UOL Notícias Internacional
 

17/05/2006

Violência diminui em São Paulo

The New York Times
Paulo Prada

em São Paulo
A violência disseminada diminuiu na terça-feira após cinco dias de ataques contra bases da policia, ônibus e prédios públicos que paralisaram a maior cidade da América do Sul e deixaram 115 mortos.

A imprensa daqui disse que a violência cessou após as autoridades policiais sobrecarregadas terem se reunido no domingo com o líder da poderosa organização criminosa que orquestrou o ataque, que segundo noticiado teria ordenado uma trégua por celular de sua cela na prisão.

Mas ambos os lados negaram posteriormente terem fechado qualquer acordo. "O governo não se submete a quaisquer exigências", disse Marco Antonio Desgualdo, o delegado-geral de Polícia Civil de São Paulo, em uma entrevista na terça-feira. "A polícia não negociou."

As autoridades do governo também negaram os relatos da imprensa local de que a polícia usou a crise para matar suspeitos que já tinham sido identificados como membros da gangue. A reação policial durante os confrontos levaram à prisão de mais de 100 suspeitos e à morte de 71.

Apesar da maioria dos mortos serem suspeitos de serem criminosos, cerca de 40 policiais também foram mortos, e a escala do confronto levou muitos a questionarem uma já abalada confiança nas forças de segurança pública do Brasil.

Enquanto as autoridades buscavam restaurar a ordem e identificar os responsáveis, moradores da cidade e especialistas em segurança criticaram as autoridades policiais e o governo estadual de São Paulo, que, segundo eles, estavam despreparados para lidar com a crise e rejeitaram ajuda para evitar um embaraço político.

"Foi uma total falta de sensibilidade", disse Oscar Vilhena, um advogado e cientista político que co-dirige a Conectas Direitos Humanos, uma organização não-governamental baseada em São Paulo. "A ofensiva foi maior do que qualquer coisa para a qual a polícia tenha planejado e além daquilo que o governo considerava possível."

Notórios pelo excesso de lotação, os presídios de São Paulo se tornaram bases de operação para líderes criminosos que usam suborno e força para orquestrar tráfico de drogas, extorsão e outras atividades ilícitas por trás das grades, por meio de celulares e rádios contrabandeados para dentro dos presídios.

Nos últimos cinco dias, os líderes criminosos coordenaram mais de 250 ataques, execuções e rebeliões em cerca de 70 presídios estaduais de São Paulo. As rebeliões terminaram na noite de segunda-feira e cerca de 200 reféns foram libertados, disseram as autoridades.

O estopim para a violência foi a decisão das autoridades estaduais de remover os líderes do chamado Primeiro Comando da Capital, ou PCC -a maior organização criminosa de São Paulo e o grupo que orquestrou a rebelião- dos presídios na cidade para outra prisão em um canto distante do Estado de São Paulo.

A ação foi planejada para impedir rebeliões esperadas nos presídios durante as visitas de familiares no feriado do Dia das Mães, no domingo. Em vez disso, ela provocou uma rebelião maior que se espalhou pelas ruas da capital, cidades vizinhas e outras regiões do Estado.

Os líderes da organização criminosa ordenaram seguidores do lado de fora da prisão, milhares deles em indulto para o feriado, a ataques às bases da polícia. Os membros da organização e criminosos imitadores continuaram posteriormente a atacar outros alvos, incluindo bancos, uma estação do metrô e cerca de 80 ônibus, incendiados após a retirada dos passageiros.

Quatro civis foram mortos nos ataques, levando os moradores da cidade, na segunda-feira, a deixarem escritórios, lojas e escolas mais cedo para chegar em casa antes do anoitecer. Como as empresas de ônibus retiraram muitos de seus veículos de circulação, a fuga em massa provocou congestionamentos em horários fora de pico durante a tarde.

Ao anoitecer, as ruas geralmente movimentadas de São Paulo estavam praticamente vazias, salvo pelas bases da polícia, onde policiais, com pistolas e rifles automáticos em punho, ficavam atentos ao pouco movimento existente.

O governo federal do Brasil ofereceu o envio de uma força federal para apoiar as forças estaduais, as encarregadas segundo a lei pela segurança do Estado. Mas Cláudio Lembo, o governador em exercício de São Paulo, recusou a oferta na segunda-feira, a chamando de "desnecessária" e argumentando que a violência estava "sob controle".

Mas a decisão levou a uma onda de críticas de que a recusa tinha motivação política. O antecessor de Lembo, Geraldo Alckmin, recentemente deixou o cargo de governador para concorrer à presidência do Brasil, e qualquer fracasso nas políticas de segurança do Estado poderia facilmente ser usado politicamente pela campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Uma intervenção federal pareceria ruim para as políticas de segurança do Estado e, conseqüentemente, para a candidatura de Alckmin", disse Alba Zuluar, diretora de um programa de pesquisa sobre violência e questões de segurança da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

"O governo deveria passar mais tempo tentando impedir este tipo de atividade em vez de tentar se manter no cargo", disse Noélio Alves Ferreira, um lojista de 62 anos do Conjunto dos Metalúrgicos, um bairro a oeste da cidade, em uma entrevista. "Nós somos baleados enquanto eles fazem cálculos políticos."

Ele disse que foi acordado por disparos à 1 hora da madrugada de terça-feira. Os criminosos, disparando contra uma base da polícia vizinha, passaram correndo diante de sua casa, ainda disparando. Quando os disparos acabaram, ele encontrou uma marca de bala em uma parede e uma cápsula vazia na calçada em frente. Com medo de um possível ataque, Lúcia Sousa da Silva, uma comerciante de 46 anos que mora do outro da rua, fechou sua loja mais cedo na segunda-feira, perdendo as lucrativas horas de vendas do anoitecer. "A polícia está totalmente inferiorizada", ela disse. "Ela tenta nos proteger, mas realmente está despreparada." George El Khouri Andolfato

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