UOL Notícias Internacional
 

24/05/2006

Retirada da Cisjordânia recebe afirmativa de Bush

The New York Times
Jim Rutenberg e Steven Erlanger

em Washington
O presidente Bush ofereceu apoio condicional na terça-feira
(23/5) às idéias israelenses de fazer uma retirada substancial de colonos da Cisjordânia, mas insistiu que o novo primeiro-ministro, Ehud Olmert, antes tente todas as possibilidades de solução negociada.

Com uma preocupação crescente em torno do programa nuclear do Irã, Bush confirmou o compromisso americano em defender Israel contra um ataque e disse que também queria exaurir todas as opções diplomáticas antes de discutir um ataque militar.

"Nosso objetivo primário é resolver este problema diplomaticamente", disse Bush.

Bush e Olmert fizeram uma conferência com a imprensa conjunta na Casa Branca depois da primeira reunião entre os dois desde que Olmert tornou-se primeiro-ministro. Eles marcaram novo encontro para mais tarde, na residência da Casa Branca, sem seus principais assessores.

Bush elogiou as "idéias audaciosas" de Olmert de fazer outra retirada israelense unilateral de território ocupado. No entanto, ele disse que um acordo negociado "serve melhor aos israelenses e palestinos e à causa da paz".

Olmert disse: "Faremos um esforço genuíno para negociar com o lado palestino", e "aceitaremos a sinceridade de Mahmoud Abbas", presidente palestino, com quem planeja se reunir em breve.

Mas com a Autoridade Palestina liderada pelo Hamas, que é considerado um grupo terrorista, Olmert disse: "Esperamos que ele tenha o poder de cumprir os requerimentos necessários para as negociações entre nós e os palestinos."

Bush disse: "O que me preocupa é o Hamas dizer que quer destruir Israel. Eu garanti ao primeiro-ministro que nossa posição é firme e forte -que o Hamas deve mudar", disse ele. "Não se pode esperar que nenhum país faça as pazes com aqueles que negam seu direito de existência e que usam o terror para atacar sua população."

Se as negociações não forem possíveis ou bem sucedidas, Israel agirá sozinho, disse Olmert. "Não vamos esperar indefinidamente", disse ele.

Olmert fez campanha com a promessa de tentar estabelecer fronteiras permanentes para Israel, terminando a barreira de separação entre Israel e os palestinos e trazendo para dentro da barreira os colonos israelenses -até 70.000- que moram na Cisjordânia.

Outros 175.000 israelenses, além de 200.000 em Jerusalém do Leste, moram fora das fronteiras de 1967. Mas Olmert diz que Israel pretende manter esses grandes blocos de assentamentos.

Os EUA disseram que o acordo final deve reconhecer novas realidades em terra. Mas Bush também enfatizou que as fronteiras não podem ser impostas unilateralmente, mas devem ser negociadas, e que nenhum dos dois lados deve fazer nada para prejudicar essas negociações.

"O acordo final só será alcançado com base em mudanças mutuamente concordadas", disse Bush. "As idéias do primeiro-ministro podem ser um passo importante na direção da paz que nós dois defendemos."

As autoridades dos dois países enfatizaram que não tinham grandes expectativas que Abbas conseguirá gerar as condições necessárias para resumir as negociações do plano de paz chamado mapa da estrada.

Os palestinos concordaram em abandonar o terrorismo e desmantelar grupos militantes em operação fora da Autoridade Palestina. Mas o Hamas se recusa a reconhecer Israel e defende o direito de grupos palestinos, como a Jihad Islâmica, de combaterem a ocupação israelense. Os líderes do Hamas recentemente elogiaram o ataque suicida da Jihad em Tel Aviv, que Abbas chamou de desprezível.

"Quando dizemos 'abandonar ao terror', queremos dizer que não é suficiente renunciar ao terror, que isso são apenas palavras, mas que tem de haver ações em terra para mostrar que desistiram do terrorismo como instrumento legítimo", disse uma alta autoridade americana.

Mas Olmert e os israelenses mal começaram a planejar a retirada, chamada de realinhamento pelo primeiro-ministro. Autoridades israelenses disseram que precisarão de seis meses a um ano para completar os planos, em discussão com os americanos. Esses diálogos darão uma oportunidade de negociação com Abbas.

"Com esta janela, os israelenses podem dizer honestamente que há tempo para a evolução do lado palestino, já que ainda não estão prontos", disse a autoridade americana. "É uma circunstância de sorte."

A autoridade confirmou a alegação israelense de que os palestinos ainda não estão prontos para as negociações exortadas por Bush. "A questão é ver se há alguma evolução do Hamas ou das relações de poder com a Autoridade Palestina que permita tal negociação", disse a autoridade americana. "Olmert deixou claro que não é aconselhável atualmente, e o presidente disse claramente que Israel não pode negociar com o Hamas."

Na terça-feira, Olmert fez sua primeira visita à Casa Branca como primeiro-ministro, e seus assessores ficaram satisfeitos com a calorosa recepção.

Os dois homens marcaram um encontro de cerca de 45 minutos na noite de terça-feira sem seus assessores -uma chance de formarem um elo, mas também de terem uma discussão séria sobre o Irã e sobre como os dois países responderão em caso de fracasso diplomático.

Bush reconhece que uma visita do primeiro-ministro israelense dá uma chance de lembrar aos republicanos e judeus americanos, muitos dos quais votam em democratas, sobre seu apoio sólido a Israel, em um ano de eleição crucial.

Houve discussões na última semana sobre como Bush ia qualificar a proposta de realinhamento de Olmert. Os americanos não queriam passar imagem de que apóiam o que os palestinos chamam de roubo de terras de território ocupado por israelenses.

Tendo primeiramente sugerido que as idéias de Olmert eram "interessantes", as autoridades passaram para "construtivas" e, finalmente, "audaciosas", o que agradou os israelenses.

Os americanos ainda têm muitas perguntas, porém. Quantos colonos terão que partir; por onde passará a barreira; o que acontecerá com os planos de desenvolvimento israelenses para uma área chamada E1, que corta Jerusalém oriental da Cisjordânia; como o exército israelense será empregado nas áreas abandonadas por Israel, ou será totalmente retirado?

Ainda assim, houve desapontamento entre autoridades israelenses com a reação cautelosa de Washington ao plano de Olmert, que para eles á mais arriscado e ambicioso que a retirada de Ariel Sharon de 9.000 colonos e soldados de Gaza.

Houve poucas novidades em relação ao Irã. Os dois homens concordaram que o país não deve receber permissão de se tornar um poder nuclear. "Determinamos que o regime iraniano não deve obter armas nucleares", disse Bush.

Israel acredita que o Irã está a meses de distância de desenvolver a técnica para enriquecer o urânio. Olmert disse: "Este é um momento de verdade. Ainda não é tarde para impedir isso de acontecer."

Bush concentrou-se em seus esforços diplomáticos para fazer a Rússia e a China concordarem com possíveis sanções contra o Irã no Conselho de Segurança da ONU. "Estamos dedicando muito tempo com nossos amigos russos em particular para deixar claro para eles que o Irã não está mostrando boa fé" nas negociações, disse Bush.

O presidente enfrentou nova complicação na terça-feira, quando a Câmara dos Deputados aprovou uma resolução pedindo que o apoio ao Hamas seja interrompido até que o grupo admita o direito de Israel de existir e expulse membros com laços com o terrorismo.

A Câmara pediu que o governo não enviasse fundos para as agências da ONU que ajudam a Autoridade Palestina. Por outro lado, o chefe de gabinete israelense, general Dan Halutz, expressou preocupação que o isolamento financeiro do governo palestino -com o intuito de enfraquecê-lo- está criando revolta nos territórios.

A Casa Branca se opôs à resolução, considerando-a rígida demais. O secretário de imprensa Tony Snow disse que o governo esperava que o texto assumisse novo formato depois de uma consulta ao Senado. ' Deborah Weinberg

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