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18/05/2006

China amplia operações de espionagem

The New York Times
John Diamond

em Washington
A China está desenvolvendo operações de espionagem agressivas e amplas, para roubar tecnologias de armas americanas que possam ser úteis contra as forças dos EUA, de acordo com os principais caçadores de espiões da nação.

Os agentes de contra-inteligência dos EUA também detectaram uma expansão nas redes de espionagem russa, cubana e iraniana, visando o governo americano e, no caso do Irã, a tecnologia militar americana, de acordo com Timothy Bereznay, diretor assistente da Divisão de Contra-Inteligência do FBI.

A China, no entanto, emergiu como principal ameaça de espionagem, disseram em entrevistas separadas Bereznay e Stephen Bogni, investigador do setor de Fiscalização de Imigração e Alfândega (ICE).

A China "fez uma lista de compras" de armas e componentes, que está tentando adquirir com comerciantes armas e intermediários, disse Bogni. Esses intermediários, freqüentemente chineses, operam em empresas de fachada nos EUA, disse ele. A lista inclui visão noturna, equipamentos para se evitar radares e prejudicar comunicações e sistemas de orientação de mísseis e torpedos.

Na quarta-feira (17/5), um taiwanês acusado de espionagem, o empresário Ko-Suen "Bill" Moo, admitiu ter tentado comprar peças e armas militares, inclusive um motor de caça F-16 e mísseis.

Agentes do ICE disseram que Moo tentou comprar de agentes americanos disfarçados um míssil AGM-129 que pode levar ogivas nucleares por 3.700 km.

A possibilidade de confronto militar entre os EUA e a China por causa do Taiwan está por trás da espionagem, disse Ronald Guerin, chefe da seção do FBI de Ásia Oriental.

Em um cenário de pesadelo, a China poderia usar a tecnologia americana para afundar um porta-aviões americano que estivesse impedindo uma ação chinesa contra o Taiwan, disse Guerin. "Realmente temos que nos preocupar com a possibilidade de nossa própria tecnologia ser usada contra nosso navio de guerra", disse Guerin. "Essa é uma ameaça à segurança nacional dos EUA."

O porta-voz da embaixada chinesa não retornou uma ligação pedindo comentários.

O combate à inteligência é uma atividade altamente sigilosa, envolvendo investigações criminais e informações delicadas e secretas. Bereznay e outras autoridades se dispuseram a conversar a respeito para chamar atenção ao que eles chamam de ameaça emergente à segurança nacional.

O FBI prendeu 25 chineses ou sino-americanos em casos visando a tecnologia americana nos últimos dois anos. Foi um registro sem precedentes se comparado com anos anteriores, disse Guerin. A maior parte dos casos envolveu roubo de tecnologia sensível. O ICE iniciou mais de 400 investigações desde 2000, envolvendo exportações ilícitas tecnologia estratégica e armas americanas para a China, de acordo com estatísticas da agência.

A ameaça de espionagem emergente envolve empresários, representantes comerciais e acadêmicos nos EUA ostensivamente para propósitos legítimos, disse Bereznay. Algumas vezes, a tecnologia alvo é altamente delicada, mas ainda não secreta, requerendo que o governo mova ação de violação de exportação em vez de espionagem.

"Colecionadores estrangeiros não esperam até a tecnologia se tornar secreta", disse Bereznay. "Eles já visam seus alvos na fase de pesquisa e desenvolvimento."

Recentes casos de conspiração

Autoridades federais dizem que as tentativas de espionagem nos EUA estão crescendo. Casos recentes incluem:

- Ko-Suen "Bill" Moo, do Taiwan, que se disse culpado na quarta-feira das acusações de violar controles de exportação de armas e ser um agente secreto chinês. Moo conspirou com um intermediário francês para vender à China mísseis avançados AGM-129 e motores de caças e helicópteros.

- Andrew Huang, 59, exportador de Cromwell, Connecticut, foi indicado no dia 1º de maio por conspirar com autoridades chinesas para vender US$ 27 milhões (em torno de R$ 54 milhões) em equipamentos de telecomunicações para o Iraque, de 1999 a 2001.

- Quatro operadores de Mount Laurel, Nova Jersey, foram condenados no dia 1º de maio em Newark depois de admitirem, no ano passado, terem transferido ilegalmente tecnologias de exportação controlada, como radares, armas "inteligentes" e sistemas de comunicações para a China. Os quatro têm origem chinesa e são cidadãos naturalizados nos EUA. Eles admitiram ter falsificado documentos de remessas para esconder o tipo de tecnologia que vendiam.

- Em julho, o empresário iraniano Abbas Tavakolian foi condenado a 57 meses de prisão depois de assumir a culpa em violações de exportações para vender componentes de caças F-4 e F-14 para o Irã. Tavakolian tentou comprar sistemas de armas para aviões de guerra.

- No dia 6 de outubro de 2004, Ting-Ih Hsu, chinês naturalizado americano, e Hai Lin Nee, cidadão chinês, foram condenados a três anos de condicional por falsas declarações. Hsu e Nee rotularam chips com aplicações para o sistema de mísseis Hellfire como "transistores", de cerca de US$ 20 (R$ 40). Deborah Weinberg

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