UOL Notícias Internacional
 

19/05/2006

Seguindo com leveza no caminho para Mandalay

The New York Times
Joshua Kurlantzick*
O confuso trânsito de repente parou a nossa frente. Acabei de chegar a Mandalay, vindo da movimentada Bangkok, e esperava ter me livrado dos engarrafamentos. Porém cá estava eu, apenas 30 minutos depois de aterrissar no aeroporto, novamente preso entre os carros. Frustrado, coloquei a cabeça para fora e fui imediatamente atingido - mas por grinaldas de jasmim.

Basil Childers/The New York Times 
Sob a luz do pôr do sol, turistas aproveitam a vista panorâmica do Shwesandaw Pagoda

Virei para o outro lado e deparei-me com várias garotas birmanesas de pé sobre a caçamba de um caminhão decorado com bandeirinhas de orações cor de ocre. Tinha ido parar numa cerimônia de noviças, num festival para celebrar o ingresso de moças no convento budista da cidade. Eram pré-adolescentes birmanesas vestidas em roupões brancos e de cor fúcsia, coroas de grinaldas com fios de ouro sobre as cabeças recém raspadas, de pé sobre pedestais nos caminhões - as rainhas do dia. Ao redor, montes de parentes segurando pára-sóis sobre as cabeças das moças e lançando grinaldas às ruas. Monges cantavam enquanto filas de tambores de madeira e finas flautas tocavam melodias agudas atonais.

Apesar de o sudeste asiático estar rapidamente se modernizando - Os Starbucks parecem estar colonizando a Tailândia - Myanmar, o novo nome da Birmânia, é o último país na região preservado em âmbar. Em Myanmar, os homens ainda vestem lungis semelhantes a sarongues em vez de calças, e rituais tradicionais, como a cerimônia das noviças, é o que congestiona o trânsito, e não o novo lançamento da Mercedes. Mal se podem encontrar influências ocidentais. "Não vamos a lugar nenhum." disse um executivo birmanês depois de alguns drinks no clube de vela da capital, onde botes de madeira rangiam. "O que se pode fazer? Tomar outro drink."

Há uma razão para explicar essa sensação de estar parado no tempo, obviamente. Décadas sob um dos mais rígidos regimes militares do mundo deixaram o país isolado e sua economia caótica. Isso acabou afastando a visita de turistas e, conseqüentemente, dificultando o acesso da maioria aos encantos da modernidade. Os birmaneses permaneceram presos aos estilo de vida tradicional. (Em 2005, Myanmar recebeu cerca de 660.000 visitantes estrangeiros, de acordo com dados disponibilizados pelo governo, enquanto que a Tailândia, em 2004, recebeu mais de 11 milhões, como informou a Autoridade Turística Tailandesa.)

"Há somente um destino para o qual não vendemos pacotes de turismo, e este lugar é a Birmânia," disse Justin Francis da Responsible Travel, agente de viagens inglês que promove viagens turísticas socialmente responsáveis. "Vendemos pacotes para qualquer outro lugar cuja população local possa ser beneficiada - até mesmo o Zimbabwe."

O próprio nome do país sugere a situação confusa , além do posicionamento político que alguns turistas assumem mesmo antes de decidir para onde vão. O que antes era Birmânia (em inglês, Burma) recebeu o nome de Myanmar por meio de um decreto militar em 1989. Porém, algumas pessoas no Ocidente - especialmente ativistas ligados à defesa dos direitos humanos, que argumentam que o regime atual é um dos mais opressores do mundo e que já utilizou trabalho forçado para construir atrações turísticas - continuem se referindo ao país por seu antigo nome.

Assim como a Responsible Travel e a Daw Aung San Suu Kyi, o líder da oposição pró-democracia, muitos grupos ligados à defesa dos direitos humanos em Myanmar apoiam um boicote por parte dos turistas, pois consideram o turismo um tipo de endosso ao governo. Os grupos elaboram "listas negras" de agências de viagens que enviam turistas para o país, publicam críticas a editoras de livros de viagens sobre Myanmar, e tentam envergonhar celebridades que visitam o local, como Mick Jagger. "Seria inocência dizer que, por meio do turismo, você está contribuindo" disse Tricia Barnett, diretora do Tourism Concern, um grupo britânico que advoga o turismo responsável, e que acredita que a maior parte da infra-estrutura turística continua intimamente ligada ao regime.

Para outros viajantes, convencidos de que seus dólares ajudarão a população birmanesa, a condição de último local verdadeiramente asiático no sudeste da Ásia é o que atrai realmente. "Quando estive na Birmânia, não conheci ninguém que me dissesse que eu não deveria estar lá," relatou Andrew Gray, fundador do Voices for Burma, outro grupo de defesa. Gray argumenta que turistas conscientes podem gastar seu dinheiro num comércio local que não tenha ligação com o governo e assim ajudar o povo de uma das nações mais pobres da Ásia.

O apelo aos boicotes gerou debates acalorados em sites na Internet e em hotéis que fazem parte da rota asiática de mochileiros. "Não ouvi falar de outro debate tão eloqüente quanto este," disse Brice Gosnell, um editor regional da Lonely Planet. O debate não é necessariamente ruim. Ele informa possíveis visitantes. Muitos viajantes independentes que encontrei se submeteram à leitura de densas obras políticas antes de decidirem ir para lá, embora os turistas que viajam por pacotes de viagens normalmente não façam o mesmo.

Visitei Yangon, o novo nome de Rangoon, mais de cinco vezes na última década, incluindo a mais recente visita em março. Todas as vezes, acordo cedo no primeiro dia para uma peregrinação ao extremo norte do eixo da cidade, o Shwedagon Pagoda. "É de uma grandeza maravilhosa, e todo dourado da base até o topo," escreveu o primeiro inglês que esteve em Myanmar, Ralph Fitch, em 1586, ao deparar-se com o Shwedagon.

A torre ainda hoje se destaca no céu da cidade, com estrutura de cerca de 100 metros de altura em formato de sino com mais de 1.500 anos, pagode coberto de ouro sobre uma camada de metais preciosos e cravado com mais de 5.000 diamantes e outras gemas. Sob o pináculo principal há centenas de abóbadas menores. De manhã, as jóias de Shwedagon refletem o sol como uma daquelas esferas giratórias de discotecas, lançando luzes multicoloridas em todas as direções.

Nessa manhã de março, os pisos de mármore aquecidos pelo sol queimaram a sola de meus pés descalços. Para alguns moradores de Yangon, Shwedagon tornou-se tão central em suas vidas que se sentem totalmente relaxados ali. Enquanto caminho sob a sombra, vejo grupos de homens deitados ao redor da base elevada da Shwedagon Pagoda beliscando petiscos e de vez em quando refrescando-se com baldes d'água próximos à abóbada central. Outros se prostram ao sol, dirigindo preces a uma estátua que, supostamente, proporciona milagres a mulheres estéreis.

Ao sul da torre Shwedagon, no meio de uma movimentada encruzilhada, está o outro extremo do eixo, o Sule Paya - outro templo dourado de quase 2.000 anos. Logo na saída do Sule Paya, rodeado de tráfego, paro em uma loja de chás. Apesar do regime militar, os birmaneses continuam ávidos consumidores de notícias - vejo muitas pessoas segurando pequenos rádios na orelha - e multiplicadores de fofocas. O melhor lugar para espalhar fofocas? As lojas de chás, onde se pode sentar por horas para degustar saladas, provar petiscos indianos e comer nozes de betel - leve entorpecente cujo suco vermelho mancha as ruas de Yangon.

No final da década de 1980, conversas e disputas políticas nas lojas de chá contribuiram para incitar uma revolta contra o governo, que culminou na vitória do partido de Daw Aung San Suu Kyi nas eleições nacionais de 1990, a primeira votação livre depois de três décadas. Porém o regime ignorou a vitória de Aung San Suu Kyi, que desde então foi condenada a um regime de prisão domiciliar, juntamente com pelo menos centenas de outros presos políticos. Nos últimos dois anos, o governo militar tornou-se ainda mais recluso, removendo as sedes de ministérios para um reduto numa floresta na região central de Myanmar sob a orientação de um astrólogo, dizem os boatos. Além disso, foi gerado um culto em torno da pessoa do general-mor, cuja foto adorna praticamente todos os jornais na casa de chá de Sule Paya. De acordo com os Free Burma Rangers, uma organização de auxílio e defesa com base na Tailândia, mais de 11.000 birmaneses fugiram de suas casas nos últimos meses.

Tomando a direção sul, me perco no amontoado de prédios coloniais, alguns com posters divulgando a exibição de "Missing in Action" ("Braddock - O último comando") um sucesso de Chuck Norris de vinte anos atrás, ou revistas com quinze anos de atraso. Os antigos postos avançados do Raj Britânico, hoje começam a se deteriorar devido à umidade, apesar de estruturas como a antiga Corte Suprema, imponente edifício vitoriano de tijolos vermelhos com um relógio numa torre estilo Big Ben, ainda preservarem sua majestade.

Nas margens das águas, passeio pelo lobby do Strand, o solene hotel de Yangon onde no passado barcos a vapor despejavam marajás, príncipes e toda a nobreza do Raj. O hotel foi elegantemente reformado e tem clássicos funcionários de terno branco abrindo as portas. De dentro da sala de chá do hotel, poderia se imaginar que o sol ainda não se pôs na Britannia.

Não se vêem mais pukka sahibs (autênticos europeus) fora do Strand, embora Yangon, uma cidade com cerca de 4 milhões de pessoas, tenha se tornado uma das mais diversificadas cidades do sudeste asiático. Myanmar/Birmânia é um país com cerca de 130 grupos étnicos. No fim da estreita Rua 26, vejo uma estrela de Davi num portão de metal. Entro para ver o que é. Moses Samuels, um birmanês vestido num traje lungi xadrez vem ao meu encontro. "Você é judeu?", pergunta. Quando respondo afirmativamente, ele me leva à Sinagoga Musmeah Yeshua, onde trabalha como servente de um dos mais incríveis exemplos da arquitetura sefardita judaica que jamais vi. Do altar, posso ver o requintado detalhe em azul no teto e, enquanto admiro tamanha beleza, Samuels abre a cortina e revela dois rolos da Torá encontrados no Iraque.

Cinqüenta anos atrás, Yangon tinha uma ativa comunidade judaica formada basicamente por imigrantes do Iraque. Mas atualmente, diz Samuels, sobraram apenas oito famílias. Até mesmo seu filho foi estudar em Nova Iorque. Ainda assim, continua orgulhoso de sua comunidade e de seu país. "Ainda temos uma freqüência de 40 a 50 pessoas no Rosh Hashanah," diz ele.

À medida que adentro corredores lotados que cheiram a pão chapatis, vejo indianos autênticos, com barbas tingidas de henna e pontos vermelhos nas testas, comendo pastéis masala dosa em bancas montadas na rua. Vejo comerciantes chineses pesando barras de ouro em balanças antigas. Em uma birosca que serve arroz biryani, encontro-me rodeado por autênticos burmeses, a maioria espalhando thanaka sobre a pele, uma pasta que supostamente protege contra o sol, mas parecida com uma espécie de tinta, dando a Yangon o ar de uma cidade constantemente preparada para uma batalha medieval.

Entre os séculos 11 e 12, devotos monarcas birmaneses construíram pelo menos 4.000 templos em Bagana, espalhados por pouco mais de 50 quilômetros quadrados nas amplas planícies da região central de Myanmar. A cerca de 500 quilômetros ao norte de Yangon está localizado esta cidade-monumento da civilização birmanesa, uma das mais impressionantes realizações arquitetônicas da Ásia. Embora alguns templos originais não mais existam, milhares ainda resistem nas planícies; desde finos edifícios semelhantes a catedrais até monumentos quadrados, compactos. Alguns chegam a atingir mais de 50 metros de altura, com varandas elaboradas, pórticos e baixos relevos.

Diferentemente de outros monumentos como o Angkor Wat no Camboja, Bagan ainda recebe tão poucos turistas que é possível escalar as ruínas por horas sem encontrar ninguém. No entardecer, posso sentar-me à frente de um dos templos sem que ninguém perturbe minha contemplação, do que eu poderia talvez descrever como o pôr-do-sol mais espetacular da Ásia. Vejo o sol tingindo os templos de roxo e carmesim, criando silhuetas das antigas torres e finalmente se escondendo por detrás dos campos viçosos.

Quando os ingleses tomaram o país, no fim do século 19, o centro das atenções da realeza birmanesa foi transferido para o norte, em Mandalay, ao longo do escuro rio Ayeyarwady. Como capital de Myanmar, Mandalay se tornou também o centro da formação budista.

Hoje Mandalay, quase vizinha da China, também passou a ser um vibrante centro cultural e econômico. Na parte mais antiga da cidade, visito casas em que as mulheres ainda tecem kalagas, tapeçarias bordadas a mão tradicionalmente usadas para a decoração de palácios. Na nova seção da cidade, um amigo e eu passeamos por um shopping de vidro e aço dominado pelas modas chinesas e seus eletro-eletrônicos, onde jovens vendedoras birmanesas vendem mini-saias. Quando meu amigo pergunta a uma delas se a cultura conservadora de Myanmar aceita suas longas botas de salto agulha quase que grudadas em suas pernas, ela responde que não há nenhum problema nisso - mesmo diante dos olhares de senhoras idosas vestidas em seus longos vestidos e tradicionais turbantes, aparentemente chocadas.

Como em toda Myanmar, os turistas em Mandalay não podem evitar o encontro com o governo. Fora da era colonial o Forte de Mandalay - uma austera cidade rodeada de muros circundada por um fosso onde a água reflete a luz ao seu redor e que, como contam alguns, foi reconstruída às custas de trabalho forçado - sinaliza a promessa de que o exército "esmagará" todos os inimigos, e que as tropas sempre podem parar os carros a seu bel-prazer. Grupos de trabalhadores cavam valas ao longo da rodovia que leva ao aeroporto. Vários visitantes com quem conversei presenciaram nesta região atividades que acreditam ser trabalho escravo.

Os guias turísticos locais podem ser francos em suas críticas; os meus me mostraram alguns pontos em que policiais e soldados exigem subornos com freqüência, mas sempre advertindo: "Só posso falar essas coisas sozinho no carro". Além disso, me pedem para jamais revelar seus nomes.

Na área do teatro de Mandalay, lar das companhias de teatro que apresentam os pwes - um tipo de espetáculo em que os atores se apresentam durante a madrugada - as diferenças de opinião geralmente se manifestam por meio da arte. Tradicionalmente, os pwes concentravam-se em piadas e interpretações do teatro clássico, embora também pudessem ser utilizados para transmitir mensagens políticas implícitas, já que os atores podiam fazer piadas sobre certos tópicos que o cidadão comum jamais diria ao rei. Sob o regime militar, novamente alguns atores utilizam os pwes e a música como um forma de responder às autoridades; em Yangon, o gangsta rap birmanês passou a ser um meio de expressar a divergência de opiniões.

Na minha última noite em Mandalay, visito uma rua suja e decrépita para ver os atores mais famosos de Myanmar, que já tiveram que pagar um preço altíssimo por suas risadas. Num salão aberto, que acaba servindo de palco nessas ocasiões, os Moustache Brothers [Irmãos Bigode] se apresentam todas as noites.

Dois dos três irmãos foram presos uma década atrás por contar piadas de crítica ao governo e passaram quase seis anos na prisão. Comediantes do Ocidente fizeram pressão pela libertação dos dois e Hugh Grant chegou a mencioná-los no filme "About a Boy" (Um Grande Garoto). Hoje, o regime permite que eles se apresentem somente para turistas. Por três dólares por pessoa, eles encenam uma mistura bizarra de fragmentos da bela dança clássica birmanesa, humor político, provocações jocosas e tentativas de amedrontar a platéia. De fato, as seis pessoas que estavam atrás de mim pareceram um tanto assustadas quando Lu Maw, o mais magro deles, que mistura histórias de corrupção do governo com Jennifer Lopez, finge que está fugindo pela porta de trás porque a polícia está chegando.

Parte da comédia dos Irmãos Bigode mais parece tragédia - em um momento, Lu Maw me pede que eu roube para ele alguns itens de higiene pessoal do hotel - mas os Irmãos nunca se cansam de tirar sarro de seus governantes. Quando a apresentação se aproxima do fim, eles convidam a platéia para posar para fotos ao lado deles, com cartazes avisando que os visitantes não estarão sob vigilância em Myanmar. "Mostre isso à polícia e veja o que acontece," Lu Maw me desafia, entregando seu carão de visitas.

Por enquanto, e sob o atual regime, um birmanês comum como Lu Maw só pode se ancorar nas tradições que os sustentaram por tanto tempo.

Numa outra viagem à Myanmar, fui até Bago, fora da capital, uma cidade famosas por seus Budas reclinados. Tinha tempo de sobra e decidi ir ao mosteiro local. Quando desci do carro vi que o portão estava fechado. Caminhava de volta para o carro quando ouvi alguém chamar, "Venha aqui, pode entrar" - era um monge idoso de roupão vermelho.

Ele abriu o portão e o segui até o mosteiro passando por um labirinto de ante-salas. Quando conclui que estávamos perdidos, o monge parou, abriu uma porta lateral e me fez entrar.

Lá dentro, finalmente surgiu uma sala do tamanho de um ginásio de basquete, com centenas de garotos vestidos em roupões de monges noviços sentados de pernas cruzadas em frente a livros desgastados - resmas e resmas de escritura budista. Liderados por um monge mais velho, os garotos estavam dedicadamente aprendendo a ler, memorizando as antigas escrituras, assim como textos em birmanês moderno, e tentando entoar a melodia no tempo certo, embora eu tenha percebido vários deles cochilando.

Concentrados em sua tarefa - provavelmente a única chance de garantir educação em Myanmar atualmente - nenhum deles seque notou a presença de um estrangeiro. O monge sorriu, mostrou-me o caminho de volta e fechou a porta.

Estratégias para fazer as melhores escolhas sem gastar muito
Joshua Kurlantzick

Como chegar


Antes de planejar uma viagem, pode ser de seu interesse ler algo sobre o país e sua situação política para que a decisão quanto ao local seja bem fundamentada. O Lonely Planet é o melhor guia de viagens para Myanmar, em língua inglesa. A revista Irrawaddy (www.irrawaddy.org), publicada na Tailândia, faz a cobertura online de notícias incluindo artigos aprofundados sobre a situação política atual. Se você estiver na Tailândia e decidir não ir a Myanmar, grupos de defesa de direitos, como o U.S. Campaign for Burma (www.uscampaignforburma.org), podem ajudar a organizar viagens até a fronteira Tailandia-Myanmar, onde é possível conhecer refugiados birmaneses.

O Departamento de Estado dos Estado Unidos somente orienta os americanos de viagem para Myanmar a evitar locais públicos muito cheios e manifestações. Nas minhas cinco visitas a Myanmar, nunca me senti em risco.

Nenhuma companhia aérea internacional opera vôos diretos para Myanmar partindo dos Estados Unidos, portanto o melhor é ir para Bangkok ou Singapura e continuar a partir de lá. De Bangkok, a Thai Airways (www.thaiairways.com) voa até Yangon; no final de abril, uma viagem de ida e volta para meados de maio estava custando 266 dólares. De Singapura, a Silk Air (www.silkair.com) - braço regional da Singapore Airlines - opera até Yangon; no final de abril, uma viagem de ida e volta para meados de maio estava custando 440 dólares. As passagens aéreas para Myanmar, tanto de ida como de volta, devem ser impressas em papel, já que o sistema do aeroporto é antigo; passagens em formato eletrônico serão inúteis lá.

Em Myanmar, se for possível o melhor é usar os serviços da Air Mandalay (www.airmandalay.com) para os vôos domésticos. O Departamento de Estado orientou os empregados da embaixada a evitar as companhias aéreas estatais de Myanmar "devido a sérias preocupações relativas a segurança", incluindo dois acidentes fatais em 1998.

É possível reservar passagens pela Internet na Air Mandalay, por meio de agentes de viagens na Tailândia ou em Singapura, e buscar as passagens antes de partir para Myanmar; eu utilizei a Myanmar Travels em Singapura; 65-6535-3870). É importante saber que há atrasos e adiamentos freqüentes de vôos domésticos, por isso reserve tempo suficiente.

Se sua intenção é gastar o mínimo possível com o governo de Myanmar, várias estratégias podem ser adotadas. Evite comprar pacotes turísticos e faça arranjos de hospedagem e transporte com agentes de viagens birmaneses independentes, que também saberão como evitar lojas e outras atrações pertencentes ao governo. Recomendações de agentes de viagem feitas por outros turistas podem ser encontradas no site Lonely Planet's Thorn Tree, www.thorntree.lonelyplanet.com. Eu descobri um excelente agente e guia por lá. Dentro do país, se surgirem conversas com birmaneses sobre política e governo, deixe-os guiar a discussão e não faça perguntas com peso político.

Caso você não utilize os serviços de um agente de viagens local para organizar seus vôos, a hospedagem e outros detalhes, é possível reservar vôos e alguns hotéis mais caros pela internet e depois providenciar transporte local assim que chegar em Myanmar. O site www.asiarooms.com oferece muitos descontos de hotéis birmaneses. Na maior parte das cidades costuma ser fácil encontrar um motorista, tanto por meio do hotel quanto diretamente com os taxistas, e negociar um preço para o dia. A maioria deles fala inglês.

É necessário visto de entrada em Myanmar; informações relativas a visto disponíveis no site: www.mewashingtondc.com.

Onde se hospedar

A maior parte dos hotéis em Myanmar estabelece suas tarifas em dólares americanos, a moeda de facto, juntamente com a moeda local, o kyat. Leve muitos dólares, pois a maioria dos lugares não aceita cartão de crédito nem cheques de viagem, e certifique-se de que suas notas de dólar estejam em bom estado, pois os birmaneses não costumam aceitar notas amassadas ou rasgadas.

Em Yangon, fiquei hospedado no Dusit Inya Lake (37 Kaba Aye Pagoda Road; 95-1-662857; inyalake.dusit.com), um hotel de luxo fora do centro da cidade administrado por uma empresa tailandesa, com uma deliciosa varanda com vista para o lago Inya. Os quartos têm televisão por satélite, há uma piscina e uma sala de ginástica no hotel; pelo site AsiaRooms.com paguei 40 dólares por um apartamento individual com café da manhã. Também já fiquei hospedado no Haven Inn (216 Bo Myat Tun Road; 95-1-295500), uma pousada simples, mas confortável, na parte leste da cidade. Lá, os apartamentos com ar condicionado saem por 10 dólares.

Se sua preferência for algo mais colonial, experimente o Pansea Yangon (35 Taw Win Road; 95-1-299860; www.pansea.com), uma mansão reformada toda em madeira teka, que no passado era usada para receber chefes de tribos dos diferentes grupos étnicos do país. Pelo AsiaRooms.com, o preço dos apartamentos do Pansea sai a partir de 130 dólares.

In Mandalay, hospedei-me no Sedona Hotel (esquina da rua 26 com a 66; 95-2-36488; www.sedonahotels.com), provavelmente a opção mais requintada da cidade, com vista para o Forte de Mandalay. Paguei 65 dólares a diária para um apartamento individual, também pelo AsiaRooms.com. Também já fiquei no Royal Guest House (41 25th St., entre as ruas 82 e 83; 95-2-31400), limpo, com ar-condicionado (essencial no calor de Mandalay) e funcionários muito atenciosos. O preço dos apartamentos é a partir de 7 dólares.

Em Bagan, tente ficar hospedado na Bagan Antiga, próximo aos templos mais impressionantes, em vez de ficar na parte mais moderna da cidade de Nyaung- U. Na Bagan Antiga, o Bagan Hotel (próximo ao templo Gawdawpalin; 95-62- 60032 ou baganhotel(AT)myanmars.net) fica ao lado do rio Ayeyarwady. Os apartamentos custam algo em torno de 60 dólares.

Onde comer

A cidade de Yangon oferece as opções de alimentação mais diversificadas do país. O Sandy's Myanmar Cuisine (95-1-382918), com pratos mais direcionados para estrangeiros, fica próximo ao Kandawgyi Palace Hotel. A casa têm um salão bem grande com uma vista incomparável do lago Kandawgyi e tem uma réplica do iate real todo iluminado como uma árvore de natal. O cardápio é bem variado e pode servir como uma primeira apresentação à cozinha birmanesa. Uma refeição individual, incluindo um peixe no vapor tão tenro que suas espinhas chegam a se desmanchar, custou-me cerca de 10 dólares.

O Yathar Tea Centers and Cafe (353 Mahbandoola Road, duas lojas depois de uma grande loja de artigos para fotografia) serve um cardápio típico de lojas de chá, como pães e curries indianos, e o Aung Thuka (entre Shwe Gon Daing e Dhama Zedi Roads, próximo ao Shwedagon Pagoda) serve uma comida mais caseira birmanesa; em ambos os restaurantes, uma refeição individual custa menos de 5 dólares.

O restaurante Mandalay, no hotel Pansea (35 Taw Win St.; 95-1-229-860) oferece uma mistura de cozinha francesa com cozinha birmanesa chique, como camarões gigantes da região ao molho de beterraba, numa atmosfera imponente neo-colonial. O jantar para uma pessoa me saiu por 35 dólares.

Em Mandalay, o Green Elephant (Rua 27 entre a 64 e a 65; 95-2-61237), num jardim externo, serve curries birmaneses ocidentalizados e pratos da região de Shan, nordeste de Myanmar. O jantar individual me custou 10 dólares.

Saindo um pouco da comida birmanesa, o restaurante Marie Min (Rua 27 entre as ruas 74 e 75) serve pratos vegetarianos básicos e variados sabores de refresco lassis e sucos de fruta. O almoço individual custa uns 5 dólares.

Leituras

A deslumbrante paisagem, as questões internas e a política atribulada de Myanmar inspiraram muitos guias de viagem e obras de ficção. Dentre os melhores estão "The Trouser People: A Story of Burma in the Shadow of Empire," de Andrew Marshall, e "The Piano Tuner," (O Afinador de Pianos) romance de Daniel Mason.

*Joshua Kurlantzick é correspondente especial da The New Republic. Marcelo Godoy

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