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29/05/2006

Estes astros do cinema trabalham em troca de petiscos de frango

The New York Times
William L. Hamilton
Existem aqueles que arranham, imploram ou rastejam para entrar no circuito do cinema ou da televisão.

Se eles forem bons nisso, atingirão o seu objetivo.

Hollywood tem os seus sucessos, como "Missão Impossível 3" ou a série "Desperate Housewives". E quando tal sucesso acontece, os cães também têm a sua vez no círculo dos vencedores. O melhor amigo de Tom Cruise no seu novo "Missão Impossível" é Tanner, um labrador amarelo. Casey, um basset hound escolhido em uma ninhada normal de filhotes, é o novo cara solteiro de Felicity Huffman. Ele agora faz as suas caminhadas em Wisteria Lane.

E há ainda Lassie, que retorna à grande tela em setembro, revivendo uma vertente de entretenimento que faria Tanner torcer as patas durante o sono.

Hollywood tem um lado animal (não aquele que você acredita conhecer). Cães, gatos e os "exóticos" (mandris, golfinhos, iaques e outros) trabalham como profissionais de carreira. Tanner, que atua em parceria com Cruise, não é apenas mais um cão. Ele conta com uma agente poderosa, Debbie Pearl, da Paws for Effect, uma agência de talentos e adestramento com escritórios em Los Angeles e Nova York. E ele conta com um currículo de filmes e comerciais. "Missão Impossível 3" foi o seu papel supremo.

Assim como os demais atores da indústria cinematográfica, os animais contam com agenciadores, contratos sigilosos, especialistas em penteado e maquiagem, dietas especiais, aparições de gala e aposentadoria em uma fazenda. Existem astros, atores desconhecidos, candidatos a atores e ex-profissionais. Há trabalho árduo, e também recompensas: no caso de Lassie, petiscos de frango.

Estive com Lassie no Festival de Cinema Tribeca neste mês. A estrela apareceu ao vivo com o diretor de "Lassie" (filme de 2006), Charles Sturridge, antes da exibição do filme. Depois ela foi apresentada à imprensa, enquanto descansava no salão verde com a sua equipe -um adestrador e vários publicitários-, posando para os fotógrafos, e recebendo os repórteres. Com o seu manto de pelo arminho-creme no peito, tornado mais brilhante por um xampu oleoso especial, Lassie parecia tão aristocrática quanto a rainha da Inglaterra.

Hey Hey, a collie que conheci, foi um dos quatro cães que interpretaram Lassie. Geralmente, os animais são contratados em equipes para desempenhar um papel. A Birds & Animals Unlimited - a William Morris das agências de animais talentosos - forneceu os collies, que exibiram a personalidade (para os close-ups), o desempenho atlético (para as cenas de ação), a energia elevada (reação e espontaneidade) e habilidades humanas (aparência) para encarnar a personagem.

Hey Hey, com Carol Riggins, a adestradora de cães, está fazendo os contatos pessoais de Lassie, uma turnê de cinco meses, que inclui a apresentação de uma nova linha de alimentos, biscoitos e outros produtos caninos da Lassie Natural Way, e a arrecadação de dinheiro para um evento filantrópico para a Bide-a-Wee, um abrigo para animais. Durante a turnê Hey Hey só bebe água destilada. Segundo Riggins, a água mineral, um produto que faz parte do contrato de muitas celebridades humanas, é demasiadamente regional e potencialmente nociva para o organismo do cão.

Ao contrário das quatro Lassies, a maioria dos cães que trabalham na indústria de entretenimento é formada de animais resgatados. As agências os adotam em abrigos para que atuem em partes específicas, em conjunto com o cão principal, ou "cão herói", treinando-os para o papel. Os animais adotados por uma agência se tornam parte do seu plantel, para trabalhos futuros, de uma forma que não difere muito do velho sistema de estúdios de Hollywood. Os adestradores são membros oficiais da equipe, e os animais são alugados por uma diária que varia de US$ 300 a US$ 450. Um animal que aparece freqüentemente em uma série de sucesso na televisão pode ganhar US$ 10 mil por semana.

Ser descoberto em um teste aberto, ao qual as pessoas comparecem com aqueles que acreditam ser animais de estimação formidáveis, é algo raro, já que as agências e os seus animais já tomaram conta deste mercado nos últimos 20 anos. Ser engraçadinho e se fingir de morto na sala de estar não adianta nada quanto o negócio é trabalhar com Brad Pitt, George Clooney, Matt Damon e Julia Roberts (um cão da Paws for Effect trabalhou em "Onze Homens e um Segredo).

Os animais precisam também ser ensinados a não tentar matar os seus colegas.

"É necessário que se tenha certeza da segurança durante as filmagens", explica Mark Forbes, da Birds & Animals, que é coordenador de animais do filme "Evan Almighty", uma nova versão da história da Arca de Noé, estrelando Steve Carell, e na qual 20 espécies diferentes de animais precisam ser incluídas em uma única tomada. Todos os vegetarianos - cavalos, vacas, coelhos e galinhas - aparecem juntos nas cenas de aglomeração. "Nós introduzimos uma certa distância, de forma que se um animal decidir atacar o outro, não tenhamos acidentes".

Em se tratando de Hollywood, existem roteiros impressos. Krystal, um macaco capuchinho com uma impressionante lista de créditos, e que apareceu nas telas pela última vez em "Armações de Amor", tem um roteiro como macaco. Na indústria do entretenimento, um macaco é um macaco.

Em se tratando de cães, os da raça jack russel atuam nas comédias. Os terra-nova trabalham nas cenas românticas. Os rottweilers e os pit-bulls são cães de ataque. Os huskies puxam trenós e só recebem trabalhos em filmes sobre neve.

Quanto aos collies, eles são lassies, e ponto. Porém, o que os diretores desejam no momento como astros são os vira-latas.

"Não se trata de um processo como o dos supermodelos. Não queremos o retriever perfeito", afirma Roger Schumacher, um adestrador veterano que trabalhou na versão piloto do seriado "Frasier", com Moose, o jack russel terrier que fez o papel de Eddie (há dinastias como os Douglases: Enzo, filho de Moose, assumiu o papel de Eddie em "Frasier", quando Moose ficou muito grisalho para fazer o papel de um cão jovem. Moose retornou às telas como Skip em "Meu Cachorro Skip" (de 1999).

"Os vira-latas têm mais personalidade e uma aparência mais vivaz", explica Schumacher. O Fonz, uma mistura de pit-bull com, shar-pei, co-atua com Jason Patric em "Walker Payne" (EUA, 2006), um filme no qual Schumacher trabalhou recentemente, sobre um homem que faz com que o seu cão, Brute, participe de brigas para ganhar dinheiro.

"Existe uma grande expressividade na sua face, e grandes olhos marrons e úmidos, já que o Fonz tem sangue de shar-pei e possui a testa enrugada deste último", diz Matt Williams, o diretor. "É uma questão de emoção".

Quando lhe perguntaram como dirigiu Lassie para obter uma performance de estrela, Sturridge disse que o expectador "faz 90% do trabalho". Esta pode ser uma declaração dura para atores que disputam a atenção do público.

"Antes de cada tomada, Peter O'Toole, que co-atua com Lassie, tossia da forma mais alta possível, o que era a sua maneira de marcar o seu território canino", contou Sturridge. "Os atores se acostumaram a esse proceder, mas os cães sempre davam um pulo".

E os atores e atrizes mais estimados de Hollywood gostam de animais? Steve Carell gosta de cães, segundo Forbes, que está trabalhando com ele e Barnum, um boxer adotado por Evan em "Evan Almight". Julia Roberts é apaixonada por cavalos. Ela é dona de Hightower, um quarto de milha americano alazão que estrelou em "O Encantador de Cavalos" ("The Horse Whisperer", EUA, 1997), e que foi transportado de avião pelo FedEx do cenário no qual trabalhava para o de "Noiva em Fuga" ("Runaway Bride", EUA, 1999), de forma que a atriz pudesse cavalgar o cavalo na sua fuga do casamento, na cena de abertura do filme.

Mas outras celebridades não gostam nem um pouco de animais. Forbes, que está há 20 anos no ramo, não citou nomes, mas disse que é difícil gostar de alguém que não goste de cachorros. "Atualmente, quando gosto de um ator ou de uma atriz, reluto em conhecê-los. O nosso ideal pode sofrer um impacto. Não é uma experiência agradável".

O fato de atuar com um casaco de pele - neste caso, a própria pele - não significa que não seja necessário o trabalho do cabeleireiro e do maquiador.

Quando a Lassie original perdeu um monte de pêlo depois que uma criança arrancou um tufo da sua pelagem em 1943, a Max Factor confeccionou uma peça para que a cadela a usasse a fim de cobrir o estrago.

A mulher que atualmente é a referência nesta área se chama Rose Ordile, da Animals of a Different Color. Ordile, uma colorista e adestradora de Los Angeles, confeccionou peças de pelos para os cães pastores em "Soltando os Cachorros" ("The Shaggy Dog", EUA, 2006), estrelando Tim Allen. Ela maquiou os 40 huskies que interpretaram os oito cães de trenó em "Resgate Abaixo de Zero" ("Eight Below", EUA, 2006), e coloriu duas novas Lassies.

Ela viaja com o cão que é a marca registrada da Target Corporation, um bull terrier dotado de uma marca avermelhada à altura do olho. "Isso é para garantir que o olho dele esteja do jeito certo a todo momento", explica Ordile.

Ela trabalha também com a equipe de gatos persas que são a marca registrada da ração para gatos Fancy Feast.

Ordile afirma: "Eles são lavados por seis vezes para a retirada dos óleos - a pelagem dos gatos pode adquirir uma aparência bastante oleosa. A seguir, são secados a mão e penteados, de forma que cada pêlo fique no devido lugar. Ela recomendou o creme rinse Kelco Plum, que faz com que o pêlo fique ultrabranco.

"O gato da Fancy Feast é o felino perfeito", garante Ordile, referindo-se ao gato que é uma celebridade no mundo dos comerciais de televisão. Assim como os demais atores da indústria cinematográfica, os animais contam com agenciadores, contratos sigilosos, especialistas em penteado e maquiagem, dietas especiais, aparições de gala e aposentadoria em uma fazenda Danilo Fonseca

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