a Líbia da lista de países que patrocinam o terrorismo. Os Estados Unidos tinham reafirmado a presença da Líbia na lista em março.

Os anúncios de segunda-feira foram resultado da decisão surpreendente da Líbia, em 2003, de renunciar ao terror. Na época, importantes autoridades americanas disseram acreditar que o coronel Muamar Gaddafi, o líder líbio, tinha dado o passo por cautela devido à invasão americana ao Iraque poucos meses antes. De lá para cá, a Líbia também destruiu seus estoques de armas químicas e desmontou seu programa secreto de armas nucleares.

"A Líbia é um modelo importante no momento em que países de todo mundo pressionam pela mudança de comportamento dos regimes iraniano e norte-coreano", disse a secretária de Estado, Condoleezza Rice. A declaração dela foi apenas uma de várias semelhantes na segunda-feira, feitas por várias autoridades que trabalharam arduamente para transformar a mudança de comportamento da Líbia em uma lição para o Irã, no momento em que uma resolução relacionada ao programa de desenvolvimento nuclear iraniano continua parada no Conselho de Segurança da ONU.

Mas até o momento, o Irã tem ridicularizado abertamente a Líbia pela sua reaproximação com o Ocidente. Na segunda-feira, entretanto, a Líbia recebeu a notícia com entusiasmo e até mesmo prometeu cooperar com os Estados Unidos em ao menos uma área na que está mal dotada para oferecer ajuda.

"Nós encorajamos a América a seguir no caminho da cooperação e esperamos cooperar juntos por meio do debate cultural na difusão da democracia pelo mundo", disse Mustapha Zaidi, que lidera os Comitês Revolucionários da Líbia -um aparato para o controle do país com mão de ferro por Gaddafi.

Os Estados Unidos retiraram seu embaixador da Líbia em 1972, depois que Gaddafi renunciou os acordos com o Ocidente e repetidamente investiu contra os Estados Unidos em discursos e declarações públicas.

Após uma turba furiosa ter saqueado e queimado a embaixada americana em 1979, os Estados Unidos cortaram relações. Mas o relacionamento atingiu seu ponto mais baixo em 1986, quando o governo Reagan acusou a Líbia de ter ordenado o atentado a bomba contra uma discoteca alemã, que matou três pessoas. Em resposta, os Estados Unidos bombardearam alvos em Trípoli e Benghazi.

Talvez a mais notória das ações da Líbia tenha sido o atentado ao Vôo 103 da Pan Am sobre Lockerbie, Escócia, em 1988, que matou 270 pessoas a bordo e em solo. A Líbia aceitou posteriormente a responsabilidade, entregou dois suspeitos e pagou mais de US$ 2 bilhões às famílias das vítimas. Outro pagamento de cerca de US$ 700 milhões será pago agora.

Foram conflitantes as reações dos parentes e outros afetados pelo atentado. O Departamento de Estado os notificou sobre a decisão por um e-mail na manhã de segunda-feira.

Susan Cohen, de Cape May Courthouse, Nova Jersey, perdeu seu único filho na explosão do avião. "Gaddafi triunfou", ela disse na segunda-feira. "Isto tudo é feito pelo petróleo; é só com isto que se importam."

Mas em 2004 os parentes de 230 vítimas assinaram uma carta ao presidente Bush pedindo para que as sanções fosse suspensas. A suspensão desbloqueou os fundos para o acordo. A Líbia é uma grande produtora de petróleo, membro da Opep, mas David Welch, o secretário-assistente de Estado para Oriente Médio, insistiu: "Esta decisão não foi tomada porque a Líbia tem petróleo. Esta decisão foi tomada porque eles atenderam às nossas preocupações de segurança nacional".

Ao mesmo tempo em que suspendia as sanções à Líbia, os Estados Unidos listaram na segunda-feira a Venezuela como um país que não está cooperando na questão do terrorismo. O Departamento de Estado disse que o presidente venezuelano, Hugo Chávez, deu apoio retórico ao Irã e à insurreição iraquiana, assim como tem fornecido ajuda aos rebeldes envolvidos no tráfico de drogas na Colômbia.

"Ninguém está dizendo que a Venezuela está ativamente patrocinando o terrorismo", disse um funcionário do Departamento de Estado, que falou sob a condição de anonimato devido às regras do departamento. "Mas a Venezuela tem claramente mostrado falta de interesse em trabalhar conosco para combatê-lo."

A listagem da Venezuela significa que os Estados Unidos não podem vender equipamento militar, mas as autoridades disseram que tais vendas são insignificantes no momento.

Por décadas, a Líbia esteve entre a meia dúzia de Estados párias que os Estados Unidos listavam rotineiramente como Estados patrocinadores do terror, juntamente com Irã, Coréia do Norte, Cuba, Síria e Sudão. No mais recente relatório de terrorismo publicado no mês passado, o Departamento de Estado notou que a Líbia tinha feito progressos.

Henry Crumpton, o coordenador de contraterrorismo do Departamento de Estado, disse em uma entrevista que um fato que ajudou a levar à decisão foi "a assistência da Líbia na identificação de algumas das redes terroristas que penetravam no Iraque. Eles têm fornecido informação voluntariamente; nós mantivemos discussões bastante dinâmicas" no último ano.

Os Estados Unidos abriram uma "seção de interesses" na Líbia dois anos atrás, dando a Washington uma pequena presença diplomática. Passos adicionais em 2004 gradualmente abriram a Líbia às empresas americanas, incluindo empresas de energia.

Mas mesmo com a maioria das restrições suspensas, a Líbia continua sendo um Estado fechado, autocrático, governado por um líder volúvel e imprevisível. Assim, notou Welch, "a Líbia continua sendo um local problemático para se realizar negócios".

* Matthew L. Wald e Steven R. Weisman contribuíram com reportagem para este artigo. Reaproximação se deve ao abandono dos programas de armas nucleares pelo país árabe, e encerra 25 anos de hostilidades George El Khouri Andolfato

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