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17/05/2006

Governadores de Estados fronteiriços questionam projeto de imigração

The New York Times
John M. Broder

em Los Angeles
Por anos, os governadores dos quatro Estados ao longo da fronteira de 3.200 km com o México pediram a Washington ajuda para lidar com a imigração ilegal. Em geral, foram recebidos com silêncio, atrasos ou promessas vazias.

O discurso do presidente Bush na segunda-feira (15/5) à noite ofereceu aos governadores da Califórnia, Arizona, Novo México e Texas alguma esperança de que Washington finalmente estaria ouvindo.

Mas assim como Bush, os quatro governadores estão trilhando uma estreita faixa política entre os conservadores, exigindo uma vedação das fronteiras, e grupos os pró-imigrantes, pedindo uma abordagem mais misericordiosa.
Números crescentes de eleitores hispânicos na região, também divididos na questão de direitos de imigrantes, complicam a equação política.

O projeto do presidente -o uso da Guarda Nacional por ao menos um ano, um programa de trabalhador convidado e uma vaga oferta de cidadania para alguns trabalhadores sem documentos- deu aos governadores, todos candidatos à reeleição, uma oportunidade para ressaltar suas diferenças com o governo federal e pedir mais ação.

Restaram muitas perguntas. Não houve consulta aos governadores antes do presidente anunciar suas propostas e nenhuma discussão de como os Estados vão pagar os bilhões de dólares para dar educação, cuidados médicos e outros serviços públicos para os milhares de imigrantes ilegais que já estão nos EUA.

A governadora Janet Napolitano, democrata do Arizona, vem pedindo à Casa Branca e ao Pentágono desde dezembro para receber para mais soldados da Guarda Nacional para o patrulhamento da fronteira do Arizona, por onde entram quase metade dos imigrantes ilegais do México.

"Acho que o presidente finalmente se mexeu", disse Napolitano na terça-feira. "Eles permitiram que esse problema se inflamasse por muito tempo. Isso deveria ter sido resolvido anos atrás." Ela disse que depois de ignorar os governadores por anos, Washington começou a enfrentar o sistema de imigração falido do país, depois que vigilantes começaram a patrulhar as fronteiras e milhões de manifestantes lotaram as ruas pedindo direitos para imigrantes.

"Foi um grito do país, dizendo que queremos um sistema de imigração que funcione e seja fiscalizado", disse ela. Os governadores no Sudoeste não têm o luxo de ver o problema da imigração como uma questão de longo prazo, que requer anos de debate e uma abordagem interdisciplinar. Para eles, é uma crise muito cara, que requer o despacho rápido de pessoal e verbas federais.

Bill Richardson, governador democrata do Novo México e potencial candidato à presidente em 2008, reclamou que a Casa Branca não consultou as autoridades da fronteira sobre a batalha da imigração. "Não houve consultas. Zero, zero zero, nada", disse Richardson.

Ele chamou o uso da Guarda Nacional na fronteira mexicana como uma medida temporária sem efeito dissuasor algum.

"O que exatamente vão fazer?" perguntou. "Quais serão as regras de combate? Essas perguntas não foram respondidas."

As críticas aos planos do presidente foram dos dois partidos. O governador Arnold Schwarzenegger, republicano da Califórnia, disse que usar as tropas da Guarda Nacional é no máximo uma "solução Band-Aid" e não uma abordagem de longo prazo. E ele questionou se 6.000 homens seriam o suficiente para deter o fluxo de imigrantes.

"Não ouvi o presidente dizer que nosso objetivo é segurar as fronteiras, custe o que custar. É isso que quero ouvir", disse Schwarzenegger em uma cerimônia de sanção de lei na terça-feira. "E se tivermos 6.000 homens da Guarda Nacional nas fronteiras e descobrirmos que o mesmo número de pessoas está passando? Significará que vamos aumentar para 12.000, 15.000 ou 50.000? Não sabemos. Eu não tenho a menor idéia. E não fomos consultados nisso; realmente não fomos incluídos no processo de tomada de decisão, então não sei dizer."

Schwarzenegger e Bush, ex-governador do Texas, enfrentam o índice de aprovação em queda e têm esperanças de usar a imigração para melhorar sua sorte política com uma questão emotiva que divide os dois partidos. Eles compartilham a experiência de governar Estados com grandes números de imigrantes e bases republicanas exigindo o controle estrito da fronteira e nenhuma anistia para os que estão no país ilegalmente.

Então Schwarzenegger, que é imigrante, elogiou a ênfase de Bush em reconquistar o controle da fronteira e também pediu um caminho para a cidadania, ao menos para alguns dos milhões de imigrantes que procuraram uma vida melhor nos EUA.

Três horas antes do discurso da noite de segunda-feira, Karl Rove, subchefe do gabinete, e Michael Chertoff, secretário de segurança nacional, informaram aos quatro governadores do plano do presidente. Participantes disseram que a reunião foi curta e sem detalhes, e nada foi dado por escrito para responder às perguntas dos governadores, particularmente sobre os números e missões das forças da Guarda Nacional.

Rove e Chertoff disseram aos governadores que as tropas viriam de Estados em torno do país, mas não deram mais detalhes.

Os governadores expressaram preocupações com o desvio para as fronteiras de membros da Guarda Nacional, já desfalcada pela guerra. Eles dizem que estão preocupados que não terão homens para lidar com incêndios florestais e outros desastres naturais.

Richardson disse que, dos 4.000 membros da Guarda Nacional do Novo México, 68 já estavam patrulhando a fronteira e 300 estavam no Iraque. "Meu comandante de Guarda Nacional disse que provavelmente poderia dispor de 100 homens sem ameaçar nossa resposta a incêndios florestais e outras emergências civis", disse ele. "A guarda já está espalhada. Minha resposta é apenas aprovar os agentes de patrulhamento de fronteira."

O governador que mais apoiou a medida foi Rick Perry, do Texas, republicano que sucedeu Bush. Ele disse que as forças da Guarda Nacional do Texas eram capazes de fazer tarefas variadas -serem empregadas no exterior, em emergências locais e nas fronteiras.

Ele aplaudiu a promessa do presidente de pôr fim ao programa chamado "pegar e largar", sob o qual milhares de pessoas que cruzam ilegalmente as fronteiras são apreendidas, brevemente detidas e depois liberadas com uma data marcada para ver um juiz de imigração. Muitos simplesmente somem. Perry também saudou a promessa de Bush de acrescentar 6.000 agentes ao patrulhamento da fronteira, apesar de dizer que acreditava que o número seria baixo demais.

"O fato é que temos um problema aqui", disse Perry em entrevista na Fox News na terça-feira. "E é bom que o governo federal esteja começando a responder às nossas necessidades."

Bush deve se reunir com Napolitano na quinta-feira em Yuma, a poucos quilômetros da fronteira. Ela disse que planejava pedir a ele que enviasse verbas para cobrir os custos da prisão de imigrantes ilegais e para o fortalecimento da Patrulha de Fronteira.

"Alguns Estados estão sustentando uma carga indevida", disse ela, "e o Arizona é um deles". Deborah Weinberg

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