UOL Notícias Internacional
 

31/05/2006

Mais recente protesto de imigração: tijolos para a fronteira

The New York Times
Carl Hulse

em Washington
Isso é que é crítica construtiva. Aqueles que defendem fronteiras mais seguras enviaram milhares de tijolos aos escritórios do Senado e da Câmara, nas últimas semanas, para transmitir uma mensagem nada sutil aos legisladores sobre o que muitos de seus eleitores pensam sobre as leis de imigração propostas.

Líderes da campanha, que entregou cerca de 10.000 tijolos desde o início em abril, disseram que encontraram uma forma de enfatizar os benefícios de uma cerca ao longo da fronteira com o México.

Atualmente, as campanhas de lobby profissionais superam os movimentos de base espontâneos, e os organizadores da brigada dos tijolos encontraram uma forma especial de enviar uma missiva que não é facilmente descartada.

"Mensagens eletrônicas são tão comuns hoje", disse Kirsten Heffron, de Virgínia, que está ajudando a coordenar o movimento. "É realmente fácil para o escritório dizer que tomou conhecimento de sua mensagem, apagá-la e nunca mais pensar no assunto."

Se o impacto foi notável, também foram as dificuldades logísticas, particularmente para o setor de seleção de correspondência do Congresso, com as medidas protetoras em vigor desde os ataques de antraz contra o Capitólio, em 2001.

Inicialmente, os organizadores do Projeto Envie-um-Tijolo estimularam as pessoas a enviarem seus próprios tijolos, e Heffron disse que as coisas estavam correndo relativamente bem.

Mas muitas pessoas, disse ela, preferiam que a própria organização enviasse os tijolos junto com uma carta aos congressistas selecionados.

O projeto assumiu a tarefa, por uma taxa de US$ 11,95 (em torno de R$ 25) por bloco. Então, quando 2.000 tijolos encaixotados individualmente apareceram ao mesmo tempo, funcionários do Senado hesitaram, ameaçando forçar o grupo a pagar o correio de cada um. A briga deixou os tijolos empilhados até a conclusão de um acordo para distribuí-los.

"Recebemos os tijolos e os entregamos a todos os destinatários", disse uma porta-voz do escritório de segurança do Senado.

Quando os tijolos chegaram às salas de correspondência e escritórios apertados do Congresso, o movimento foi aplaudido por alguns funcionários e divertiu outros.

"Dados os índices de aprovação do Congresso atualmente, acho que todos deveríamos ficar gratos que os tijolos estão chegando pelo correio, não pela janela", disse Dan Pfeiffer, porta-voz do senador Evan Bayh, democrata de Indiana.

Foi sugerido aos remetentes que acrescentassem uma carta dizendo que o tijolo representava o início da construção de um muro de fronteira.

Muitos não resistiram e colocaram sua mensagem nos próprios tijolos. "Nada de anistia", dizia um típico, referindo-se ao projeto contestado do Senado para permitir que imigrantes ilegais eventualmente consigam a cidadania. "Pare a invasão, construa um muro", dizia outro tijolo pintado como uma bandeira e que incluía o site do grupo www.send-a-brick.com.

Além da cerca, o grupo defende a melhoria da tecnologia para a segurança da fronteira, com mais dinheiro e pessoal para a patrulha e maior presença no limite sul.

O movimento dos tijolos está marcado para diminuir nesta semana, apesar de a organização estimular as pessoas a continuarem, se quiserem.

Na terça-feira (30/5), representantes do arquiteto do Capitólio coletaram os tijolos dos escritórios dos congressistas e empilharam-nos em armazéns, com planos de doá-los a um grupo sem fins lucrativos.

Em carta que circulou na terça-feira, o deputado Scott Garrett, republicano de Nova Jersey, estimulou seus colegas a doarem os tijolos a uma loja em Virgínia, Habit for Humanity, para que a renda fosse para os projetos da organização.

"Com o projeto Envie-um-Tijolo, nossos eleitores encontraram uma forma sólida de comunicar seus sentimentos sobre a imigração", escreveu Garrett em sua carta. "Concordando ou não com a mensagem, achamos que essa campanha deu ao Capitólio uma oportunidade positiva de transformar tijolos em construções."

Heffron, mãe e dona-de-casa que tem sido ativa em campanhas políticas e assuntos públicos, disse que sua organização não reprovaria se os tijolos fossem desviados para outros usos depois de transmitirem sua mensagem.

Ela disse que a campanha nasceu da frustração expressada on-line, em um fórum sobre questões de imigração, com a resistência de alguns congressistas à construção de um muro. Outro ímpeto era o desejo de contrabalançar as grandes manifestações dos defensores dos direitos dos imigrantes.

Dado o sucesso da iniciativa, disse ela, o grupo talvez volte sua atenção ao lobby de congressistas em seus distritos neste verão e talvez participe de uma manifestação em Washington. Ela disse que esperava que a onda de tijolos mostrasse aos congressistas que, no que concerne a imigração, o peso da opinião pública está do lado da segurança da fronteira.

"Acho que não percebem a paixão envolvida", disse ela de alguns congressistas. "Talvez sejam necessários alguns protestos nas ruas para que nossas vozes sejam ouvidas também." Deborah Weinberg

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