UOL Notícias Internacional
 

18/05/2006

Bush busca parceria para fronteiras junto a grandes empresas contratadas da Defesa

The New York Times
Eric Lipton

em Washington
A solução rápida pode envolver o envio da Guarda Nacional. Mas para
realmente remendar a fronteira quebrada, o presidente Bush pretende se
voltar para parceiros familiares do governo: as empresas gigantes do país com contratos com a Defesa.

Lockheed Martin, Raytheon e Northrop Grumman, três das maiores empresas com contratos com a Defesa, estão entre as empresas que disseram que submeterão propostas nas próximas duas semanas para um contrato federal multibilionário para construção de uma "cerca virtual" ao longo das fronteiras do país.

Usando algumas das mesmas ferramentas caras e de alta tecnologia que estas empresas já utilizam no Iraque e no Afeganistão -como veículos aéreos não-tripulados, satélites de vigilância de solo e equipamento de vídeo com detecção de movimento- as empresas com contratos com o Departamento de Defesa estão se voltando para os rios, desertos, montanhas e assentamentos que separam o México e Canadá dos Estados Unidos.

É um reconhecimento humilhante de que apesar de mais de uma década de
iniciativas com nomes como Operação Manter Posição, em El Paso, ou Operação Guarda de Portão, em San Diego, o governo federal fracassou repetidamente em controlar as fronteiras por conta própria.

Por meio de sua Iniciativa Fronteira Segura, o governo Bush pretende não apenas comprar equipamento de alta tecnologia para ajudá-lo a patrulhar as fronteiras -uma tática também já tentada, ao custo de centenas de milhões de dólares, com sucesso extremamente limitado. Ele também está pedindo às empresas que concebam e construam toda uma nova estratégia para a fronteira.

"É um convite incomum", disse Michael Jackson, o vice-secretário do
Departamento de Segurança Interna, para um grupo de empresas no início deste ano, pouco antes do início da apresentação das propostas para este novo contrato. "Nós estamos pedindo a vocês que nos digam como devemos realizar nosso trabalho."

O esforço ocorre no momento em que o Senado votou, na quarta-feira, pelo acréscimo de centenas de quilômetros de cercas ao longo da fronteira com o México. A medida também proíbe que imigrantes ilegais condenados por crime ou três infrações de qualquer espécie possam pedir cidadania.

O plano de alta tecnologia que está em licitação conta com muitos céticos, que dizem que já ouviram um refrão semelhante do governo.

"Nós recebemos propostas caras para uma tecnologia de fronteira elaborada, que no final provou ser ineficaz e um desperdício", disse o deputado Harold Rogers, republicano do Kentucky, em uma audiência para o programa Iniciativa Fronteira Segura no mês passado. "A iniciativa é apenas outro sinônimo de fracasso."

Mas o presidente Bush, entre outros, disse estar convencido de que o governo pode ter sucesso desta vez.

"Nós estamos lançando a iniciativa de segurança na fronteira mais
tecnologicamente avançada na história americana", disse Bush em seu discurso no Escritório Oval, na segunda-feira.

Segundo a iniciativa, a Segurança Interna e sua divisão de Aduana e Proteção de Fronteira ainda estarão encarregados de patrulhar os mais de 9.600 quilômetros de fronteira.

Mas o equipamento que estes agentes da Patrulha de Fronteira usarão, como e quando serão enviados para pontos determinados ao longo da fronteira, onde os agentes reunirão os imigrantes capturados, como os processarão e os transportarão -todos estes passos agora serão roteirizados pela empresa que vencer a licitação, que poderá ganhar cerca de US$ 2 bilhões nos próximos três a seis anos com a proteção da fronteira.

Mais agentes para a Patrulha de Fronteira são parte da resposta: o governo Bush se comprometeu a aumentar a força de 11.500 para 18.500 agentes até o presidente deixar o cargo, em 2008. Mas apenas espalhar igualmente este exército de agentes ao longo da fronteira ou ampliar as cercas nas áreas urbanas e arredores não é suficiente, disseram as autoridades.

"Pessoal em solo não é suficiente", disse Michael Chertoff, o secretário de Segurança Interna, em uma coletiva de imprensa após o anúncio de Bush do envio de até 6 mil soldados da Guarda Nacional para a fronteira.

As ferramentas de guerra modernas devem ser empregadas.

Isto significa aparelhos como o Tethered Aerostat Radar, um balão cheio de hélio feito pela Lockheed Martin para a Força Aérea, que tem o dobro do tamanho do dirigível da Goodyear. Preso ao solo por um cabo, o balão pode pairar no céu e monitorar automaticamente qualquer movimento, durante dia ou noite. (Único problema: ele não opera com ventos fortes.)

A Northrop Grumman está considerando oferecer seu Global Hawk, um veículo aéreo não-tripulado com envergadura quase tão grande quanto a de um Boeing 737, que pode espiar movimento ao longo da fronteira de altitudes de até 19.800 metros, disse Bruce Walker, um executivo da empresa. Mais próximo do solo, a Northrop pode empregar uma esquadra de aviões não-tripulados muito menores, que poderiam ser lançados de um caminhão, voando talvez pouco acima de um grupo já detectado de imigrantes para que seja mais difícil que se dispersem e desapareçam.

A Raytheon tem um pacote de equipamento sensor e de vídeo usado para
proteger as tropas no Iraque, que monitora uma área e usa software para
identificar automaticamente objetos suspeitos, os analisando e destacando antes mesmo de alguém ser enviado em resposta.

Estas mesmas empresas forneceram estas tecnologias ao Pentágono, às vezes com resultados irregulares.

Cada uma destas empresas gigantes -só a Lockheed Martin emprega 135 mil
pessoas e obteve US$ 37,2 bilhões em vendas no ano passado, incluindo cerca de US$ 6 bilhões para o governo federal- está se aliando a dezenas de empresas menores que fornecerão de tudo, de câmeras automáticas a energia auxiliar que manterá este equipamento funcionando no deserto.

As empresas estudaram cada quilômetro da fronteira, esboçando estratégias de detecção e apreensão que variam de acordo com o terreno. Em uma cidade, por exemplo, um imigrante pode desaparecer na multidão em segundos, enquanto os agentes podem dispor de horas para apreender um grupo caminhando pelo deserto, desde que possam rastrear seu movimento.

Se o sistema funcionar, os agentes da Patrulha de Fronteira saberão antes de encontrar um grupo de intrusos quantas pessoas cruzaram, com que rapidez estão se movendo e mesmo se estão armados.

Sem tal informação, disse Kevin Stevens, um oficial da Patrulha de
Fronteira, "nós enviamos mais pessoas do que o necessário para lidar com uma situação que não representava uma ameaça significativa", ou no pior caso, "nós enviamos pessoas insuficientes para lidar com uma ameaça significativa e nos vemos em inferioridade numérica e de armas".

O retrospecto do governo na última década na tentativa de comprar tecnologia de ponta para monitorar a fronteira -aparelhos como câmeras de vídeo, sensores e outras ferramentas que chegaram a um custo de pelo menos US$ 425 milhões- é melancólico.

Devido à má supervisão dos contratos, quase metade das câmeras de vídeo
encomendadas no final dos anos 80 não funcionaram ou não foram instaladas. Os sensores de solo instalados ao longo da fronteira freqüentemente soam alarmes. Mas em 92% dos casos, agentes são enviados em resposta a um animal de passagem, um trem ou outras perturbações, segundo um relatório do final do ano passado do inspetor geral da Segurança Interna.

Um teste mais recente com um veículo aéreo não-tripulado comprado pela
Segurança Interna teve um início igualmente preocupante: o dispositivo de US$ 6,8 milhões, que foi usado no ano passado para patrulhar um trecho de 480 quilômetros da fronteira do Arizona à noite, caiu no final do mês passado.

Com a Fronteira Segura, pelo menos cinco dos chamados integradores de
sistemas -Lockheed, Raytheon, Northrop, assim como Boeing e Ericsson-
deverão submeter propostas. A vencedora, que deverá ser escolhida antes de outubro, não deverá receber um valor específico em dólares. Em vez disso, cada pacote de equipamento e soluções de gestão oferecidos pela empresa serão cotados e comprados individualmente.

"Nós não vamos apenas dizer: 'Oh, isto parece bacana, vamos comprar e
colocar na fronteira'", disse Chertoff em uma coletiva de imprensa na
terça-feira.

Mas ainda há ceticismo. Um total de US$ 101 milhões já estão disponíveis para o programa. Mas na quarta-feira, quando o Comitê Orçamentário da Câmara aprovou a proposta de orçamento de US$ 32,1 bilhões para a Segurança Interna em 2007, ele propôs reservar US$ 25 milhões dos US$ 115 milhões destinados para o esforço de contratação da Fronteira Segura do próximo ano até que o governo defina melhor seu plano.

"A menos que o departamento possa nos mostrar exatamente o que estamos
comprando, nós não financiaremos", disse Rogers. "Nós não financiaremos
programas com falsas expectativas." George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    15h49

    -0,59
    3,131
    Outras moedas
  • Bovespa

    15h51

    -0,21
    65.044,82
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host