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17/05/2006

Bush promove plano de imigração no Congresso mas encontra resistência

The New York Times
Carl Hulse e Jim Rutenberg

Em Washington
O presidente Bush prosseguiu agressivamente na terça-feira em seu esforço para unir os republicanos da Câmara e do Senado em torno de um plano para reduzir a imigração ilegal. Mas ele encontrou uma resistência renovada dos conservadores, que disseram não terem sido convencidos pelo argumento apresentado por ele, na segunda-feira, de dar a muitos trabalhadores sem documentos uma eventual chance de se tornarem cidadãos.

O governo iniciou um esforço total para formar apoio à posição do presidente, incluindo a presença do vice-presidente Dick Cheney no programa de rádio de Rush Limbaugh para tentar amolecer os conservadores. O plano de Bush combina a promessa de reforçar a segurança da fronteira, apoiada pelo envio de até 6 mil soldados da Guarda Nacional, com a criação de um programa de trabalhadores convidados e uma oportunidade para que os imigrantes ilegais que atendam certos requisitos obtenham o status legal.

Bush falou por telefone na terça-feira com o presidente da Câmara, Dennis Hastert, e com o líder da maioria no Senado, Bill Frist, para pressionar seu argumento enquanto outros funcionários do governo falavam com outros legisladores.

Funcionários da Casa Branca disseram que esperam meses de trabalho para formar um apoio popular e conquistar os votos necessários no Capitólio para que o projeto seja aprovado no Senado e haja um compromisso com a Câmara, que já aprovou uma legislação que enfatiza a segurança na fronteira e torna crime estar nos Estados Unidos ilegalmente.

Bush planeja viajar ao Arizona na quinta-feira para falar novamente sobre o assunto, que ele transformou em um teste de sua autoridade política e uma das iniciativas domésticas definidoras de seu segundo mandato. Karl Rove, o estrategista de Bush, deverá se encontrar privativamente na manhã de quarta-feira com republicanos da Câmara, no Capitólio.

Mas, um dia depois de Bush ter feito um discurso no Escritório Oval sobre o assunto, transmitido pela TV, havia pouca evidência de que ele conseguiu superar a profunda divisão dentro de seu próprio partido ou de que sensibilizou a opinião pública o suficiente para romper o impasse.

John A. Boehner, deputado de Ohio e líder da maioria na Câmara, deu crédito a Bush por fazer um esforço público na questão da imigração e disse acreditar que um acordo final é possível. Mas, ele disse, "eu não subestimo a dificuldade na Câmara e no Senado para se chegar a um acordo sobre isto".

Os conservadores da Câmara envolvidos no debate da imigração disseram que vêem pouca chance de conciliar a legislação que está despontando no Senado e o projeto da Câmara. "A ênfase dada na anistia não emplacará, especialmente na Câmara", disse o deputado Tom Tancredo, republicano do Colorado, um dos líderes do esforço para impedir o afluxo de imigrantes ilegais do México e da América Central.

Ele e outros republicanos disseram que seu partido, já enfrentando dificuldades nas eleições de novembro, sofreria em caso de sucesso do presidente em promover sua proposta, que eles dizem divergir da opinião pública e correr o risco de alienar grande parte da base republicana.

"Ela não será aceita pelo povo americano e o Partido Republicano pagará o preço nas urnas", disse o deputado Dana Rohrabacher, republicano da Califórnia. Ele disse que alguns companheiros conservadores consideraram condescendente o discurso do presidente na segunda-feira e disse que comentários "indicaram uma malícia por parte daqueles que insistem que a imigração ilegal é ruim para o país".

Funcionários da Casa Branca disseram acreditar que algumas destas posições poderão ser suavizadas com o tempo. "A questão não irá mudar do dia para a noite entre aqueles com posições bastante entrincheiradas", disse Dan Bartlett, o conselheiro da Casa Branca.

O Senado começou a trabalhar na terça-feira em sua versão, que praticamente segue a abordagem endossada por Bush. Nos primeiros votos dados no Senado ao projeto, os legisladores ficaram ao lado do presidente e dos defensores de uma reforma abrangente, rejeitando uma proposta republicana de que a fronteira deve ser declarada como segura pelo Departamento de Segurança Interna antes que quaisquer novas medidas sejam tomadas em relação aos imigrantes.

A votação de 55 votos contra 40 contra o plano do senador Johnny Isakson, republicano da Geórgia, foi vista como forte evidência de apoio da maioria no Senado à abordagem mais ampla defendida por Bush. Depois disto o Senado rejeitou outros esforços para alterar a legislação.

"Primeiro um endurecimento da lei pode ser um slogan de campanha atraente, mas é uma política ruim", disse o senador Edward M. Kennedy, democrata de Massachusetts, um membro da coalizão bipartidária por trás do esforço do Senado de um projeto amplo que lide não apenas com uma maior segurança na fronteira, mas também com o que fazer com os cerca de 11 milhões de moradores ilegais nos Estados Unidos.

Os republicanos na Câmara e alguns no Senado alertaram que a aprovação de tal abordagem no Senado poderá levar a um confronto brutal com a Câmara, onde muitos republicanos se opõem veementemente a qualquer legislação que permita trabalhadores temporários ou a perspectiva de cidadania para imigrantes ilegais.

"Se este projeto sair sem nenhuma grande emenda, então eu acho que estaremos em rota de colisão com a Câmara", disse o senador Saxby Chambliss, republicano da Geórgia. Ele e outros republicanos disseram que o plano de Bush seria visto como uma anistia por muitos americanos, mesmo se os imigrantes ilegais tivessem que pagar muitas e cumprir outras exigências, porque ainda assim seriam recompensados com status legal.

"Independente de dizerem que é anistia ou não, é uma anistia quando alguém que está aqui ilegalmente recebe um caminho para a cidadania sem voltar para seu país natal", disse o senador Tom Coburn, republicano de Oklahoma.

Bush e funcionários da Casa Branca foram enfáticos na terça-feira de que ele não aprovará uma legislação que não inclua um programa de trabalhadores convidados e o "caminho para a cidadania", como esboçou na noite de segunda-feira.

"Eu disse que quero um projeto abrangente", disse Bush quando um repórter começou a lhe perguntar se poderia aceitar projetos separados.

Caracterizando o discurso do presidente como o início de um longo diálogo, funcionários da Casa Branca reconheceram em entrevistas que enfrentarão uma dura estrada à frente se quiserem mudar a cabeça dos legisladores, que consideram uma anistia as propostas do presidente de um programa de trabalhadores convidados e a chance de cidadania. Tony Snow, o porta-voz da Casa Branca, disse durante uma coletiva de imprensa que anistia é o que o presidente Ronald Reagan concedeu em 1986 -quando concedeu status legal a quase 3 milhões de imigrantes ilegais- mas não o que Bush está propondo agora.

Funcionários da Casa Branca disseram que Cheney, que tem laços profundos com os republicanos da Câmara e continua influente entre os conservadores, começará a exercer um papel maior no debate.

Na entrevista com Limbaugh, Cheney promoveu as ações que o governo já adotou para proteger a fronteira -a deportação de 6 milhões de pessoas pegas tentando cruzá-la durante a presidência de Bush- e as novas propostas do presidente.

Mas Limbaugh acentuou estudos que afirmam que o programa de trabalhadores convidados expandiria o número de cidadãos nascidos no exterior em dezenas de milhões.

"Bem, se este for o caso", disse Cheney, "eu espero que isto informe o
debate e que o Congresso considere estes tipos de impacto cuidadosamente antes de finalmente aprovar algo. Nós certamente pesaremos isto".

Os senadores aprovaram um plano do senador Jeff Bingaman, democrata do Novo México, de limitar o número de trabalhadores convidados a 200 mil por ano, em vez dos 350 mil na medida, que também permitiria aumentos anuais automáticos. O senador John Kerry, democrata de Massachusetts, obteve aprovação para seu pedido de envio de até 1.000 agentes de fronteira adicionais nos casos em que um governador declare uma emergência na fronteira.

O Escritório de Orçamento do Congresso estimou na terça-feira que a versão do Senado da medida de imigração custaria cerca de US$ 54 bilhões ao longo de 10 anos em novos gastos sociais e benefícios fiscais, ao mesmo tempo em que aumentaria a população americana em cerca de 8 milhões. Segundo a estimativa da agência, a medida também custaria cerca de US$ 25 bilhões em gastos diretos em novos programas federais, mas aumentaria a arrecadação tributária em mais de US$ 60 bilhões ao longo de 10 anos. George El Khouri Andolfato

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