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27/05/2006

Americanos acostumados a viagens de carro no verão não se assustam com o preço da gasolina

The New York Times
Jad Mouawad
Começou o ritual migratório anual.

Milhões de americanos estão pegando os filhos, fazendo as malas e iniciando aquele grande êxodo, conhecido como temporada de viagens de carro do verão.

Quase 38 milhões de pessoas vão viajar neste final de semana do Dia do Memorial,a maior parte pelas estradas dos EUA -um número recorde de viajantes, de acordo com a Associação de Automóveis Americana.

Preços altos de gasolina? Não é um grande problema, aparentemente.

"As pessoas estão viajando como sempre. Reclama-se tanto do preço do combustível, mas ainda não há um substituto para o carro e para as férias da família. Essa é uma prioridade que as pessoas ainda não estão dispostas a sacrificar", disse Philip Reed, editor do site Edmunds.com, sobre automóveis.

Até o Dia do Trabalho, motoristas terão percorrido mais de 1,2 trilhão de quilômetros, ou 14 bilhões por dia e terão consumido 136 bilhões de litros de combustível atravessando os EUA.

É por isso que o período do Dia do Memorial ao Dia do Trabalho é o de maior consumo de gasolina. É por isso também que as refinarias vêm tentando se preparar em tempo, e as importações de gasolina cresceram quase ultrapassando os recordes para compensar as faltas. Os motoristas não parecem recuar.

"Acho doloroso pagar pela gasolina, como todo mundo, mas os preços do combustível não me ocorreram quando eu estava planejando a viagem para o final de semana. Isso me preocupa, mas não mudou meu estilo de vida", disse Whitney Radia, 28, executiva de propaganda em West Hollywood, Califórnia.

É claro, a diferença dos anos anteriores é o preço mais alto que os motoristas estão pagando pela gasolina. Agora o galão está em média US$ 2,88 (ou R$ 1,60 por litro), um salto de US$ 0,75 do ano passado, de acordo com o Departamento de Energia. Apesar do custo extra, os americanos não devem fazer senão mudanças menores em seus hábitos neste verão.

Mas essas mudanças parecem estar moderando o ritmo do crescimento na demanda e podem ajudar a impedir que os preços da gasolina subam ainda mais como de costume no verão.

"Agora, US$ 3 por galão (em torno de R$ 1,60 por litro) já é notícia velha", disse Jan Stuart, economista de energia do UBS em Nova York. "A questão é: 'Quais níveis de preços são necessários para as pessoas ficarem em casa?'"

Isso não quer dizer que os americanos estejam imunes às mudanças nos preços de energia, que estão lentamente erodindo a economia. Lares com renda mais baixa, que dedicam uma parte maior dos gastos ao combustível, estão certamente sentindo mais a dor do que as famílias de maior renda.

Preços de energia mais altos comeram a renda, aniquilando quase um terço dos aumentos salariais totais do ano passado, de acordo com um recente relatório da Conferência Americana de Prefeitos e a firma de consultoria Global Insight.

Em 2005, os gastos com energia foram 5,9% do consumo -o que significou um aumento de 20% de 2004, disse o relatório. As famílias gastaram US$ 287 bilhões (em torno de R$ 574 bilhões) com gasolina e US$ 225 bilhões (cerca de R$ 450 bilhões) em outros gastos de energia, ou 9% de todos os salários.

O Departamento de Energia, em relatório recente, disse que um aumento duradouro de 10% nos preços do petróleo cru levaria a uma queda de 0,4% no consumo de petróleo interno em dois anos. Apesar de isso não parecer muito para uma nação que consome mais de 20,5 milhões de barris de petróleo por dia, pode ser bastante.

"O preço alto dos últimos anos levou alguns analistas a concluírem que os preços de energia altos são um dado intratável, e que a demanda por energia está de alguma forma imune aos impactos dos preços mais altos", escreveu em relatório recente Adam E. Sieminski, estrategista global de petróleo do Deutsche Bank.

"As simulações do Departamento de Energia sugerem que não é este o caso, mas também salientam, corretamente, que pode haver um atrás dos efeitos das mudanças de preço", disse ele.

Enquanto o número total de quilômetros percorridos por ano aumentou em 2% nos últimos cinco anos, o índice de crescimento foi de apenas 1% no primeiro trimestre deste ano, de acordo com a agência. "Esperamos que o crescimento mais baixo continue com os preços mais altos", disse Tancred Lidderdale, economista da Administração de Informações em Energia do Departamento de Energia.

A gasolina teve altas recordes nesta primavera, junto com um grande aumento dos preços de petróleo. Depois de atingir US$ 75,17 por barril em abril, o petróleo cru continua em torno de US$ 70, devido à preocupação com segurança dos fornecedores em torno do mundo.

Os preços da gasolina são diretamente afetados pelos movimentos do petróleo. Uma regra geral é que um aumento em US$ 10 (em torno de R$ 20) no preço do barril acrescenta quase US$ 0,25 (aproximadamente R$ 0,50) ao preço da gasolina por galão na bomba.

"Os preços estão altos demais; estão mordendo do meu orçamento", disse Jerry Davis, engenheiro de produtos de 30 anos de Chicago. Ele decidiu, pelo segundo ano consecutivo, não viajar de carro nas férias por causa da gasolina.

"Qualquer oscilação joga os futuros de petróleo para o teto, qualquer tempestade assusta o mercado", disse ele. "Se algo acontece na África ou no Oriente Médio, parece que imediatamente os preços aumentam. É ridículo, não? Detestaria estar em algum lugar neste final de semana e algo assim acontecesse."

Para piorar, as refinarias tiveram que enfrentar problemas logísticos ligados aos novos regulamentos de gasolina e fizeram operações de manutenção complicadas em suas plantas, que tiveram que ser adiadas no ano passado depois que os furacões no Golfo do México atingiram as refinarias.

Isso cortou o fornecimento de gasolina e forçou as empresas de petróleo a aumentarem as importações e usarem suas reservas, empurrando os preços para cima. A demanda permanece forte, a oferta ainda apertada.

O Departamento de Energia estima que o preço da gasolina cairá, mas permanecerá acima de US$ 2,65 por galão (em torno de R$ 1,4 por litro) durante o verão.

Alguns analistas não estão tão certos. Eles advertem que o preço médio da gasolina pode aumentar acima de US$ 3 por galão novamente se houver um rompimento do fornecimento, como o Furacão Katrina no ano passado ou as inquietações sociais deste ano na Nigéria.

Um terço de todas as viagens de lazer ocorrem durante o verão. Nesta temporada, os americanos farão 326 milhões de viagens, de acordo com a Associação da Indústria de Viagens, número parecido com os 323 milhões de ano passado. O grupo estima que os americanos gastarão US$ 1.000 (em torno de R$ 2.000) por viagem, mas os viajantes devem economizar com hotéis e outros gastos, como comida e jantares, para compensar os gastos altos com gasolina.

Para uma viagem de 1.300 km, a média durante o verão, o custo extra de pagar US$ 3 por galão na bomba em vez de, digamos US$ 2, é de US$ 40 (em torno de R$ 80) por carro que faz 8,5 km por litro.

"As pessoas não vão cancelar suas viagens, mas poderão modificá-las", disse Cathy Keefe, porta-voz da Travel Industry Association. "Em vez de fazerem três ou quatro viagens por verão, o que é típico, elas vão procurar formas de economizar, como ficar mais perto de casa."

Algumas cidades estão tentando atrair os viajantes com descontos especiais. Por exemplo, Costa Mesa, Califórnia, 65 km ao Sul de Los Angeles, em Orange County, está prometendo um cheque de US$ 30 (em torno de R$ 60) para ajudar a pagar pela gasolina e outros US$ 30 em descontos para visitantes que passarem um mínimo de duas noites.

"Estamos enfrentando um novo limite que é o de US$ 4 por galão", disse Reed da Edmunds.com. "Vai ser interessante ver em que ponto as pessoas vão começar a fazer mudanças substanciais." Deborah Weinberg

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