UOL Notícias Internacional
 

23/05/2006

Depois de reparos na imagem, conservador cresce no México

The New York Times
James C. McKinley Jr.

em Tuxtla Gutierrez, México
Felipe Calderon adora fazer alusões a canções populares mexicanas. Atualmente, o candidato conservador à presidência está lembrando particularmente de uma música sobre um cavalo chamado Relâmpago que vence um campeão lustroso, Moro, em uma corrida.

Adam Wiseman/The New York Times 
Felipe Calderon, candidato conservador, discursa durante um comício em Tonala
"Eu não era o favorito", disse ao som dos alto-falantes a uma multidão de agricultores, pescadores e comerciantes na cidade de Tonala, em uma visita a Chiapas na quinta-feira (18/5). "Eu não estava na frente nas pesquisas, mas sabem o que eu fiz, cavalheiros? Fui à luta. Saí dizendo aos mexicanos o que cada candidato de fato defende."

Depois de seis meses em segundo lugar, Calderon passou à frente do favorito, Andrés Manuel Lopez Obrador, com uma série de propagandas criticando-o como um esquerdista perigoso e violento que vai levar o país à falência.

Agora, a um mês das eleições, a disputa está entre Calderon, que defende o comércio livre e é patrocinado por empresários, e Lopez Obrador, esquerdista cujo maior apoio vem dos pobres que acreditam que as políticas de livre comércio não os ajudaram.

De sua parte, Lopez Obrador, 53, que foi prefeito da Cidade do México até o ano passado, nega as recentes pesquisas como "propaganda" e alega que foram alteradas para não contabilizarem os eleitores da classe trabalhadora. Sob seu governo, as finanças da Cidade do México permaneceram sólidas. Quanto às acusações de que é perigoso, chama simplesmente de ridículas.

Calderon, 43, ex-congressista e ministro da energia, preparou sua reviravolta com uma campanha astuta e ágil, contando com propagandas de rádio e televisão, muitas delas negativas, testadas em grupos de estudo e formuladas para eleitorados específicos, dizem sues assessores. Os mexicanos votarão no dia 2 de julho.

O conservador gastou o dobro que Lopez Obrador em anúncios de ataque que, entre outras coisas, ligam o candidato de esquerda a Hugo Chavez, presidente anti-americano da Venezuela. Calderon também usou habilmente a noção de que Lopez Obrador tem uma veia autoritária e uma fama de agitador por causa dos protestos barulhentos contra a fraude eleitoral liderados por ele há uma década. Os anúncios de Calderon chamam seu rival de "um perigo para o México".

Os ataques pessoais a Lopez Obrador são apenas uma de várias mudanças estratégicas promovida pela jovem equipe de campanha de Calderon no final de março. O candidato agora apóia o presidente Vicente Fox, depois de mantê-lo à distância, e defende fortemente nos programas sociais do governo e a administração da economia.

Calderon também deixou seu discurso elitista sobre as virtudes dos mercados abertos e investimentos estrangeiros, optando por uma mensagem mais simples:
ele agora promete criar empregos, empregos e mais empregos. Seus anúncios chamam-no de "presidente do emprego" e seu lema é: "Meu papel será garantir que você tenha um emprego".

Uma coisa que une os candidatos é sua oposição ao projeto do presidente Bush de construir um muro ao longo da fronteira e enviar a Guarda Nacional. Ambos os candidatos dizem que a forma de impedir a imigração ilegal é gerar mais empregos e investimentos no México.

Calderon também roubou uma bandeira de Lopez Obrador, prometendo uma série e subsídios de governo. Calderon, conservador fiscal e social, agora insiste em dizer que vai estender e expandir os programas sociais e de saúde criados por Fox. Essa promessa de manter a benevolência é a que atrai os mais aplausos em seus comícios.

O crescimento na preferência do eleitorado foi um feito político notável. Em janeiro, cinco grandes pesquisas respeitáveis mostraram Calderon atrás de Lopez Obrador por 6 a 10 pontos percentuais. Em abril e maio, porém, todas as cinco mostraram que a disputa estava ficando mais apertada.

"Conseguimos mudar o assunto das eleições", disse Juan Camilo Mourino, 34, gerente de campanha de Calderon, sentado atrás de sua mesa, de terno azul escuro, na sede do comitê, avaliando os números em um novo laptop.

Mourino disse que o círculo íntimo da campanha debateu fortemente antes de decidir bombardear Lopez Obrador com propagandas negativas. Uma tentativa de tirá-lo da cédula por ter ignorado uma ordem judicial fracassou no ano passado, tornando-o mais popular. O bom senso dizia que quanto mais atacassem Lopez Obrador, mais forte ficaria, fazendo-se de vítima de conspiração.

Mas Calderon estava 10 pontos atrás, no final de fevereiro. Sua mensagem de comércio livre e "paixão e valores para o México" estavam fracassando. "Tínhamos que fazer ajustes", disse Mourino. Um dos arquitetos da nova campanha foi Antonio Sola, 34, consultor político espanhol que foi alto consultor do ex - primeiro ministro Jose Maria Aznar.

Mourino disse que também teve várias conversas informais sobre a campanha com Dick Morris, consultor americano que trabalhou para o ex-presidente Bill Clinton, mas a equipe decidiu não contratá-lo.

O comitê de campanha de Lopez Obrador, enquanto isso, foi lento em sua resposta. Até recentemente, o candidato resistiu aos conselhos de responder jogando lama de volta. Somente nesta semana seu partido da Revolução Democrática lançou um anúncio no rádio chamando Calderon de "mentiroso".

Além de demorar a entrar na ofensiva, Lopez Obrador fez outras gafes, admitem seus assessores. Em fevereiro, ridicularizou Fox, chamando-o de pássaro falante, e disse a ele para "calar a boca" e ficar fora da campanha, dando a Calderon lenha para sua alegação de que Obrador é intolerante.

A decisão de esquerda em abril de não participar do primeiro debate, uma tática clássica do candidato favorito, também saiu pela culatra. A maior parte dos analistas diz que contribuiu para a noção de que é arrogante e desdenhoso de outros pontos de vista. Lopez Obrador também se recusou a deixar seus assessores usarem seu estilo de vida modesto e seu relacionamento íntimo com seus filhos para suavizar sua imagem, dizem pessoas de dentro da campanha.

Quanto às pesquisas, Lopez Obrador diz que são fabricações dos barões da mídia em uma conspiração para derrotá-lo. (Seus assessores sustentam que as pesquisas internas mostram que seu candidato caiu no início do mês, mas reconquistou terreno e atualmente está na frente de Calderon por 6 pontos percentuais.)

Lopez Obrador insistiu obstinadamente em fazer uma campanha de base, que conta mais com discursos em praças, alto-falantes em cima de carros e conversas do que com anúncios de televisão e rádio, disseram seus assessores. Essa decisão pode ser um toque de gênio ou seu maior erro.

"A estratégia continuará a mesma, porque essa é a forma de Andrés Manuel de fazer campanha", disse Ricardo Monreal, alto assessor. "Sua forma de fazer campanha é, como sempre, rua por rua, cidade por cidade, junto às pessoas.Ele acredita que derrotará a campanha de marketing assim."

Monreal acrescentou: "Todos nós sabemos que o marketing colocou muitos presidentes no cargo em todo o mundo, mas Lopez Obrador não está dependendo disso. Ele está contando com a estratégia das ruas."

Mesmo assim, Obrador fez alguns ajustes, disse César Yanez, porta-voz e assessor. Por meses, o candidato evitou entrevistas, a não ser em estações de rádio locais. Ele também era obsessivo no controle de sua mensagem.

Nas últimas duas semanas, porém, submeteu-se a três entrevistas em rede nacional de televisão e até se deixou ser satirizado em um programa matinal de um comediante político que usa uma roupa de palhaço.

Obrador também começou a alfinetar Calderon. Na semana passada, ele disse que o candidato conservador era refém de seus assessores de campanha.

Calderon, enquanto isso, manteve as invectivas. Em Chiapas, na quinta-feira, por exemplo, saltou em cima do comentário de Obrador de que Fox era "marionete" dos EUA por suas críticas contidas ao apoio do Senado americano a mais muros ao longo da fronteira.

Chavez usou a mesma palavra para descrever Fox no último outono, e Calderon não perdeu a chance de tingir Lopez Obrador novamente com as cores de Chavez. "É um homem intolerante, muito agressivo, um homem hostil, que se dedicou a insultar o presidente", disse de seu rival. Lopez Obrador, entretanto, manteve distância de Chavez.

Os dois comitês de campanha dizem que a disputa está próxima demais para saber qual será o vencedor. Eles concordam que o debate final do dia 6 de junho, o único confronto cara a cara entre Calderon e Lopez Obrador, será crucial.

"O debate será importante, e digo que a guerra suja tem um limite em seu impacto nas eleições", disse o senador Jesus Ortega, gerente de campanha de Lopez Obrador.

"Temos que vencer o debate", disse Mourino. Deborah Weinberg

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,54
    3,265
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,36
    64.085,41
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host