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31/05/2006

Voz forte de Wall Street é indicada para o Tesouro

The New York Times
Landon Thomas Jr.
Henry M. Paulson Jr. tinha saído há apenas poucos anos da Harvard Business School em 1972 quando obteve um cargo cobiçado na Casa Branca do presidente Nixon. Seus amigos na época não podiam acreditar. Sim, ele tinha um MBA de Harvard e também tinha jogado futebol americano por Dartmouth, mas tinha apenas 26 anos e era inexperiente em Washington.

"Eu era o primeiro da minha classe na Harvard Business School e era magna cum laude pela faculdade de Direito, e eles escolheram o jogador de futebol de Dartmouth", disse Walter C. Minnick, que foi derrotado por Paulson na disputa do cargo e que atualmente é executivo-chefe de uma empresa de paisagismo em Idaho.

"Ele era um buldogue, parecido com o jovem Dick Cheney", disse Minnick, que continua sendo um dos maiores amigos de Paulson. "Hank é o vendedor dos vendedores, e esta combinação de tenacidade e entusiasmo o tornam muito eficaz."

De fato, foi esta mesma mistura de vigor e ambição que alimentou os 32 anos de Paulson na Goldman Sachs, o levando ao cargo máximo daquela que talvez seja a firma mais admirada de Wall Street e o deixando com ativos de mais de US$ 700 milhões.

Um ambientalista convicto e um observador de pássaros cujo estilo de republicanismo lembra tanto o entusiasmo de planícies abertas de Theodore Roosevelt e o pragmatismo do presidente Nixon, Paulson é de algumas formas um executivo nos moldes de Paul H. O'Neill, o ex-secretário do Tesouro que foi forçado a deixar o cargo por uma Casa Branca que não podia suportar suas tendências contrárias.

Paulson segue Jon S. Corzine, o governador democrata de Nova Jersey, que foi afastado como sócio sênior da Goldman em 1999 por Paulson e outros importantes sócios na firma, como o mais recente em uma longa fila de executivos da Goldman que atenderam ao chamado do serviço público.

Como O'Neill, Paulson tem pontos de vista fortes sobre políticas econômicas que apóiam orçamentos equilibrados, que podem não combinar com as políticas do governo Bush que resultaram em déficits orçamentários históricos.

Com o mercado de ações demonstrando sinais de fraqueza e o dólar continuando a se desvalorizar, o governo Bush está buscando um experiente executivo de Wall Street para trazer calma e previsibilidade a mercados cada vez mais incertos. Foi tal papel que o presidente Clinton, desesperado em dar peso financeiro ao seu jovem governo, deu a Robert E. Rubin quando o persuadiu a deixar seu cargo como sócio sênior da Goldman para uma nova carreira em Washington.

Rubin pregou orçamentos equilibrados e um dólar forte durante um momento de ampla saúde econômica, atingindo um status de quase celebridade no processo. Agora a pergunta é, será que Paulson será capaz de realizar um truque semelhante?

"Ele é uma pessoa na qual temos confiança", disse Rubin, que tem se manifestado contra as políticas econômicas do governo e os grandes déficits que criaram. "Ele é uma escolha muito boa, mas é um trabalho muito difícil."

Paulson se tornou co-executivo-chefe da Goldman em 1998, pouco antes da firma lançar suas ações no mercado. Ele foi um dos primeiros executivos-chefes de Wall Street a reconhecer quanto os bancos de investimento podiam ampliar drasticamente sua lucratividade fazendo grandes apostas com seu próprio capital, em vez de agirem como meros intermediários.
E a Goldman teve uma série notável de grandes lucros.

Mas ao afirmar teimosamente o direito da Goldman de investir, aconselhar e financiar acordos, independente de quais fossem os conflitos potenciais, Paulson também provocou a ira de muitos em Wall Street, que argumentam que estes conflitos, apesar da maioria acima dos conselhos diretores e além da abordagem regulatória, às vezes são muito engenhosos.

Apesar de sua riqueza, Paulson não cultiva os ares freqüentemente vistos em altos financistas. Ele prefere observar pássaros no Central Park a jogar golfe e voa com a máxima freqüência que pode de volta a uma pequena fazenda em Barrington, Illinois, vizinha da casa de seus pais, que ele e sua esposa Wendy compraram em 1974.

Paulson nasceu em 28 de março de 1946, em Palm Beach, Flórida, antes de se mudar para Barrington, onde foi criado.

Em Dartmouth, ele recebeu o grau de bacharel em inglês em 1968, e apesar de ser um dos menores jogadores na liga de futebol americano, ele se destacou. Ele concluiu a Harvard Business School em 1970 e seguiu para Washington, onde trabalhou inicialmente no Pentágono antes de se transferir para a Casa Branca, onde trabalhou na equipe de John D. Ehrlichman.

Após quatro anos trabalhando 90 horas por semana em Washington, Paulson foi para a Goldman Sachs em 1974, começando como banqueiro de investimento júnior em Chicago.

Os banqueiros da Goldman que trabalhavam com Paulson falavam de sua
persistência em caçar as maiores empresas da região, como Sears e Kellogg.

"Ele adorava ir atrás de peixes grandes", disse Robert J. Hurst, o
ex-vice-presidente da Goldman ao qual Paulson era subordinado. "Ele era
muito bom em atrair empresas."

A capacidade de Paulson de atrair grandes clientes chamou a atenção do
comando da Goldman em Nova York e, em 1990, ele se tornou co-chefe de banco de investimento e membro do comitê administrativo da firma.

Em 1999, após a saída de Corzine, Paulson foi a escolha quase unânime entre os sócios da Goldman para se tornar presidente da firma e único
executivo-chefe.

Apesar de Paulson ter tido sucesso em manter a Goldman praticamente livre da mancha dos escândalos de Wall Street, sua retidão causou a ele e à firma alguns pequenos embaraços.

Durante o tumulto em torno da remuneração de Richard A. Grasso como
presidente da Bolsa de Valores de Nova York, Paulson talvez tenha sido o mais enérgico de seus pares a se manifestar contra o pacote de Grasso, apesar de ser membro do conselho que votou em apoio ao pacote. Se o caso for a julgamento, Paulson deverá ser uma figura central.

O papel da Goldman tanto como investidora como conselheira da Bolsa de
Valores de Nova York, dirigida por John A. Thain, um ex-presidente da
Goldman, também causou alvoroço quando a Bolsa se fundiu com a Archipelago. Muitos em Wall Street viram a influência da Goldman como imprópria e desnecessária. E a proposta de Paulson ao conselho da Goldman para que a firma doasse 275 mil hectares de terras no Chile para a Conservação da Natureza provocou gritos de protesto de acionistas, que alegaram que Paulson estava colocando suas paixões ambientais à frente dos interesses corporativos da firma.

Descrito por aqueles que o conhecem como um homem que sangra o azul da
Goldman, Paulson, como outros sócios antes dele, está carregado da cultura da firma, que dá alta importância em buscar uma carreira no serviço público quanto em colher riquezas extraordinárias. Sócios seniores da firma, incluindo Sidney J. Weinberg, John C. Whitehead, Rubin, Corzine e mais recentemente Stephen Friedman, todos buscaram carreiras em Washington, o que na mente de muitos na Goldman acrescenta um brilho adicional a seus feitos em Wall Street.

"Sidney Weinberg deixou explícito que o serviço público era um chamado
superior", disse Lisa J. Endlich, autora de "Goldman Sachs: A Cultura do Sucesso" (Nobel, 2000), uma história da firma. "É como ser membro da família Kennedy ou Bush -é uma geração após a outra."

Como outros executivos de Wall Street, Paulson foi um doador generoso
durante a campanha de 2004, levantando pelo menos US$ 100 mil para a
campanha de Bush. Mesmo assim, apesar de estar entre o grupo central de
executivos de Wall Street ao qual o governo pede conselhos, Paulson tinha, até agora, passado pouco tempo sozinho com o presidente.

Há poucos meses, quando Joshua B. Bolten, um ex-executivo da Goldman Sachs, contatou Paulson sobre a possibilidade de assumir o cargo, ele foi receptivo, apesar de ter dúvidas sobre como seria seu papel como autor de política econômica, segundo pessoas que estiveram envolvidas nas discussões. Segundo todos os relatos, Paulson também estava passando pelo melhor momento de sua vida. As ações da Goldman apresentam a maior alta de todos os tempos, assim como a influência de Paulson, já que mantinha uma agenda cheia, se reunindo com altos líderes políticos na China, Oriente Médio e Europa.

Mas quando a Casa Branca o chamou novamente neste mês e convidou Paulson para um encontro privado com o presidente Bush, Paulson começou a pensar mais seriamente no cargo. Em 20 de maio, um sábado, ele voou para Washington para um encontro privado pessoal com Bush, realizado na residência da Casa Branca. O encontro durou duas horas e Bolten participou da terceira hora final.

Foi durante este encontro que Paulson recebeu a garantia de que não seria apenas um mero vendedor das políticas econômicas do presidente, mas um participante ativo na formulação da política, disseram pessoas que foram informadas das discussões. Nunca uma pessoa a demorar para tomar uma decisão, Paulson aceitou no dia seguinte. George El Khouri Andolfato

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